Entre o sonho e as paredes
FERNANDO MORELLI BASTIANI
A água batia forte nos meus ombros, escorrendo pesada pelo peito, descendo pelo abdômen e sumindo na base do p4u já duro. Quente. Latejando. Não era de agora — desde o momento em que entrei no chuveiro, ela estava lá.
A imagem.
O corpo dela.
A pele clara, no tecido fino da minha camisa.
Desligo o registro. O som da água diminui, mas o sangue bombeando nos ouvidos não. Não pego toalha. Subo as escadas nu, a água escorrendo pelos cabelos, pingando no chão. Cada passo parece mais lento, como se o corpo soubesse exatamente para onde está indo.
A porta se abre.
Ela está deitada de lado, o lençol caído até a cintura. O quarto ainda carrega o cheiro adocicado do sabonete que usou. Os olhos se abrem devagar, ajustando à luz, e encontram a figura parada na entrada. Não se mexe. Só olha.
O olhar desce pelo meu peito, pela barriga, até parar no peso entre as pernas. O p4u ereto, brilhando pelas gotas que escorrem dele, pulsa uma vez, firme, como se respondesse àquele olhar.
O corpo dela se ergue lentamente. As pernas dobram, ela desliza para a beira da cama, desce, se ajoelha. O movimento faz os cabelos caírem para frente, cobrindo parte do rosto, mas não os olhos — eles sobem, lentos, até encontrar os meus. Não há pergunta. Só silêncio.
O calor da respiração dela atinge primeiro, antes do toque. Depois, os lábios. Quentes, úmidos, fechando-se ao redor da glande. A sucção é imediata, e o som que escapa da garganta é baixo, quase um gemido. A língua desliza lenta pela base, contorna a veia que pulsa, volta para a ponta e a envolve de novo, sugando mais fundo.
As mãos dela seguram minha base, firmes, enquanto a boca trabalha num ritmo calculado — lento o bastante para torturar, fundo o bastante para arrancar cada gota de controle.
O corpo reage sozinho. O quadril avança, entra mais, sente a garganta se abrir para receber. O ar sai quente pelo nariz, roça na pele. É uma sensação que mistura aperto e calor, como se fosse engolido inteiro.
Quando a boca se afasta, está molhada, brilhando, os lábios inchados pelo atrito. Ela passa a língua devagar, recolhendo o que sobrou, e volta a me tomar. O som molhado se mistura ao da respiração pesada.
A pressão no baixo-ventre cresce. As mãos descem para o cabelo dela, seguram firme, guiando. Mas não agora. Não ainda.
Afasto-a com um puxão suave. Ela ergue o rosto, e os joelhos deslizam para trás, até que o corpo vira. Fica de quatro na beira da cama, o tecido da camisa subindo, revelando a curva da cintura, as coxas, a bund4 redonda.
As mãos abrem o caminho. A visão é um convite explícito. A glande desliza devagar pela entrada, espalhando umidade. O corpo dela se arqueia, empinando mais, instintivo.
A penetração vem lenta, milimétrica, como quem saboreia cada centímetro. O calor a envolve de imediato, apertado, úmido. Uma respiração funda escapa, seguida de outra mais pesada, e o ritmo começa.
No início, controlado. As estocadas são profundas, seguidas de uma pausa curta. Depois, o controle cede, e o som das peles se chocando preenche o quarto.
Uma mão segura firme a cintura. A outra desliza pelo ventre até encontrar o ponto certo, massageando com a ponta dos dedos no mesmo compasso da penetração. O corpo reage rápido. O som dos gemidos ficam mais altos, mais irregular. O aperto aumenta.
O orgasmo dela chega como um espasmo, um tremor que percorre todo o corpo e aperta mais ao redor. Continuo o movimento, prolongando o prazer, até sentir o próprio clímax subir.
O corpo inclina mais sobre o dela, as estocadas se tornam curtas e rápidas. O calor no baixo-ventre explode, e o goz0 é derramado fundo, quente, como se fosse marcar território.
A respiração ainda é pesada quando o corpo fica imóvel, colado ao dela. A pele úmida, o cheiro misturado de sabonete, suor e sexo.
E então… o som.
A água caindo.
Os olhos se abrem.
As mãos estão na parede fria do box. O corpo ainda está sob o chuveiro, a água escorrendo. Não há quarto. Não há cama. Não há ela.
