Capítulo 25

1126 Words
Nilufer começou a chorar, sentida. — Nada… quer mesmo se internar? Vão fritar seu cérebro! — Esses lugares não querem curar ninguém e você nunca quis isso. Kaya se aproximou para abraçar a irmã, respondeu. — Mas agora é diferente. Não aguento mais estragar a sua vida junto da minha. — Ela te bateu por minha causa? Nilufer se afastou, chateada. — Não, eu falei umas coisas… acho que todas nós estamos passando por muitas coisas. — Se o meu pai morrer, ela não vai dar conta e eu também não. — Não podemos nos separar, isso nunca dá certo. Entrou no banheiro, foi abrindo o chuveiro e ficou parada, encarando a água caindo, com o pensamento distante. Kaya também entrou, foi tirando a roupa. — Não quero que fique enfrentando ela por minha causa, ela não tem feito nada do que já não fez antes. — Promete que não vai fazer de novo? — E nem se prejudicar por minha causa? Matar aula e apanhar é minha função, não sua! Nilufer sorriu irônica, com os olhos marejados. — É né… como aguenta? Eu tô com tanta raiva dela! Kaya entrou no banho, sorriu sutilmente nostálgica. — É que talvez eu mereça e você não. — Na verdade eu estou calejada. — Obrigada por me defender e me soltar… não gosta de me ver na coleira né? Nilufer disse que aquilo era para vira-latas apenas e não cadelas de raça, saiu do banheiro. Kaya sorriu, ficou pensativa. Eram raras as vezes que a irmã enfrentava a mãe e, apesar de gostar de ver, no fundo ela se sentia triste e culpada, como um fardo que sempre levava problemas para casa. Nilufer foi à cozinha. Évora estava na varanda lendo um livro. Entrou para conversar. Estavam falando do que seria melhor Kaya comer, quando Yesenia entrou, interrompendo. — Ela acordou? Como está? Nilufer continuou de costas, ignorando. — Sim. Pode deixar que eu cuido dela e dou os remédios. Yesenia até se sentiu culpada pelo tapa, mas o orgulho jamais a deixaria pedir desculpas. Olhou com raiva, deixou os remédios em cima da mesa e foi para o quarto. Apesar das minis revoltas, Nilufer nunca fez nada errado e era completamente de confiança para a mãe, pelo menos até se mudarem para a nova vida atual. Seguindo um instinto regado a revolta, Nilufer preparou um lanche: ovos mexidos, suco natural de laranja, dois pedaços de bolo de cenoura. Levou para a irmã com os remédios e falou que ela não precisava tomar, se não quisesse. Kaya começou a comer, disse que não deviam piorar as coisas. Nilufer guardou os comprimidos no sutiã. — E dá pra piorar mesmo? Vai ficar com medinho agora? — Eu sei que você evita tomar toda vez que pode. — Se sentir m*l-estar, começar ver ou ouvir coisas, me fala… prometo que não vou te julgar. — Não muito… e se me bater em um surto, eu bato de volta. Kaya começou a rir, respondeu. — Não bate nada, você não é assim. — Tenho medo de mim… ir longe demais, como nas lutas. Nilufer começou a mexer no celular. — É só não lutar, ou jogar bola… não gosta daqui? De tanta natureza e tranquilidade? — Não tem como isso não te fazer bem, você adora o mato. — Vou tomar banho e volto deitar com você. O celular começou a tocar, era Rick. Kaya ficou olhando, curiosa. — Banho? Ou vai conversar escondida? Nilufer revirou os olhos, rindo. — Os dois. Come tudo ou não temos um trato. Atendeu ele no corredor. — Oi. Há horas ele estava mandando mensagens e sendo ignorado. Rick falou gentilmente. — Oi, linda… você tá bem? — Por que não respondeu? Diferente de sempre, ela respondeu vagamente. — Estava ocupada com a minha irmã. Ambos silenciaram alguns instantes. Ele percebeu que ela estava brava. — Entendi… como ela está? — Não foi no curso? Ela estava entrando no banheiro, ligou o chuveiro de propósito. — Ahhh, sei lá… o de sempre, não sai daqui hoje. — Tô super cansada, vou tomar banho. — Já vai dormir né? Ele também estava um pouco irritado, respondeu no mesmo tom. — Vou. Boa noite, bom descanso. Beijos! Não tão boazinha quanto parecia, ela apenas deu boa noite e desligou. Se preparou para dormir e voltou no quarto de Kaya. Ficou mexendo no celular, fuçando as redes sociais dele, caçando algo. Começou a se arrepender do que fez. O celular tocou de novo, era ele. — Oi… já deitou? Te acordei? — Ele disse. Ela respondeu apreensiva, meio chateada. — Acabei de deitar. Ele disse que queria se desculpar. Ela perguntou pelo quê, quase chorando. Ele respondeu também chateado. — Por não estar aí com você. — Demorei pra responder por causa do trabalho. — Sei que você passa por muitas coisas sozinha e guarda tudo pra si. — Se eu pudesse, já estava aí. — Fala comigo… pode contar tudo, eu gosto de saber. — Não quero que nada mude, porque estou longe. Ela começou a chorar, sentida. — Não é a mesma coisa… tô com saudades. — Me desculpa também. Ele começou a falar que ia largar tudo então e ir até lá, perguntou se ela duvidava, se queria. Ela respondeu toda emotiva. — Não né… vou ficar bem. — Briguei com a minha mãe e eu não gosto disso. — Me conta como foi o seu dia? Ele começou a falar sobre o trabalho. Ela comentou que estava deitada com a irmã e por isso não ia poder conversar melhor. Ele respondeu com graça: — Ahhhh, que pena… ia te pedir uma foto… tá de pijama? Ela começou a rir. — Uhum… e você? Me manda aí então. Ele pediu uns minutos, deixou ela na ligação, mandou uma foto deitado de cueca. “Eu fico assim longe de você, quietinho dormindo.” Ela começou a rir muito. — Não acredito nisso! Ele pediu pra ela mandar uma da calcinha, dos sei.os que ele adorava. Ela desconversou, deu bastante risada. Quando desligou, foi no banheiro, mandou uma foto dos se.ios meio cobertos com o cabelo e sem mostrar o rosto. Ele respondeu com outra de cueca, só que excita.do, duro. Com aquele sorriso m*****o, ela saiu do banheiro digitando. Estava dizendo que não sabia como podia ter feito aquilo de tão longe. Deu boa noite, guardou o celular e foi deitar. Kaya estava olhando, reparando nas risadas. Perguntou curiosa: — Tá gostando dele? Nilufer se virou séria, para olhar melhor. — Talvez… vai falar de novo que ele não serve pra mim? — Porque, na verdade, não me acha boa pra ele? — Disso você não esqueceu, não é? — Do baita sermão que me deu?
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