LUÍZA Naquela noite, o Fernando tinha que trabalhar. Ele falou que era "vapô", e eu nem sabia o que isso significava. Ele riu quando viu a minha cara de confusa e explicou. — É tipo em uma boca, eu vendo de forma mais discreta. Não precisa se preocupar, é tranquilo. Mesmo com ele tentando me tranquilizar, o coração ficou apertado quando ele saiu. Eu não gostava da ideia dele estar envolvido com essas coisas, mas sabia que era a realidade dele. O morro era assim, e eu estava começando a entender como as coisas funcionavam por aqui. Fiquei em casa, tentando me distrair com os preparativos para os bolos do dia seguinte, mas a preocupação não saía da minha cabeça. Eu não queria que nada acontecesse com ele. Ele era tudo o que eu tinha agora, e a ideia de perder ele me deixava em pânico.

