Quando a pele vira promessa FERNANDO MORELLI BASTIANI Dei a volta pelo quarteirão, o ombro já deixando sua assinatura de dor na camisa. Encontrei duas caixas vazias encostadas no muro — papelão com cheiro de peixe, mas não de gelo. Mais adiante, um cheiro que não pertencia ali: solvente. Abri a tampa de um tambor plástico. Munição mergulhada em óleo barato não enferruja. Lyra estava sem homens, não sem ideias. — Ele quer uma cena — falei. — E vai ter câmera. — Sempre tem. Voltamos. Nenhuma glória aqui. Só a contabilidade de um crime tentando voltar a ser programa de televisão. Se eu fizer o certo, esse episódio não vai ao ar. De tarde, sentei. Alinne trouxe o estojo de tatuagem, abriu, fechou, abriu de novo, e não ligou a máquina. — Eu disse “marcar”, não “tatuar”. — Eu ouvi erra

