Pov's Arthur.
ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA .
APARTAMENTO
09:30 AM
Desde que Laura foi embora, nunca mais ninguém pisou os pés neste apartamento.
Costumo seguir a vida, mas não paro de pensar nenhum dia naquela mulher. Não sei por onde ela anda, como está. Às vezes me sinto culpado por ter a tocado.
Um homem vivido como eu, jamais deveria ter tirado sua pureza. Ela deveria ter ficado com alguém mais novo, que a amasse.
A campainha toca e sobressaio dos vagos devaneios. Levanto do sofá, largando o livro que me encontro lendo.
Puxo a maçaneta da porta, abrindo-a.
— O que significa isso?— direciono o olhar.— Onde roubou essa criança, Dominic?
— Que isso, titio! Não roubei baby nenhum.
O dou espaço para adentrar. E fico cismado, ao vê-lo andando de ponta de pé pela sala.
— Esse lugar é tão solitário, titio.— o mesmo começa a dizer, e me incômodo.
— Estou ótimo sozinho.
— O apê precisa de mais cores.— rebola o corpo, ao sinalizar.— Inclusive está precisando da presença de um bebê.
Arregalo os olhos, ouvindo aquilo como uma ofensa.
— Está zoando com a minha cara, Dominic?— elevo o tom alto, e o vejo encolher os ombros.
— Não titio, imagina.. Jamais quero ofendê-lo.— enfatiza, mas capto em seu tom um certo sarcasmo.— É por isso que eu trouxe Noah. Ele é um bebezinho muito calmo, chora pouquíssimo, e nem dar trabalho.
Me estende e me recuso a segurar. Viro o rosto.
— Vai direto ao ponto, Dominic.— o confronto, perdendo a paciência.
— Não precisa ser grosseiro, titio. Você não trata Scarllet com essa ignorância, talvez isso seja preconceito com a minha pessoa.— o próprio insinua, enquanto se remexe todo, demonstrando seu lado afeminado.
—Você vai casar com outro homem.
— E qual é o problema, titio?
— Na minha época não tinha essas frescuras.
— Frescura não! Sexualidade.— me corrige, e respiro fundo.
— Meu irmão sentiria vergonha se fosse vivo. — comento.
— Mas papy não está.— meu sobrinho continua falante, sem se atingir.— Você precisa conhecer Justin, ele é um homem maravilhoso.
— Me poupe dos detalhes, Dominic.
— Scarllet veio com uma conversa que o senhor quer me deserdar, é verdade?
— Estou pensando seriamente nessa possibilidade.
— Senhor deveria fazer isso com aquela entojada da minha irmã, o senhor nem imagina o que ela apronta.
— O que ela apronta, Dominic?— pergunto, e ele para de falar.
— Não sei. — diz.— É modo de dizer, titio, aquela bruxa quer mandar em tudo na agência, não me dá espaço nem pra escolher as modelos— reclama e continuo desconfiado.
— Sua irmã tem um temperamento forte, puxou Helena.— cito.— Sua mãe é assim.
— Falando na mamãe, nunca mais a vi. Continua morando na Inglaterra. Uma vez ela me mandou uma mensagem e disse que sou um câncer, e que ela prefere não ver.
Avisto a tristeza na fisionomia do meu sobrinho, e me aproximo.
— Deve ser duro ouvir isso.— toco em seu ombro, o confortando.
— Não vou parar de ser gay, só porque as pessoas querem. Mas enfim, titio: você não gostou do baby?— amostra, e visualizo a inocência no rosto frágil à minha vista.
— É muito bonito.— admiro.— De quem é esse bebê?
— Será do senhor.
— Está louco, Dominic?— mudo a postura — Não vou adotar nenhuma criança, já não tenho idade pra isso.
— Você diz que ele é o seu neto, titio.
— Piorou.— ando pra outro canto.— Eu e sua tia nunca quisemos filhos.
— Dizem as más línguas que a titia era estéril.— olho para ele, com raiva.
— São invenções das más línguas.
— Nunca é tarde pra ser papai, titio.— exibe um sorrisinho.— Esse bebê pode te dar uma chance pra ver a vida de outra maneira. Até poder amar alguém, já que o senhor frio com uma pedra.— o fuzilo com olhar.— Tô brincando, titio.
— Não vou adotar essa criança, Dominic.— repito, duramente.— Não insista.
No mesmo momento, o bebezinho começa a chorar e meu sobrinho solta uns gritinhos de desespero, como se não tivesse a menor experiência.
Acabo me prestando no papel de segurar a criancinha nos braços. Quando enxergo aqueles olhinhos acesos e chorosos, amoleço.
Bate uma sensação tão estranha....

O olharzinho desse bebê, é tão familiar, que me lembra alguém.
— Que são os pais desse bebê, Dominic?— interrogo.
— Não tem titio. A mãe do Noah, morreu no parto.
— Ele já tem um nome?— fico mexido.
— Pode trocar se quiser, titio, chama ele de Arthurzinho pra combinar com o seu— lhe miro sério.— Brincadeira! E aí, vai adotar o baby?
— Não tenho mais idade, já tenho 70 anos.
— Contrata babás. Inclusive titio, posso sugerir uma ama de leite. Uma das minhas modelos, ela acabou de ter um filho também, mas a pobrezinha perdeu, tá devastada.— o olho de canto de canto — Se o senhor quiser, posso trazê-la aqui.
— Traga essa mulher.— mando.— Eu vou adotar esse menino.
***************************************************