Quando o amor é obrigado a vestir uma máscara ALINNE BELLEROSE GUSMÃO Voltei ao ateliê com passos arrastados. O corpo não obedecia mais, como se cada músculo tivesse sido roubado. O silêncio me engolia, o cheiro de óleo de linhaça e terebintina queimava na garganta. Quando empurrei a porta e vi a tela, meus joelhos simplesmente cederam. O quadro estava lá. Aquele que era nossa história. Agora não passava de um corpo rasgado em X. Um cadáver de tinta e pano. Soltei um grito que não reconheci. Era agudo, quase animal, cheio de desespero. O eco bateu nas paredes do ateliê e voltou contra mim. Meus dedos arranharam o chão de madeira, as unhas tentando segurar uma vida que já tinha escapado. — Não… não… — soluçava, a testa no assoalho. — Ele rasgou nossa história… As lágrimas vinham em

