LUT0 COM CHEIRO DE PÓLVORA

1818 Words

Quando a dor não procura justiça… procura destruição. FERNANDO MORELLI BASTIANI O céu estava pesado, cinza, como se as nuvens tivessem vindo de propósito para esconder Positano do sol. O cemitério, pequeno e cercado por ciprestes altos, parecia mais apertado naquele dia. A terra úmida grudava no solado dos sapatos, e o vento frio soprava o cheiro de flores recém-cortadas misturado ao de chuva prestes a cair. Lyra não piscava. Estava de pé, a poucos passos do caixão de madeira escura, como uma estátua de mármore esculpida pela própria raiva. Não havia lágrimas. Não havia tremor. Só um olhar fixo, duro, que parecia atravessar o tampo e atingir o rosto da mulher morta lá dentro. A esposa dele. Seu orgulho. Seu troféu. A única pessoa que ele dizia amar sem condições. — Até o último

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