Luana Narrando
Tomei meu café da manhã depois fui acordar o Luiz, Meu irmão é um pouco preguiçoso para sair da cama, mas depois de muita insistência, ele finalmente levantou e foi escovar os dentes. Enquanto ele estava no banheiro, aproveitei para arrumar a cama dele, troquei os lençóis, bati o travesseiro e dei uma ajeitada geral no quarto.
Quando ele terminou e veio tomar café, já estava com um plano em mente. Luiz estava estranho nos últimos dias, e eu precisava saber o que estava acontecendo, eu só sabia o que a vó contou, ou seja quase nada, assim que ele terminou de comer, chamei ele para me ajudar com umas coisas em casa. Enquanto trabalhamos juntos, tentei puxar o assunto.
Luana: E aí, Luiz, o que tá pegando? Faz dias que você tá com essa cara de quem comeu e não gostou.
Luiz: Nada Luana, Só coisa da escola.
Revirei os olhos. Era sempre essa desculpa.
Luana: Sei e que coisa da escola seria essa que te deixou tão esquisito?
Luiz: Nada demais. Só um desentendimento.
Fiquei em silêncio por uns segundos, observando ele, Luiz evitava meu olhar, brincando com as mãos, o que só aumentava minha desconfiança.
Luana: Luiz, eu sei que você brigou com um garoto. Quem era ele?
Ele hesitou, mas deu de ombros.
Luiz: Um moleque qualquer.
Cruzei os braços e encarei ele com firmeza.
Luana: Qual é, moleque? Se foi só um tipo qualquer, por que você tá todo estranho? Eu conheço a mãe desse menino? Se conhecer, a gente pode ir lá se desculpar.
Luiz ficou pálido na hora. O detergente que ele segurava até caiu no chão, fazendo barulho, vi o pânico nos olhos dele.
Luiz: Você não conhece ninguém, Luana. Deixa isso quieto.
Aquela reação me fez gelar, Meu irmão não era de se assustar fácil. Pressionei.
Luana: Luiz, quem era o garoto?
Ele respirou fundo, desviou o olhar e soltou, num tom quase inaudível.
Luiz: Anthony Gabriel.
Luana: Quem?
Luiz: O sobrinho do Sombra.
Senti meu coração acelerar.
Luana: Car@lho, Luiz! Você brigou com o sobrinho do dono do morro? Você tem noção da merda que fez?
Ele abaixou a cabeça, mordendo o lábio com força.
Luiz: Ele que começou, Luana. Veio querer se meter comigo, falar merda.
Luana: E você não podia simplesmente ignorar?
Luiz: Eu tentei! Mas ele me provocou, me empurrou aí eu revidei.
Passei a mão no rosto, tentando acalmar minha respiração. Se o Sombra resolvesse se meter nessa história, meu irmão estava encrencado, e eu vou morrer.
Luana: Algum adulto viu essa briga?
Luiz: Acho que não, foi no beco perto da escola, Belinha que viu, contou pra fofoqueira da mãe dela que contou para nossa vó.
Suspirei, sentindo o peso daquela situação. Luiz era só um garoto, mas mexer com o sobrinho do Sombra podia trazer problemas sérios.
Luiz: Tá, a gente vai ter que resolver isso da melhor forma possível. Você não vai sair de casa sozinho por um tempo, entendeu?
Ele assentiu, visivelmente preocupado. E eu? Bom, eu também estava. Muito.
Foquei na faxina, mais não vou mentir, eu estou com medo do Sombra vir tirar satisfação, Varri, passei pano, coloquei roupa para bater e, por fim, lavei o banheiro. Fiz uma faxina caprichada, e agora tudo estava limpo e cheiroso, depois do almoço, aproveitei para deitar um pouco e descansar.
Peguei o celular e fui conferir as mensagens que mandei para o Jonas, nenhuma resposta.
Suspirei, sentindo aquela pontada de tristeza no peito ele tinha dito que estava com uns problemas para resolver, então eu tentava entender, mas não podia negar que ficava chateada, Não custava nada ele mandar um "tô ocupado, depois falo contigo" Mas, fazer o quê?
Meu descanso foi interrompido pelo barulho de batidas no portão, Levantei e fui atender. Era Alana, minha melhor amiga.
Alana: Até que enfim abriu essa porta! - Ela entrou sem cerimônia, como sempre fazia, e se jogou no sofá.
Alana: Tô morta de calor! Tem suco aí?
Ri e fui buscar um copo de suco para ela.
Luana: Claro, patroa. Quer que eu te abane também?
Alana: Seria ótimo!
Ela piscou e riu. Pegou o copo e tomou um gole antes de me encarar animada.
Alana: Preciso te contar uma coisa! Vai rolar um baile lá em cima no próximo fim de semana.
Luana: Tá, e...?
Alana: E vai ser com aquele MC que você gosta!
Meus olhos até brilharam.
Luana: Sério? Quem?
Alana sorriu, sabendo que eu ia surtar, e soltou o nome.
Luana: Mentira! - Eu me ajeitei no sofá, empolgada.
Luana: Car@lho, queria muito ver esse show de perto.
Alana: Então vamos, ué!
Minha empolgação durou pouco. Suspirei e me joguei para trás.
Luana: Não dá, né? Eu vou estar com o Jonas.
Ela revirou os olhos.
Alana: Aff, Luana! Um diazinho só que você pode sair sem esse cara e já dá desculpa.
Luana: Além do mais - continuei, ignorando o tom de deboche dela - eu nunca fui em baile. Não é muito minha vibe.
Alana cruzou os braços.
Alana: Você nunca foi, então como sabe que não gosta?
Luana: Eu só sei.
Ela bufou e balançou a cabeça, mas logo depois se ajeitou no sofá e me olhou daquele jeito que eu já conhecia.
Alana: Falando em Jonas...
Luana: Ah não, Alana! - Interrompi antes mesmo dela continuar.
Alana: Ah sim, Luana! - Ela rebateu, rindo.
Alana: Você sabe que sou a única que não engole esse garoto.
Suspirei e massageei as têmporas.
Luana: O Jonas nunca te fez nada.
Alana: Não precisa me fazer nada. Meu santo não bate com o dele. E eu ainda acho que esse navio tem mais tripulantes.
Fiz uma careta.
Luana: Você sempre com essa teoria.
Alana: E você sempre negando!
Fiquei em silêncio por alguns segundos. Já tinha pensado nisso antes? Sim. Mas sempre me convencia de que era só implicância da Alana.
Luana: Sei lá, amiga, as vezes acho que você só não vai com a cara dele mesmo.
Alana: Ou talvez eu enxergue coisas que você não quer ver.
Revirei os olhos, mas por dentro fiquei pensativa.