VITÓRIA
EU juro que fiquei um tanto envergonhada, mas não custava ele ter falado quem era, pouparia muito transtorno. Estão todos dando risadas, talvez pela alegria de tê-lo aqui.
Eu não sei se é impressão minha ou seus olhos estão em mim. Não quero me dá ao luxo de olha-lo pra ter certeza. Me sinto estranha agora. Só pelo simples fato de saber que é ele!
Continuo de olhos fechados concentrada em Zayn que canta perfeitamente no meu ouvido. E nisso acabo caindo no sono.
Acordo algumas horas depois com alguém me chacoalhando.
- Filha acorda! - Abre um dos meus olhos. - Vitória...
- Já acordei pai... - Levantei um tanto desorientada, ele ri. Pego minha bolsa e fones e o acompanho. Já estava escurecendo. p**a que pariu eu dormir tanto assim?
Damos a volta na piscina e entramos pelo porta que dá a cozinha, lá estavam todos sentados na mesa e os olhares se direcionaram a mim assim que entramos. Fiquei com uma p**a vergonha.
- Não tem dormido no Brasil não? - Provoca Lin arrancando risadas dos demais menos dele.
Mostro a língua.
- Que maturidade. - Minha mãe fala balançando a cabeça. Tio Oliver e Jasmine não estão aqui com a pequena Lua, porém só as pessoas presentes ocuparam todos os lugares deixando disponível apenas um ao lado de Joan.
Joguei a bolsa em um canto qualquer e um pouco exitante caminhei até a cadeira e me sentei. Todos estavam falando algo sobre a ONG que eu não prestei atenção.
Comecei a me servir de arroz e batata, porém o frango estava longe o bastante pra eu me esticar pra consegui pega-lo. O que fez com que ele desse uma visualizada quase discreta na minha b***a. Não tem como não perceber a olhadela que ele deu. E o fato de eu está com o biquíni talvez tenha o afetado.
Desde então ficou incomodado o jantar inteiro. Até que levantou de súbito e saiu.
Todos ficaram olhando sem entender, eu apenas dei de ombros e terminei de comer.
Depois daquela noite eu não o vi mais, evitei ir na casa dos meus tios e quando Alina eu eu saíamos, eu a esperava aqui em casa. Fiquei sabendo que ele estava morando em um apartamento perto da empresa. Porque estou tão interessada?
Estava conversando com Cláudio e já se passavam das onze quando minha mãe entra no quarto avisando que Jasmine tinha acabado de dá a luz ao pequeno Benjamin e que Tia Liara ligou avisando que era um menino lindo e forte.
Foi uma semana de muita alegria para as duas famílias, eu ainda não tinha ido vê-los, sou aquele tipo de pessoa que espera a poeira baixar, sei que essa semana a casa estava cheia então esperei não ter ninguém. Pedi um táxi e fui.
Toquei a campainha e não demorou muito uma mulher abriu a porta me dando passagem pra entrar. No sofá a frente Jasmine amamentava um pacotinho pequenininho. Me aproximei estendendo o presente que trouxe.
- Não precisava se incomodar Vitória. - Diz com a voz terna. Ela olha tão amorosamente o bebê que instantaneamente meus olhos se enxem de água.
- Não foi incômodo nenhum. - Lhe digo. - Ele é lindo. - Acaricio a cabeça do pequeno.
Ela sorri feliz. Avisto um piano no que não consigo entender como não me dei conta dele quando cheguei.
Aponto o mesmo um pouco sem graça.
- Posso?
- Pensei que nunca ia pedir. A Vitória que eu conheço nunca ia sair sem tocar. - Fala ajeitando Benjamin no colo.
Tiro a jaqueta e me acomodo no banquinho, e como se eu sentisse a conexão. É maravilhoso!
Por algum motivo estranho a música "High" de Dua Lipa me vem a mente. Sinto as notas invadindo-me a medido que dedilhos as teclas, é uma sensação acolhedora, não sei explicar.
