POV’s Laura
06:30 AM.
Abro os braços lentamente. A claridade que reflete incomoda as minhas pupilas. Vagueio a mão do meu lado, e encontro o lugar vazio da cama.
Suspiro fundo, batendo uma insegurança dele ter ser arrependido. Até que escuto o barulho da porta se abrindo:
— Bom dia!
— Arthur.— abro um sorriso.
O mais velho adentra, com o rosto tão feliz. Em suas mãos, há uma bandeja. Recebo, me sentindo tão paparicada.
— Não precisava preparar tudo isso— observo.
—Você merece.— diz, com tom um pouco tímido.
Ficamos em silêncio, até que o próprio quebra o silêncio constrangedor:
— Laura.
— Oi.
— Sobre ontem...— inicia e minhas bochechas coram.
— Eu gostei.— admito, com sorriso bobo no canto dos lábios.— Foi bom.
Lhe noto engolir em seco. E ficar sem graça com o meu comentário.
— Temos que pensar numa forma de você se prevenir.
— Como assim me prevenir?— o questiono confusa.
— Quando um homem e uma mulher têm relações íntimas, Laura, corre o risco da mulher engravidar sem a devida precaução.
— Ah sim, entendi.
— Você quer tomar uma pílula do dia seguinte, Laura?
— Pode ser.
Nesse momento não o encaro. Tanto eu, como ele, nos encontramos vermelhos de vergonha.
A sensação que dá, que é a primeira vez, que o Arthur esteja fazendo isso.
— Vou sair agora para empresa, quando for a noite eu passo na farmácia, e te trago. Tá bom assim?
— Certo. Você acha que não é o momento certo, para termos bebês, não é?— solto, e seus olhos sérios me encaram...
— Na verdade, não quero ter filhos, Laura.— fico triste quando escuto.— Já não tenho idade e nem vocação para ser pai.
– O senhor ainda é muito novo...
— Laura, não minta para mim.— me olha de relance.— E para de me chamar de senhor.
— Desculpa.—abaixo a cabeça.
— Vou te desculpar dona Laura, só dessa vez.— dá um beijo no topo da minha mão — Preciso ir—avisa, se levantando da cama.
—Não está esquecendo de nada?— aponto pro meus lábios e rimos.
Arthur retorna e dá um selinho na minha boca.
— Nos vemos a noite.
— Até a noite, Laura.— aceno, e faço um símbolo de coração com os dedos quando ele se guia até porta
Seus olhos brilham quando vê aquilo. Estou tão feliz, e nem consigo conter sorriso no meu rosto.
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18:00 PM.
O dia passou muito rápido.
Arthur me permitiu que eu levasse as minhas coisas pro quarto dele. Eu arrumei o closet, e agora preparo a mesa do jantar romântico.
Quero fazer uma surpresa e retribuir o café da manhã que ele me levou na cama.
Cantarolo uma música enquanto coloco os pratos. Organizo as flores vermelhas pondo no centro.
A campainha toca, me fazendo sair do transe.
— Nossa... ele já chegou!.— murmuro, indo às pressas até a porta.
Mas todo sorriso se desfaz, quando vejo a cara de enjoada da sobrinha do Arthur.
Ela me olha dos pés a cabeça, como se fosse um bicho e não estivesse altura de estar neste apartamento.
— Arthur não está.— a digo.
— Eu sei, titio mandou eu te entregar isso. — estende o comprimido. — É uma pílula do dia seguinte.
— Obrigada por ter trazido.— pego.
— Não vai tomar?— pergunta.
— Só quando Arthur chegar.
— Ele vai demorar, está numa reunião de negócios. Titio é um CEO muito ocupado, ele não tem tempo para se dedicar a novinha dele.— fecho a mão em punho, ouvindo a provocação.
— Olha aqui, eu não admito que fale comigo dessa forma.
— Já tá doidinha pra dá o golpe da barriga, né?— insinua, com sarcasmo.— Mas titio é esperto, não vai deixar nenhuma golpista ficar com a grana dele. Quero que tome na minha frente a pílula.
— Pois bem, eu vou tomar.— me direciono até a cozinha, e pego o copo d'água.— Não preciso dá o golpe em ninguém, se eu quero estar com Arthur, é porque eu gosto dele.
A mulher começa rir da minha cara.
– Você acha mesmo que o titio vai querer ficar com uma suburbana feito você? Faça mil favor!
— Não só vai, como ele se casou comigo.— rebato, a enfrentando.
– Por enquanto, querida. Sou advogada e sei como invalidar esse casamento em dois tempos. Basta o titio querer, ou eu dizer que titio não está bem da cabeça — ameaça.
– Eu te garanto, que Arthur não vai querer.
A loira elegante cai na gargalhada e engulo aquela pílula, para que vá embora o mais rápido possível.
— Pronto, satisfeita?
— Boa sorte, Laura, você vai precisar.– sai, debochando da minha cara.
Bato a porta, colocando a mão na cabeça. Começo a sentir a minha vista um pouco embaçada, e tudo girar ao meu redor.
Vou até o sofá, tropeçando.
Fecho os olhos e acabo apagando. Não sei o que havia naquele remédio.
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Quando eu acordo a minha cabeça está pesando. E a claridade do quarto e o meu corpo todo seminu( apenas de calcinha e sutiã) me faz cobrir-me.
E eu não estou sozinha, há homem desconhecido ao meu lado, apenas de cueca.
Fico confusa com tudo aquilo.
— O que significa isso, Laura?— a voz rouca soa no fundo.
Avisto Arthur, e ele encara a cena completamente decepcionado.
— Tá vendo titio, ela já enfiou um macho em sua cama!
Ao seu lado, está a sobrinha dele, que faz questão de me humilhar.