Só o pensamento.
O que teria acontecido se tivesse subido e aberto a porta?
Abro os olhos. Estou sozinho. O box, a parede, só a água me acompanhando. Tudo ficou na minha cabeça.
Saio, visto o short, e subo as escadas devagar. Paro diante da porta, encosto a mão na madeira e deixo a pergunta escapar, baixa, quase um sussurro que só eu ouço:
— Se eu tivesse aberto… você teria me deixado ter você assim?
ALINNE GUSMÃO
A maçaneta girou devagar. Eu estava encostada na parede, a camisa fina colando no meu corpo. Meus olhos encontraram os dele — e não havia surpresa, apenas um convite silencioso.
Ele entrou, fechou a porta atrás de si e trancou. Não disse nada. Só veio até mim, prendeu meu queixo com força e me beijou como se tivesse esperado por aquilo a vida inteira. Era beijo de fome, de quem já me possuía na mente e agora queria o corpo.
As mãos dele desceram pela minha cintura, subiram pela coxa e me ergueram contra a parede. Minha bucet4 engoliu sem aviso, sentindo o calor dele me invadir por inteiro.
— P0rra … — ele sussurrou contra meu pescoço. — Era isso que eu queria desde o chuveiro.
Meus dedos se enroscaram no cabelo dele. Eu gemia, me arqueava, e o quadril dele batia no meu com força. Quando percebi que ele diminuía o ritmo, mais lento, mais fundo, entendi que estava se controlando.
— G0za pra mim primeiro… — a ordem veio rouca, pesada.
A mão dele encontrou meu c******s, brincando com precisão cru3l. O corpo inteiro tremeu quando o prazer me atravessou, e ele me segurou firme, como se quisesse gravar meu orgasm0 na pele.
O peso dele sobre mim, o calor, a respiração queimando meu pescoço… cada investida arrancava outro gemido meu, e o som dele rosnando no meu ouvido me deixava ainda mais perdida.
— Pede… — ele sussurrou, quase um aviso.
— G0za em mim, Nando… — implorei, sem ar.
E então o prazer dele me atingiu junto, quente e intenso, como se me marcasse por dentro.
Abri os olhos num sobressalto. O coração disparado, o corpo coberto de suor. Minha pele pulsava, minha mente estava confusa. Levei alguns segundos pra entender que tudo tinha sido um sonho — um sonho tão real que meu corpo reagia como se tivesse acontecido de verdade.
Levantei devagar, carregando aquela estranha mistura de excitação e vergonha. Desci as escadas. A sala estava vazia.
Na mesa, a pomada. Peguei o frasco. Toquei a tatuagem recém-feita — ardia, mas suportável. No espelho, forcei os olhos para decifrar. Vi a pimenta. O resto… nada.
Peguei o celular, tirei uma foto e enviei para o ChatGPT:
"Qual o significado dessa tatuagem? Em que idioma está?"
A resposta veio rápida:
"Isso não representa nenhum idioma. Pode ser um símbolo criado pelo tatuador."
Suspirei, frustrada. Vesti a calcinha, aliviada por não doer tanto, e comecei a andar pela casa. Estava livre para me mover… ou estava?
A palavra ecoava na minha mente. Livre.
Será?
Coloquei uma calça, amarrei os cabelos loiros num r**o de cavalo, calcei os tênis e subi até a porta do estúdio. Trancada. Fui até a porta dos fundos. Também trancada. Droga.
Pela vidraça do estúdio, vi a pasta de trabalhos. Folheei. Só corpos femininos, tatuados com um cuidado quase devoto.
— Será que ele só tatua mulheres? Ou só guarda tatuagens feitas nelas? — murmurei.
Passos. Desci correndo as escadas e me sentei no sofá.
— Fernando? — a voz masculina soou.
— Oi, bom dia. Ele não está. Quem é você?
— Oi, bom dia. Sou Domênico.
— Sou Alinne… prazer.
— Tá… vou procurá-lo. Tenha um bom dia, senhorita Alinne.
A porta que dava acesso ao estúdio foi fechada e trancada. Agora, nem aquele espaço eu tinha.
Revirei a sala até achar um caderno de desenho, as folhas gastas e poucas. Peguei um lápis e sorri sozinha.
Eu ia desenhar.
Mas ninguém precisava saber o quê.