"You don't haver to be so cautious
(Não precisa ser tão cauteloso)
If you practice what you preach
(Se você pratica o que prega)
Counting up the stacks on the counter, a f*****g disease
(Cantando as pilhas no balcão, uma merda)
Don't ask me to be rightiaus
(Mas não me peça para ser justo)
If you practice what you teach
(Se você pratica o que ensina)
Counting all your blessings
(Cantando todas as suas bênçãos)
The second you're down on your knees
(O segundo que você está de joelhos)
Se why, why don't we get a little high, high?
(Então porque, porque não ficamos uma pouco chapados, chapados?)
Don't we get a little
(Não ficamos um pouco)
Get a little
(Ficamos um pouco)...
Subitamente só se ouvia a minha voz e o piano, estou longe de cantar bem porém naquele momento minha voz se aperfeiçoou a música.
... Don't want to pay attencion to writing on the wallpaper
(Não quer prestar atenção a escrita na parede)
Painted with agression and dripping when you call
(Pintado com agressão e pingando quando você liga)
Not gonna learn my lesson
(Não vou aprender a lição)
Am running out of time?
(Estou ficando sem tempo?)...
Jasmine deixa escapar um som de surpresa então a olho.
- Ele dormiu, você é um anjo. - Prefere sem som, um tanto surpresa, levantando-se para levá-lo ao quarto. - Sente-se Joan eu já venho. - Como se jogasse uma bomba ela fala olhando além de mim e sai rapidamente.
Olho pra trás e lá está ele, em pé me olhando como se eu fosse algo de outro mundo. Ele não se importa se essa situação é desconfortável ou não, mas mesmo assim continua me encarando. Desvio o olhar.
- Não é bem educado encarar as pessoas sabia? - Deixo escapar, me levanto do banco e vou sentar no sofá.
- Mas acho que não é adepto de muita educação, ou estou enganada?
Vejo um esboço de sorriso, porém assim como apareceu some. Ele anda até a poltrona, abre os primeiros botões do paletó e se senta.
- Confesso que fiquei bastante surpreso Vitória. Você mudou bastante - Diz sério medindo-me inteira - Era uma garotinha chata, mas vejo que isso não mudou. - Continua, falando irônicamente.
- Te incômoda? - Questiono
- Desde que não dirija a palavra a mim você não me interessa em nada! Então não me incomoda. - Diz por fim.
Confesso me senti m*l com o descaso, estava até gostando de provoca-lo. Me calo. Levanto o deixando sozinho com a sua amargura e vou a cozinha. Percebo que Jasmine volta pra sala quando Ouço-o começar a conversar a irmã.
- A senhorita aceita um pedaço de torta de frango? - Pergunta a senhora que me atendeu a pouco.
- No dia em que me ver rejeitar comida interne-me e me amarre em uma camisa força. - Dramatico exagerada e ela sorri.
Começo a comer e gemer de satisfação.
- Hmm... Sabe se não fosse a Jasmine eu te sequestraria pra minha casa, a comida da Maria não chega ao um terço da sua no sabor. - Elogio. Que a Maria não me ouça, amo ela.
- Que isso menina, é só o meu trabalho. - Diz envergonhadamente.
- Que a senhora faz com muito gosto. - Beijo-lhe o rosto e saio da cozinha me despedindo assim que lavo a prato que sujei.
- O querida desculpe não te dar muita atenção. - Jasmine se justifica vindo até mim, Joan ja está de pé mechendo no celular.
- Sem problemas... - Beijo-lhe o rosto e pego a jaqueta. - Dá um beijo no meu tio e na Lua. Aparece lá em casa.
- Pode deixar, beijos!
Finjo não o ver e saio da casa do meu tio. Porém já não basta ter sido grosso ainda vem atrás de mim perguntando se vim de carro.
- Pensei que não queria ouvir minha voz. - Digo irônica - ''Não dirija a palavra a mim" imito sua voz.
- Não necessariamente você precisa abrir a boca! - Caminha em direção ao porche estacionado do outro lado.
- O quê?! - Esbravejo, corro atravessando a rua e entrando no carro. - Não esperava que se tornasse uma pessoa assim.
Resmungo baixo, porém acho que ele ouviu porque em seguida diz:
- Esse é o meu melhor lado. Não queira conhecer o outro!