A PÉROLA ESQUECIDA

1757 Words

Quando a cidade esconde sua própria musa LORENZO VALLI Positano não é uma cidade. É um anfiteatro. Quem a entende, assiste. Quem não entende, desce correndo as escadas e se perde no aplauso fácil do mar. Fico no alto, na curva da Via Cristoforo Colombo, onde as casas parecem ter sido coladas à falésia com o suor dos séculos. Daqui vejo tudo: a cúpula da igreja tremendo de luz, as vielas em zigue-zague até a Spiaggia Grande, a respiração larga do Tirreno. E, no cais, o iate que corta a água como uma lâmina: Morelli voltou. As crianças são sempre as primeiras a trair a cidade. Correm. Gritam o nome dele — “Fernando! Fernando!” — como se chamassem um irmão mais velho que nunca falha. Atrás delas, homens de camisa aberta e mulheres com panos de pão ainda quentes no avental. Alguém traz um

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