JOAN
EU CRESCI sabendo exatamente o que eu tinha feito. Nunca me considerei um garoto normal.
Mas quem é normal sabendo que é o responsável por a morte de alguém?
Exatamente. E eu não sou uma excessão. Sou um cara malditamente fodido.
Depois de alguns anos longe, eu estou voltando. Voltando pra minha família, minha casa. O lugar que eu fugi por muito tempo.
Com vinte e cinco anos eu já vivi de tudo um pouco. Escolhi me afastar de quem eu amo pra estudar, focar em um futuro.
Mas a minha mente ainda é fudida, tenho recaídas, pesadelos. Um inferno. Eu vivo um inferno.
Meu papel é proteger minha família. Meus irmãos, minha mãe e até meu pai. Mas eu fugi. Como um covarde de merda. Desejei pela primeira vez não ter ido embora. Pouparia muitos transtornos.
Eu venho de uma família onde todos sorriem. Irradiam sorrisos. Menos eu.
Não que as vezes eu não sorria, confesso. Tenho meus momentos, o que me faz relaxar e esquecer.
“m*l sabia eu que isso ia mudar. Estava prestes a mudar, por causa de uma pirralha insistente e insuportável.„
Não prestei atenção que tinha apagado de vez. Acordei com a comissaria me sacudindo a falando que logo iríamos pousar.
Assim que pousamos, senti aquela familiaridade me atingir. Ninguém sabe que eu estou de volta. Preferi chegar e surpreender. Pelo menos é o que eu queria fazer.
A construtora precisa de alguém a frente, já que meu pai quer descansar e Jasmine enfim percebeu que não era isso que ela queria pra si. Então eu estou aqui, deixei a filial com alguém da minha confiança e vim assumir o império da família. Chegou a hora de cuidar de todos.
O táxi para assim que faço sinal, eu não trouxe muitas coisas. Eu quero começar aqui. Não quero mais ser o cara rude com a mente deturpada.
Fodida! Eu não quero ser um cara fodido!
Dou o endereço da mansão e ele dá partida. As ruas da cidade passando pelos meus olhos, as pessoas passeando com cachorros, casais se beijando. Desperdício de tempo.
— Senhor, Chegamos! — O senhor que aparenta ter uns quarenta anos chama minha atenção, ele abre a porta do motorista é sai do carro. Faço o mesmo.
Ele abre o porta malas e eu respiro fundo.
Eu o encaro acenando com a cabeça.
— Obrigado! — Pego a mala e caminho até o portão. Toco a campanhia sem demora.
Demora pra atenderem, com raiva e sem paciência nenhuma, pego o celular pra ligar, quando o portão é aberto e uma figura feminina aparece a minha frente. O corpo n***o tendo todo o destaque no minúsculo biquíni amarelo que ela usa.
— Posso ajudar? — Pergunta. Reviro os olhos e entro na casa.
Ouço ela resmungar inacreditada.
— Ei seu louco. Aqui não é casa pra doentes mentais. — Grita me fazendo parar.
Cerro os punhos. Quem ela pensa que é? O que essa garota sabe de mim? Nada! Fecho ainda mais o punho sentindo a raiva me dominar. Garota insolente.
— Eu sugiro que não dirija a palavra a mim! E não ouse me chamar dessa maneira... Nunca mais! — Sou rude. Mas ela revira os olhos.
— Você é um sem educação. Não se entra na casa dos outros assim sabia?
— Essa casa é de Alex Radmon? — Ela acente desconfiada. — Então estou no lugar certo.
A mesma suspira resignada. Suas mãos vão ao alto da cabeça e ela prende a montoeira de cachos rebeldes. Meus olhos viajam pelo seu corpo e voltam ao seu rosto. Percebo agora de que se trata de uma pirralha, de no mínimo dezessete anos. Argh. Garota chata.
— Você pode me dizer o seu nome. Assim eu poderia avisa-lo. — Suspira outra vez. — Olha cara, estamos em família. Você poderia esperar aqui?
Sugere. Não dou atenção e volto a caminhar. Até que meu braço ser segurado e ela entrar em minha frente.
— Sai da minha frente Pirralha! — Já sem paciência seguro o seu braço a arrastando pra o lado mas ela não me solta, a mesma estremesse com o meu aperto, mas não me solta.
E então ouvimos um voz.
— Vitória? — Mais a frente uma joven loura me olha estranho e imediatamente eu sei de quem se trata.
Alina!
Ela logo me reconhece dando um grito e correndo em minha direção.
Mas o negócio é que a garota que me segura é nada mais nada menos que.
— Vitória?!
Ela me olha e arqueia a sombrancelha.
— Da pra me soltar? — Resmunga e imediatamente eu a solto.
Não tenho chance de falar mais nada porque no instante seguinte Alina se joga em meus braços chorando quase nos fazendo cair.
— Eu não acredito. É você mesmo Joan? — Soluça.
— Sou eu sim! — Confirmo alisando suas costas vendo que ela vai se acalmando instantaneamente.
— Mas que gritaria é... — Mais a frente vejo minha mãe. Meu pai vem logo atrás dela, seguidos de Thomas, Emily, Jasmine e Oliver.
Esse desgraçado ainda vai me pagar por ter engravidado a minha irmã.
Eu o encaro sabendo que ele sabe quem sou eu. Seu sorriso cínico me deixa irado, e eu lhe lanço um olhar silêncioso de que ele ainda vai me ver muito.
Todos me olham surpresos, não fazendo questão de esconder tal sentimento.
— Não vai vim abraçar seu filho? — Digo assim que Alina se afasta se juntando a Vitória.
— Meu Deus é você mesmo! — Minha mãe diz quando se aproxima e pega em meu rosto. As lágrimas em seus olhos insistem em cair.
Abraço a mesma depositando meu rosto em seu pescoço. Me sentindo em casa.
A MANHÃ foi divertida, em insistência de todos eu troquei de roupa e demos continuidade ao domingo da família.
Depois do episódio do portão Vitória se manteve o mais distante possível de mim. Agora ela está deitada na espreguiçadeira, os cabelos negros espalhados enquanto ela se desliga do mundo, se concentrando no fone de ouvido.
Me pego olhando o seu corpo, não acreditando que... Eu ainda estou incrédulo. Inferno.
Sou tirado dos olhares pra garota por Lua que chega tímida.
— Você é bonito! – Ela gira a cabeça observando minuciosamente o meu rosto. — Parece com a minha mamãe.
— Observadora Você. – Digo sério. Eu não sou acostumado com crianças, não sou adepto de dar carinho ou brincar. Eu simplesmente não sou alguém bom!