Novo dia

953 Words
POV’s Laura 06:30 AM. Abro os braços lentamente. A claridade que reflete incomoda as minhas pupilas. Vagueio a mão do meu lado, e encontro o lugar vazio da cama. Suspiro fundo, batendo uma insegurança dele ter ser arrependido. Até que escuto o barulho da porta se abrindo: — Bom dia! — Arthur.— abro um sorriso. O mais velho adentra, com o rosto tão feliz. Em suas mãos, há uma bandeja. Recebo, me sentindo tão paparicada. — Não precisava preparar tudo isso— observo. —Você merece.— diz, com tom um pouco tímido. Ficamos em silêncio, até que o próprio quebra o silêncio constrangedor: — Laura. — Oi. — Sobre ontem...— inicia e minhas bochechas coram. — Eu gostei.— admito, com sorriso bobo no canto dos lábios.— Foi bom. Lhe noto engolir em seco. E ficar sem graça com o meu comentário. — Temos que pensar numa forma de você se prevenir. — Como assim me prevenir?— o questiono confusa. — Quando um homem e uma mulher têm relações íntimas, Laura, corre o risco da mulher engravidar sem a devida precaução. — Ah sim, entendi. — Você quer tomar uma pílula do dia seguinte, Laura? — Pode ser. Nesse momento não o encaro. Tanto eu, como ele, nos encontramos vermelhos de vergonha. A sensação que dá, que é a primeira vez, que o Arthur esteja fazendo isso. — Vou sair agora para empresa, quando for a noite eu passo na farmácia, e te trago. Tá bom assim? — Certo. Você acha que não é o momento certo, para termos bebês, não é?— solto, e seus olhos sérios me encaram... — Na verdade, não quero ter filhos, Laura.— fico triste quando escuto.— Já não tenho idade e nem vocação para ser pai. – O senhor ainda é muito novo... — Laura, não minta para mim.— me olha de relance.— E para de me chamar de senhor. — Desculpa.—abaixo a cabeça. — Vou te desculpar dona Laura, só dessa vez.— dá um beijo no topo da minha mão — Preciso ir—avisa, se levantando da cama. —Não está esquecendo de nada?— aponto pro meus lábios e rimos. Arthur retorna e dá um selinho na minha boca. — Nos vemos a noite. — Até a noite, Laura.— aceno, e faço um símbolo de coração com os dedos quando ele se guia até porta Seus olhos brilham quando vê aquilo. Estou tão feliz, e nem consigo conter sorriso no meu rosto. ************************************************ 18:00 PM. O dia passou muito rápido. Arthur me permitiu que eu levasse as minhas coisas pro quarto dele. Eu arrumei o closet, e agora preparo a mesa do jantar romântico. Quero fazer uma surpresa e retribuir o café da manhã que ele me levou na cama. Cantarolo uma música enquanto coloco os pratos. Organizo as flores vermelhas pondo no centro. A campainha toca, me fazendo sair do transe. — Nossa... ele já chegou!.— murmuro, indo às pressas até a porta. Mas todo sorriso se desfaz, quando vejo a cara de enjoada da sobrinha do Arthur. Ela me olha dos pés a cabeça, como se fosse um bicho e não estivesse altura de estar neste apartamento. — Arthur não está.— a digo. — Eu sei, titio mandou eu te entregar isso. — estende o comprimido. — É uma pílula do dia seguinte. — Obrigada por ter trazido.— pego. — Não vai tomar?— pergunta. — Só quando Arthur chegar. — Ele vai demorar, está numa reunião de negócios. Titio é um CEO muito ocupado, ele não tem tempo para se dedicar a novinha dele.— fecho a mão em punho, ouvindo a provocação. — Olha aqui, eu não admito que fale comigo dessa forma. — Já tá doidinha pra dá o golpe da barriga, né?— insinua, com sarcasmo.— Mas titio é esperto, não vai deixar nenhuma golpista ficar com a grana dele. Quero que tome na minha frente a pílula. — Pois bem, eu vou tomar.— me direciono até a cozinha, e pego o copo d'água.— Não preciso dá o golpe em ninguém, se eu quero estar com Arthur, é porque eu gosto dele. A mulher começa rir da minha cara. – Você acha mesmo que o titio vai querer ficar com uma suburbana feito você? Faça mil favor! — Não só vai, como ele se casou comigo.— rebato, a enfrentando. – Por enquanto, querida. Sou advogada e sei como invalidar esse casamento em dois tempos. Basta o titio querer, ou eu dizer que titio não está bem da cabeça — ameaça. – Eu te garanto, que Arthur não vai querer. A loira elegante cai na gargalhada e engulo aquela pílula, para que vá embora o mais rápido possível. — Pronto, satisfeita? — Boa sorte, Laura, você vai precisar.– sai, debochando da minha cara. Bato a porta, colocando a mão na cabeça. Começo a sentir a minha vista um pouco embaçada, e tudo girar ao meu redor. Vou até o sofá, tropeçando. Fecho os olhos e acabo apagando. Não sei o que havia naquele remédio. ************************************************* Quando eu acordo a minha cabeça está pesando. E a claridade do quarto e o meu corpo todo seminu( apenas de calcinha e sutiã) me faz cobrir-me. E eu não estou sozinha, há homem desconhecido ao meu lado, apenas de cueca. Fico confusa com tudo aquilo. — O que significa isso, Laura?— a voz rouca soa no fundo. Avisto Arthur, e ele encara a cena completamente decepcionado. — Tá vendo titio, ela já enfiou um macho em sua cama! Ao seu lado, está a sobrinha dele, que faz questão de me humilhar.
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