FERNANDO Eu tava na boca, a mente a mil, tentando me convencer de que a Luíza tinha voltado pro morro e tava por aí, em algum canto. Mas no fundo, eu sabia que não era assim. Ela não era de sumir sem dar notícia, ainda mais depois de tudo que a gente tinha passado juntos. A noite já tava caindo, o morro todo iluminado pelos postes meia-boca e pelas luzes das casas, e eu tava lá, perguntando pra todo mundo se tinham visto ela. Ninguém sabia de nada. Nem o Zé da Bica, que sabe tudo que rola por aqui, tinha uma pista. Eu tava puto da vida, com aquele frio na barriga que só desgraça dá. Tinha passado o dia todo arrumando um canto pra gente, pensando num futuro que, agora, parecia mais distante que nunca. E ela? Sumida. Nem uma mensagem, nem um sinal. Só o silêncio, que me cor

