O SILÊNCIO DEPOIS DOS TIROS

1440 Words

Quando a cidade inspira, mas o peito ainda arde FERNANDO MORELLI BASTIANI Acordei com a sensação de que alguém tinha deixado um punhado de pregos dentro do meu ombro. A dor não era aquela explosão suja de minutos depois do tiro; era a dor metódica, disciplinada, que marca passo: três batidas, uma pontada; três batidas, uma pontada. Digo é assim que o corpo lembra a gente de que está vivo — cobrando juros. Domênico passou cedo, verificou o curativo, olhou o dreno, checou febre. Disse que estava limpo, que eu podia respirar. Eu ri por dentro: respirar eu podia; o que eu não podia era ficar parado. Só que, por enquanto, era isso. O médico que nos atende no “circuito paralelo” entregou ordens simples: água, antibiótico, prudência. E uma recomendação que eu finjo não ter ouvido: “nada de es

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