Capítulo 43

1206 Words
Ela se afastou rindo. — Achei que ficar junto já era isso, você quem disse. Foi subindo as escadas de costas, o olhando com aquele sorriso m*****o. — Por que desistiu de me machucar? — Você me deve explicações, Zarick, muitas. Ele sorriu exultante, pensando no que dizer. — Não me chame assim, posso ser bem sentimental após uma noitada dessas. Estou apaixonado por você. Entrou no quarto, foi juntando as coisas: a coleira, máscara e o chicote. — Não é sobre desistir, eu só não podia. — Ele disse. — Mentir e fingir algo, pode ser bem complicado quando se está conectado. — Você vai virar uma lenda, sabe? Ela estava pegando roupas na mala, entrou no banheiro rindo. — Lendas estão mortas, me sacrificar faz parte dos seus planos? — Ela disse. — Seu pervertido perigoso! Fechou a porta e entrou tomar banho. Saiu já vestida com um shorts de alfaiataria preto e uma camiseta polo rosa bebê. Ele entrou tomar banho, disse que timidez não era o forte dela, perguntou por que se trocou escondida. Ela foi até a porta do banheiro, levantou a camiseta mostrando as costas. — Vai ver estou envergonhada, você me marcou inteira. — O que a minha mãe vai pensar disso? Ele mostrou as costas também machucadas. — A sua eu não sei, mas a minha vai saber que tem uma nora maluca. Ela se afastou rindo, respondeu. — Não ouse tirar a camiseta na frente de ninguém, eu falo sério. Foi procurar o celular. Tinham duas chamadas perdidas da Yesenia e uma mensagem perguntando se estava tudo bem. Nilufer respondeu dizendo que sim e perguntou da irmã. Yesenia não respondeu, nem visualizou. Era bem cedo ainda. Ela quase nem dormiu, preocupada, repleta de raiva. Imaginou Kaya se divertindo com o pai a noite toda. Furiosa, saiu cedo e foi até a casa dele. Queria brigar de qualquer forma. Levou as coisas de Kaya até, chorou de raiva o caminho todo. Quando chegou lá, começou relembrar tudo o que viveu. Entrou na casa e viu que não tinha ninguém. Voltou para a fazenda pior ainda, histérica, queria achar Kaya. Évora estava mexendo no celular. Soube que tinham encontrado mais pessoas feridas na cidade, aparentemente atacadas por animais. No mesmo instante, ela mandou mensagem para Rick pedindo para que fossem embora. Ela mesma achou que fosse possível ter sido Kaya. Começou a ficar com medo de levar a culpa por estar encobrindo aquilo. O medo de ser acusada por conspirar só foi aumentando. Rick não contou o que aconteceu de início, pediu para Nilufer arrumar as coisas. Ela mesma também queria ir embora, porque não estava conseguindo falar com a irmã. Também começou a desconfiar de que estavam mentindo. Nem quis comer antes de ir. Em meia hora foram embora. Ela estava quieta, pensativa, cada vez mais nervosa. Disse que tinha algo errado acontecendo. O olhou como quem sabia. — Onde ela está? — Rick, por favor! Não mente. Também preocupado, ele foi sincero. — Não sabemos. Dormiu fora e sua mãe está procurando desde cedo. — Ela deve estar com o pai. Não fica nervosa, tá? De qualquer forma, não é a primeira vez que ela some e a gente… Nilufer não gostou, interrompeu irritada. — Eu devia estar com ela, como fui bu.rra. — Vocês não dão a mínima, né? Eu sabia que ela precisava de mim. Estavam chegando na fazenda. Yesenia e Évora os esperavam na varanda. Nilufer já desceu do carro nervosa e nitidamente diferente, com uma postura mais forte e decidida. — Cadê ela? O que aconteceu? Yesenia se aproximou, ia abraçar. Nilufer quase não correspondeu. — Chega de mentiras, mãe! Se afastou. — Mandou ela para longe ou deixou ir ficar com um pai que nunca quis ser pai dela? — Ele não é ninguém. Aposto que a mandou ir ficar com ele. Yesenia se irritou, elevando o tom de voz. — Como se ela fosse uma coitada, não é? — Estou há horas procurando. Ela não se importa com a gente. Quando você vai entender isso? Évora entrou no meio, dizendo que precisavam conversar lá dentro para ninguém ouvir nada. Foram para o escritório. Nilufer nem quis sentar, perguntou novamente o que tinha acontecido. Yesenia respondeu: — Nada. Eu cheguei e avisei que iríamos para casa. — Pedi para ela arrumar as coisas e só. — Quando voltei ao quarto, ela havia sumido. Deixou o celular até. — Você sempre a defende, mas precisa saber de muitas coisas. — Sobre vocês duas e o nosso passado. Nilufer estava encostada na janela, sorriu com deboche. — Sabe o que eu mais queria saber? Como você moldou a nós duas esse tempo todo? — Porque com certeza algo tem feito para esconder tudo isso. — Sinto que em um dia diferente vivido agora sim sei quem sou, e tudo o que já passei o resto da minha vida inteira foi uma grande mentira. — Como pode ter feito isso? Ela é mesmo doente? Yesenia foi ficando emotiva. Respondeu. — Eu fiz o que era necessário para salvar vocês duas e a mim. — Se você me ouvir, vai entender tudo melhor. — Você não é como ela, nunca foi. A sua irmã é um perigo para todos. — Ela não se importa conosco. Nilufer se aproximou, a olhando nos olhos. Foi mudando os seus de cor. — Mas eu me importo com ela e não tenho medo. — Para quem esperou tantos anos, não devia ter tanta pressa para ser ouvida logo agora. Foi saindo do escritório. Rick foi atrás. — Nilufer, calma. Vamos conversar, você precisa ouvir tudo. — Não adianta sair por aí. A sua mãe já procurou ela. Entrou na frente, a barrando. — Vai ficar tudo bem. Não pode sair assim, ainda mais hoje. — Até pode se sentir bem, mas não sabe se controlar direito. Tudo é novo. Ela interrompeu, chegando mais perto, o olhando nos olhos. — Não me diga o que fazer. Estou começando a achar que você é um mentiroso também. — Se não for comigo, vou sozinha. Percebendo que não poderia a impedir, ele disse que ia verificar a fazenda, falar com os vizinhos. Ela foi saindo para o quintal. — Eu olho aqui. Vai ver com os vizinhos logo. Se fizeram qualquer coisa a ela… — Pode estar ferida, presa. — Que tipo de pessoas põem armadilhas no quintal? Ele disse que ela deveria estar bem e longe. Foi à casa de Zay andando pelo trajeto normal. Apertou o interfone. Sumayla quem atendeu de longe, dizendo hostil que não queria ninguém deles lá. Rick disse que só queria saber se Kaya havia sido vista por lá. Zay saiu no quintal, foi se aproximando do portão e abriu. — Perderam ela de novo? — Não sei o que é pior, ter sido lua cheia ontem ou as novas vítimas encontradas hoje. — Nós não queremos envolvimento algum com isso tudo. Vá embora. Nilufer havia entrado lá pela mata. Se aproximou por trás com uma armadilha de lobos nas mãos, quebrada. Jogou perto de Sumayla. — Nós vamos quando responderem. Viram a minha irmã ou não? — Ela passou por aqui. Posso sentir o cheiro dela.
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