Nilufer ficou quieta, pensativa, logo se levantou.
— E se ela fizer algo errado? E nós não conseguirmos impedir?
— Não quero acreditar que seja possível, mas tem alguém atacando pessoas.
— Não sei o que pensar, ela não se abre comigo, é muito difícil.
Ele se levantou, a acariciou no rosto e no cabelo.
— Ela estava aqui e, pelo jeito, veio sozinha. Não acho que queira ferir alguém.
— Mesmo que não fale tudo abertamente, é a sua irmã e esse laço é mais forte do que pode imaginar.
— Ela só precisa de tempo, cada um aceita isso de uma forma diferente.
Sorriu, a puxando contra si pela cintura.
— Não é todo mundo que tem a sua sorte, lobinha.
— Se ontem fez tudo aquilo, na próxima então...
— Eu não podia sequer imaginar que seria assim, foi muito intenso.
Ela o abraçou, sorriu mudando os olhos, o provocando.
— Do que exatamente está falando?
Começou a beijar o pescoço.
— Qual parte foi tão intensa?
— Achei tudo tão… sei lá… comum.
Ele estava ficando excittado, a puxou pelo cabelo fazendo parar.
— Cuidadooooo… não quer que a gente perca a noção de tudo bem aqui, ou quer?
— Não se satisfez depois da nossa noite juntos?
Ela o tocou sutilmente, apertando sua i********e, sentindo que estava duro.
— Não podemos fazer nada aqui, nem agora.
— Eu só estou começando, demorei demais me guardando, preciso recuperar o tempo perdido.
O beijou com provocação. Ele a agarrou, acariciando seu corpo todo. Era difícil se manter distante, os minutos pareciam segundos. Só foram parar quando Kaya abriu a porta do banheiro.
Nilufer estava corada, com marcas pelo rosto, saiu para a porta do quarto.
— Já estou indo.
Rindo, ele foi sentar na cama, escondendo a ereção com o travesseiro. Ficou ouvindo o que elas falavam de longe. Kaya disse que não queria voltar para a fazenda. Nilufer estava decidindo por ela o que iriam fazer, começou a falar que o Rick ia ajudar, instruindo, e que à noite tudo ficaria melhor, longe de tudo e todos. Kaya estava enrolada na toalha, olhando para a irmã, perguntou como foi. Nilufer sorriu animada.
— Ahhh, pra ser sincera, foi perfeito.
— Não começa a bancar a irmã mais velha, tá? Ou eu não conto.
— Já estamos juntos há um tempinho, né? O Rick estava com medo de ir adiante e estragar as coisas.
— Sabe? Se relacionar… bom, quando isso acontece no nosso estado, com a lua cheia, é diferente, o laço e conexão.
Começou a ficar emotiva.
— Não tem explicação, é uma coisa muito louca e linda que a gente só sente.
— Quando ele me teve como sua, o mundo parou, éramos só nós e o que sentíamos, fazíamos.
— Não me olhe assim, é real, estávamos predestinados.
— Gosto tanto dele, admiro, confio, estou apaixonada de uma forma genuína.
Kaya ficou séria, incomodada.
— Em tão pouco tempo? Não acha que pode estar se confundindo?
— É que… não tô duvidando, ok? Mas meu pai disse que nem tudo pode ser o que parece.
— Eu vi coisas do passado… Nilufer, a gente não sabe em quem confiar.
Nilufer se aproximou chateada, com as roupas nas mãos.
— Eu tô aqui falando sobre o que aconteceu comigo e você nem está prestando atenção.
— Vai mesmo dar ouvidos ao seu papai?
— Se você deixar a gente ajudar, vai entender, não tem que passar por tudo sozinha.
Deu as roupas nas mãos dela e foi indo em direção à porta.
— Eu tô do seu lado, brigando por você. Poxa, Kaya, quando vai deixar de ser tão egoísta?
— Metade dos seus problemas agora vão embora, eu não sei mais o que fazer pra te ajudar.
Saiu do quarto irritada. Kaya ficou se sentindo triste e confusa. Nada parecia que ia ser perfeito ou incrível com ela. Se trocou e ficou sentada pensando em um modo de parar aquilo, seus sentimentos estavam cada vez mais fortes, sufocantes e confusos.
Rick estava pensando no que fazer para ajudar elas. Podia sentir tudo e nem entendia como ela podia ser tão problemática internamente, diferente da irmã.
Nilufer foi limpar os cacos da janela, reclamando baixinho da irmã. Disse que era melhor deixar a mãe decidir o que iriam fazer, onde ficar. Ele encostou ao lado, olhando.
— Virou uma mocinha obediente agora?
— Não se esqueça que também está sob o efeito das mudanças, não deixe seu lado lebre te dominar.
— Dá um tempo pra ela, tenha paciência. A mãe de vocês nunca vai entender.
— Posso tentar falar com ela? Não tenho medo de levar uma mordida, também corro bem rápido se precisar.
Nilufer sorriu cheia de admiração. Falou.
— Ah, claro. Acha que estou sendo injusta?
— Uma má irmã? Você não sabe o quanto ela é difícil… vamos lá, boa sorte.
Foi na frente, bateu na porta.
— Kaya, já se trocou? O Rick quer falar com você.
Ela respondeu que sim. Nilufer abriu a porta e não entrou. Ele foi entrando, sorriu reparando nela.
— Está melhor? Essa fase é sempre bem difícil, mais pra uns do que pra outros.
Ela ficou séria, o encarando, balançou a cabeça que sim. Ele puxou a cadeira da mesinha do computador e sentou perto, ao lado da cama.
— Não vim te pedir pra confiar em mim ou dizer que tem uma fórmula mágica, porque não tem.
— Mas vim te oferecer ajuda, sem magia ou remédios.
— Eu sempre tive total apoio em casa pra tudo, e isso me fez bem.
— Nem posso imaginar o que seria de mim sem a minha família. Você não precisa passar por tudo sozinha.
— Ainda é recente, depois vai melhorar. De alguma forma vai. Estar em contato consigo mesma, sem tantas influências, vai te fortalecer.
— Também coleciono cicatrizes e uma energia que não cabe em mim.
— Sou bom em tudo o que faço e isso não me basta, não é como querer, é só o meu jeito.
— Podemos ir para o chalé hoje, dar um tempo da sua mãe. Lá é afastado da cidade, vai pelo menos não piorar seu estado emocional.
— Isso já não é algo… bom?
Ela estava cabisbaixa, olhando o chão. O olhou e sorriu sutilmente.
— Evitar a minha mãe? É ótimo.
— Não me parece muito opcional aceitar ou não o convite, já que a Nilufer quer que eu vá.
— Desculpa por atrapalhar os planos de vocês.