Quando a ilha guarda mais do que paredes FERNANDO MORELLI BASTIANI A madrugada começou na varanda. Figos abertos ao meio, o mel derramando devagar; o vinho vertido com paciência nas taças, o brinde sem palavras. Encostei a taça nos lábios dela, vi a cor manchar a boca, ouvi o riso escapar. A primeira aproximação foi beijo manso, depois firme, depois inevitável. A mão na curva da nuca, a outra na cintura — a costura do vestido parecia costurar a minha vontade de parar. Não parou. Levei-a até a borda da piscina. A água estava morna, e o mundo, quieto. As estrelas fecharam o círculo acima de nós. Ela tirou as sandálias com o pé, um gesto simples que merecia moldura. Entreguei-lhe a taça; tomou um gole, ofereceu-me outro. Deixei um fio cair no ombro dela, apenas o suficiente para que a pel

