Sete

1012 Words
Luana Narrando Confesso que pensei várias vezes em ir até ele, Minha cabeça rodava, meu coração batia forte, e uma parte de mim queria gritar, queria tirar satisfação ali mesmo, mas o meu irmão estava ali, e eu não queria estragar tudo. Não sou do tipo que faz cena, não faz o meu estilo. Então, respirei fundo, engoli o choro que insistia em subir pela garganta e, baixinho, só para Alana ouvir, sussurrei. Luana: Amiga, vamos embora. Diz ao Luiz que você tá com cólica, alguma coisa assim. Alana me olhou nos olhos, e naquele momento, sem que eu precisasse dizer mais nada, ela entendeu tudo. Sempre foi minha parceira, dessas que não precisa de explicação, só sente, Então, concordou e arrumou uma desculpa rápida para sairmos dali. No caminho de volta, segurei as lágrimas com todas as forças, O nó na garganta parecia cada vez maior, mas eu não podia desabar ali, Luiz falava sobre alguma coisa, ria de algo que provavelmente achava engraçado, mas eu sequer prestava atenção, Minha cabeça estava em outro lugar, revivendo cada palavra, cada detalhe. Ele disse que tinha compromisso de trabalho, disse que não podia passar o final de semana comigo porque estaria ocupado. E agora, ali estava ele, com outra. O choque misturado à raiva e à tristeza me consumia, Como pude ser tão i****a? Como pude acreditar nele de olhos fechados? Assim que chegamos em casa, Luiz foi direto para o banho, enquanto eu corri para o banheiro e, finalmente, deixei as lágrimas caírem. Sentei no chão frio, abracei meus joelhos e chorei, Chorei como há tempos não chorava, Chorei porque doía, Porque não era só a traição, era a mentira, era a ilusão que ele me fez acreditar. Depois de um tempo, levantei e me encarei no espelho, Meus olhos estavam vermelhos, inchados, Meu peito subia e descia em soluços. Luana : Você não vai desmoronar por ele - sussurrei para mim mesma, como se dizer isso fosse suficiente para me convencer. Terminei meu banho e vesti qualquer roupa confortável, Fui para o quarto, mas as lágrimas insistiram em cair de novo. Deitei na cama, abracei meu travesseiro e chorei ainda mais. O som da panela batendo na cozinha me fez perceber que Luiz já tinha saído do banho e estava preparando algo para comer. Oh, garoto esfomeado. Mas eu? Eu não tinha fome, não tinha vontade de nada. Tudo que eu queria era apagar esse dia da minha memória, apagar o rosto dele da minha mente, apagar essa dor que parecia crescer dentro de mim a cada segundo. Mas eu sabia que não ia ser tão fácil assim. A voz da minha avó veio do corredor, suave, mas carregada de carinho: Vó: Luana, vem almoçar, minha filha. Fechei os olhos imediatamente, tentando regular a respiração para parecer que estava dormindo. Não queria conversa, não queria ter que dar explicações. Não hoje. O que vou dizer para ela, que o homem que estou namorando a quase dois anos é um mentiroso, um traidor, eu ainda não sei quem é aquela mulher, eu não sei de nada da vida do Jonas. O desespero começou a bater forte, será que aquela é a oficial e eu que sou a outra. Ouvi seus passos se afastando e o leve ranger da porta sendo encostada, Ela entendeu o recado sem que eu precisasse dizer nada. Fiquei naquela mesma posição, abraçada ao travesseiro, até que o sono me pegou de verdade. Quando acordei, já era noite. Senti um balanço leve no meu braço e um peso ao meu lado na cama. Luana: O que foi, Luiz? perguntei antes mesmo de abrir os olhos, a voz rouca e arrastada pelo sono. Luiz: A vó mandou te acordar. Ele respondeu no seu tom casual, como se nada tivesse acontecido. Abri os olhos devagar, sentindo aquele peso no peito que parecia não ter saído nem por um segundo. Levantei da cama com esforço, sem dizer nada. Passei direto para o banheiro e lavei o rosto, mas não tive coragem de me encarar no espelho. Eu sabia o que veria ali, olhos inchados, vermelhos, o reflexo de alguém que tá sofrendo por quem não merecia. Fui para a cozinha em silêncio. Esquentei a comida no micro-ondas, enchi um copo de refrigerante e me sentei à mesa, O cheiro da comida parecia bom, mas minha garganta estava fechada, dei uma garfada, mastiguei devagar, mas não descia. Cada vez que tentava engolir, sentia o choro querendo voltar, Jonas me paga. Essa frase martelava na minha cabeça enquanto eu mexia na comida sem vontade, O ódio crescia dentro de mim como um incêndio descontrolado. Terminei de tomar o refrigerante e, sem pensar duas vezes, joguei a comida no lixo, não adiantava forçar. Lavei o copo e o prato, tentando ignorar a sensação de que minha vida inteira tinha virado um grande desperdício, igual àquela comida indo pelo ralo. Voltei para o quarto e me joguei na cama, pegando o celular. Alana já estava online. Luana: "Eu vi, amiga. Eu vi com esses olhos que a terra há de comer." Escrevi rápido, sem nem pensar muito. Alana: "Eu também vi, Luana eu tava lá". Meus dedos tremiam enquanto digitava. Cada palavra parecia me rasgar por dentro, e as lágrimas voltaram a rolar sem controle. Contei tudo de novo, desde a desculpa esfarrapada dele até a cena que presenciei. Luana: "Ele mentiu, amiga. Disse que ia trabalhar e foi encontrar outra. Como ele teve coragem? Como me fez de otária desse jeito?" Alana: "Filho da mãe! Você já conseguiu falar com ele?" Luana: "Ainda não. Mas ele vai me procurar amanhã, eu sei que vai." E eu já sabia o que fazer. Respirei fundo, tentando conter a raiva que me consumia, Amanhã, quando ele vier com aquela cara lavada, vai ouvir tudo que tenho para falar. Ele vai me dar uma explicação, e depois, sem pensar duas vezes, eu vou arrancar essa aliança do meu dedo e jogar na cara dele. Ele achou que podia me enganar? Pois amanhã ele vai aprender do pior jeito possível.
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