Foi você

964 Words
Pov's Laura. Nova York. Quarto. Me sinto tão exposta que me cubro com o lençol. E quando o olhar do Arthur carregado de decepção encontra com o meu, fico tão m*l. Encaro a sobrinha dele, a loira nem disfarça a felicidade que sente ao me vê daquele jeito — Foi você....— sussurro.— Foi você que armou tudo isso. Arthur entreolha para ela, querendo uma explicação. Porém, o foco muda quando: — Mozão, o velho chegou antes da hora. O desconhecido tenta me agarrar, encenando uma cena como se tivéssemos um caso. — Me solte, eu não te CONHEÇO!— o empurro, dando um sobressalto da cama. — Essa mulher é muito sonsa, titio! — Sonsa é você!— a xingo de volta.— Acredita em mim, senhor Arthur.— coloco-me em sua frente, e ele nem me encara.— Foi a sua sobrinha que armou tudo isso, eu não lembro como vim parar neste quarto. Choro. Enquanto as lágrimas descem, o mesmo permanece em silêncio, como se tivesse em choque. Após, apenas ele ergue a cabeça por um segundo e diz: — Quero que saía da minha casa, Laura. — O quê?— reajo. — Não ouviu o titio? Sai ordinária! Fico perplexa naquele momento. — Eu tô falando a verdade, Arthur.— insisto, mas o seu semblante continua relutante.— A sua sobrinha apareceu aqui me entregando uma pílula para eu tomar. Eu tomei e com certeza tinha uma coisa há mais no efeito do remédio, que me fez apagar. — O que você está insinuando, é muito grave Laura.— o tom dele sai ríspido e desacreditado. — Titio me conhece e sabe que eu jamais faria isso. — ela se defende. E a olho incrédula. — Como consegue ser tão mentirosa?!— a confronto. E em seguida, sinto vontade de puxá-la pelos cabelos, mas Arthur se põe no meio: — Você não vai bater na minha sobrinha na minha frente. — Tá vendo titio, como ela é uma selvagem. Recuo, dando alguns passos para trás. Meus olhos o mira, e vejo a frieza no semblante do mais velho. Daí percebo, que ele está contra mim. — Eu não pertenço a esse mundo, e nem essa gente.— pego meu vestido do chão e visto. Vou até o closet, onde coloquei as minhas roupas e começo a pôr na minha mochila. Os dois observam cada movimento que faço, me sinto tão diminuída por aquelas pessoas. Decido ir embora, não ficar mais nenhum instante naquele apartamento. Quando passo por Arthur, ele segura em meu braço e encaro o gesto, sentindo o toque gélido dos seus dedos suaves em contato com a minha pele. Me arrepio. — Em todos esses anos de solidão, eu achei que por um momento...— seus olhos se cruzam aos meus olhos.— Fosse real, mas pelo visto me enganei. Ele desmontra toda a decepção que está sentindo por mim, através desse olhar. — E sabe o que é pior, Arthur? É que eu me entreguei a você. E não foi pela sua grana, mas talvez por gratidão.— solto aquelas palavras, na tentativa de magoa-ló. Me retiro, me soltando. Saio devastada. Quando estou de fora do prédio, vejo ele dá sacada enquanto me vê ir, sem rumo. ******&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&& Algumas horas depois... As palavras dele ainda ecoam: "Quero que saia da minha casa, Laura" O pior não foi ser expulsa, foi o olhar. O olhar dele acreditando na sobrinha. Caminho, arrastando os pés na calçada suja. Os carros passam por mim como vultos indiferentes, até que um deles desacelera. É um carro preto e luxuoso. Desvio instintivamente o olhar e aperto o passo, mas logo o som da porta batendo me faz olhar por reflexo. Dois homens descem. — Senhorita Laura? — diz um deles, educado. — Quem são vocês? — recuo, assustada. — Fomos mandados pra cuidar de você — diz o outro, já me puxando pelo braço. — Me solta!— grito, mas um pano com cheiro forte cobre a minha boca. A consciência vai embora. ********************************************** A noite.. Acordo atordoada. A luz é vermelha, envolta em fumaça. O som grave de uma batida eletrônica vibra nas paredes. Estou deitada em um camarim, com maquiagem borrada e roupas que não reconheço: um vestido colado ao corpo, salto alto, pele marcada de arranhões leves como se alguém tivesse me trocado à força. A porta abre com um estalo. — Acordou, bela adormecida? — diz uma mulher de voz áspera, olhos pintados em excesso. — Está na hora de conhecer seu novo mundo. — Onde eu tô? — murmuro, tonta. — Bem-vinda à Valhalla Club! Aqui, toda modelo tem um preço — sorri, puxando meu braço. — E o seu vai ser alto, querida, por ter traído o chefe. — Eu não sou modelo! — tento resistir. — Me tira daqui! — Chefe que te enviou para cá. — fala, com desdém.— Disse que você era experiente, discreta, e que precisava de dinheiro. E olha só... O desespero me toma. A mulher me empurra para fora do camarim e sou jogada no corredor onde outras mulheres caminham de cabeça baixa, com roupas curtas e olhos vazios. A boate é um inferno disfarçado de paraíso. Neon nas paredes, cheiro de cigarro e perfume barato. Homens de terno nas cabines escuras e mulheres sendo leiloadas a olhares. Sou levada ao andar superior, onde tudo parece mais luxuoso e perigoso. — Esta é a carne nova — me apresenta a c******a a um homem corpulento. — Primeira noite dela. O cliente VIP quer vê-la no camarote 9. — Eu não vou! — grito, tentando fugir. Mas o t**a vem rápido e forte. — Você vai sim, e com um sorriso — sussurra em meu ouvido. — Senão, você morre.
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