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1062 Words
Melinda Eu nunca gostei de me sentir fraca. Sempre fui a pessoa que lidava com tudo sozinha, que achava um jeito de escapar das situações mais difíceis. E aqui estava eu, sentada em um quarto frio, com as mãos amarradas, olhando para aquele homem que eu m*l conhecia, mas que já controlava minha vida de uma forma que eu nunca imaginei ser possível. Damom estava de costas para mim, mexendo em papéis na mesa. O som de suas mãos folheando documentos preenchia o silêncio denso que havia se instalado entre nós. Ele ainda não havia dito uma palavra desde que me trancou ali, e isso me deixava nervosa. O silêncio parecia ser a sua arma mais mortal, uma arma que ele usava com precisão, como se fosse uma forma de me quebrar aos poucos. Eu não sabia o que esperar dele. Naquela primeira noite, ele não parecia ter interesse em me machucar fisicamente. Mas e quanto ao psicológico? Esse era um território muito mais perigoso, e, pelo que percebi até agora, Damom dominava essa arte com uma facilidade assustadora. Olhei em volta, buscando alguma coisa que me desse uma chance de fugir, mas o quarto estava vazio, exceto pela cama, a mesa e algumas cadeiras espalhadas pelo canto. Não havia janelas, apenas uma porta de ferro reforçado. Eu estava completamente isolada, sem nenhuma saída visível. O medo que eu sentia naquele momento era opressor. Damom virou-se de repente, interrompendo meus pensamentos. O olhar dele, tão penetrante, fez com que eu me encolhesse um pouco, embora eu soubesse que não tinha mais como recuar. — Você ainda está aqui, então imagino que tenha se acalmado um pouco. — Ele disse, com uma calma assustadora. Eu não sabia como reagir. Ele falava como se estivesse esperando algo de mim, como se o simples fato de eu estar ali fosse uma peça do seu plano. Uma peça que, sem dúvida, ele sabia como manipular. — O que você quer de mim? — Perguntei de novo, tentando soar mais firme do que me sentia. Eu sabia que era uma pergunta repetitiva, mas não sabia o que mais perguntar. Tudo parecia nebuloso demais para entender. Damom se aproximou lentamente, a expressão inabalável, e me fez levantar da cama com um simples gesto de mão. Quando ele estava a poucos centímetros de mim, pude sentir seu cheiro. Era uma mistura de tabaco e alguma fragrância masculina que parecia marcar o ar. Ele me observava com um olhar tão frio, como se estivesse me avaliando, analisando cada reação minha. — Eu quero algo de você, Melinda — ele disse, a voz mais baixa agora, quase um sussurro. Eu podia sentir a tensão crescente no ar, mas não consegui evitar o arrepio que correu pela minha espinha. A intensidade de sua presença era inegável, como se ele estivesse se alimentando do meu medo. — Algo que você ainda não sabe que pode me dar. Mas, antes disso, vou ter que ensinar algumas coisas a você. Eu sabia que ele estava se referindo a algo muito mais profundo, algo que não envolvia apenas um simples sequestro. Não era só um jogo de controle físico, mas um jogo mental. Ele queria que eu me perdesse no espaço entre o desejo e o ódio, e o pior era que, em algum nível, eu sabia que ele estava começando a ter sucesso. Ele deu um passo atrás e me deixou respirar, como se esperasse que eu reagisse de alguma forma. Eu não tinha ideia do que ele estava esperando, mas sentia que, qualquer movimento errado, qualquer palavra que saísse da minha boca, poderia ser o suficiente para mudar o rumo das coisas. — Não se iluda achando que pode simplesmente sair daqui. Você está aqui porque é necessária para mim. — Ele deu um meio sorriso, mas não havia nenhuma diversão nele. Era algo mais frio, calculado. Eu tentei me manter calma, mas a cada palavra, a sensação de impotência aumentava. Eu sabia que ele tinha poder, mas não sabia qual exatamente era esse poder. Ele parecia ser o tipo de homem que controlava tudo à sua volta, até mesmo as coisas que pareciam fora de seu alcance. E agora ele me tinha aqui, em suas mãos, com todas as cartas na mesa. — Preciso que entenda uma coisa, Melinda. — Damom fez uma pausa, deixando o silêncio se instalar novamente entre nós. — Você não vai sair daqui até eu decidir. E quando eu decidir, vai ser por um motivo que você ainda não consegue compreender. Eu tentei respirar fundo, tentando processar o que ele estava dizendo. Ele falava como se fosse óbvio, como se eu fosse apenas uma peça, uma ferramenta para algum fim que eu ainda não sabia qual era. Mas o que me aterrorizava não era o que ele dizia, mas como ele dizia, com a certeza de alguém que já sabia o que iria acontecer antes de tudo. — E o que eu sou para você? — Minha voz saiu mais baixinha do que eu queria. Eu odiava me sentir tão frágil, tão vulnerável, mas algo naquela pergunta parecia escapar de mim sem controle. Eu precisava saber, mesmo que fosse doloroso. Damom me observou por mais alguns segundos, seus olhos penetrando nos meus, como se estivesse avaliando se eu merecia saber a resposta. — Você é tudo o que eu preciso agora, Melinda. — Ele disse, com uma intensidade que fez meu coração disparar. — Você é a chave para o que eu estou tentando fazer. E não vou deixar ninguém mais atrapalhar isso. Você vai entender tudo, mais cedo ou mais tarde. Mas por enquanto, vai ter que esperar. Eu fiquei ali, sem saber o que fazer, sentindo meu corpo tenso, minha mente rodando em mil direções. A sensação de estar presa a algo que não compreendia me consumia. E, por mais que eu quisesse me rebelar, algo dentro de mim começava a questionar se havia algo mais em Damom do que eu via à primeira vista. Seria possível que, por trás da fachada de crueldade, houvesse algo mais? Algo que ele não queria que eu visse? Ou será que eu estava apenas me enganando, tentando encontrar humanidade em um monstro? Eu não sabia, mas uma coisa era certa: eu estava em um jogo que eu não controlava, e Damom parecia ser o único que conhecia as regras.
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