Pov's Laura.
O carro preto está estacionado de frente ao prédio do Arthur, observo o andar que fica localizado; as luzes estão acesas, meu coração fica balançado.
— Vá buscar o meu filho.— meu tom sai seco, sem emoção.— Anda, estou mandando.
A mulher sentada ao banco bagageiro, logo rebate:
— Titio nunca permitiria eu trazer o pirralho, ele é completamente apegado ao meu menino.
— Pirralho, não!— eu aperto o seu braço.— Respeita o meu filho.— cruzo um olhar ameaçador.
— Ainda têm os capangas do russo.— ela aponta, para o outro veículo atrás que está nos seguindo.— É impossível.
— f**a-se o russo! f**a-se você! Quero ver Noah, e eu não vou sair daqui até ver o meu filho.
Destravo a porta, prestes a sair.
— Espere.— a loira me interrompe.— O chefe mandou eu lhe vigiar, se ele souber que você veio até aqui sem autorização dele, ele mata você e a mim.
— Tá com medo de morrer, Scarllet?— abro um sorriso irônico. E a própria bufa de raiva.
— Eu não irei ferrar meus negócios, por conta de uma desqualificada.
— Seus negócios sujos né.— a puxo pelo braço de novo.— Presta atenção: eu possuo muito poder do que você agora, e se eu quiser... eu acabo com essa farsa em dois tempos!
A chantegio, vendo-a diminuir a pose de arrogância. E nas minhas palavras, a convenço:
— Tudo bem, irei subir.— Scarllet informa.— Mas irei trazer titio até aqui, a escolha será dele, se irá te permitir ver a criança.
Ela desce do veículo, indo até o condomínio. Fico aguardando, ansiosa, com aquele frio no estômago.
Meus olhos se direcionam para retrovisor, onde se pode enxergar os capangas de Dmitry continuam no outro veículo, disfarçados de seguranças.
Assim que Scarllet retorna, ela não aparece sozinha e avisto por meio da janela, Arthur. E por um segundo, revê-lo, traz um sentimento guardado.
A sobrinha dele abre a porta, fazendo todo aquele encontro acontecer. Ela vai até os seguranças atrás, tentando distrair aqueles homens.
Então ele se senta no banco bagageiro, do meu lado, sem de fato perceber no primeiro momento que seja eu.
Quando seus olhos cansados miram até o meu barrigão, consigo reparar na profundeza daquele olhar dúvida e confusão.
— Oi, senhor Arthur.— o cumprimento quase inaudível, fazendo-o olhar pro meu rosto surpreso.
Ele engole em seco, rapidamente enxergando o meu barrigão enorme.
Num simples ato, o mesmo procura sair do veículo, e eu o seguro:
— Não vai embora, por favor! — lhe imploro, e por um segundo trocamos olhares.
Arthur se solta do meu contato, e suspira bem fundo antes, como se a minha presença lhe deixasse bastante incomodado.
— Onde estava?— seu tom sai seco.
— É uma longa história, mas eu não posso contar tudo agora.— digo, observando através do vidro a sobrinha dele com os outros, logo no automóvel atrás.
— Você está diferente, dona Laura.— ele comenta, reparando na minha aparência, no vestido que uso.— O que aconteceu?
— Muita coisa mudou, senhor Arthur. Eu não mais aquela pessoa boba do interior, eu tive que sobreviver nesses últimos meses.
— Entendo bem a sua sobrevivência.— seu tom distante, lhe faz guiar o olhar de novo pra minha barriga. — Acho melhor eu ir embora.
— Não!— novamente o impeço.— Não é como eu pensa.
Dessa vez, Arthur consegue me encarar e consigo perceber o seu desconfortável.
— Você não precisa me dá explicação sobre sua vida, dona Laura.
— Me chama só de Laura.
— Preciso voltar.
— Eu quero ver Noah.— faço o pedido, e trava, olhando para trás.— Eu tenho esse direito. — solto, e constato em câmera lenta...
— Que direito?— me questiona.— Tú perdeu esse direito, a partir do momento que abandonou o menino com o meu sobrinho.
Fico com o meu coração arrasado quando escuto aquilo. Quando estou prestes a me defender, o barulho começa a tocar e visualizo na tela: Dmitry.
O nervosismo me toma.
— Atende o seu namorado.— Arthur manda.— Não há problema.
Respiro pesadamente, e me obrigo atender na frente dele.
" Oi"
" Você chegou bem, honey? Estou sentindo sua voz um pouco distante"
" Melhor impossível " fito o rosto do Arthur, enquanto falo." Só me sinto um pouco cansada, e preciso dormir" minto, tocando voluntariamente em minha barriga." Tenho que desligar agora, tchau"
" Não vai me mandar beijos?"
" Beijos".
Os olhos azuis à minha frente, se afeta.
Desligo a ligação, voltando a encará-lo.
— Quantos anos esse cara têm?— Arthur interroga.— A sua idade? Ou menos?
— Não importa.
— É, não importa.— o próprio repete, chateado.— Eu não deveria ter vindo.
— Espera.— o seguro.— Você e o Noah foram as coisas mais reais que já me aconteceram na vida — minha declaração, o faz ficar em silêncio.— Eu gostei de verdade de ti, a diferença de idade nunca foi um problema.
Seus olhos claros cruzam-se aos meus. E por um só impulso, seu braço me puxa, colando os nossos lábios, num toque súbito.
Ficamos travados, olhos abertos e arregalados, tentando assimilar o impacto daquele ato tão inesperado.
Aos poucos, o choque se desfaz, e fechamos os olhos lentamente, entregando-nos ao beijo que ganha ritmo. Nossos lábios se movem, hesitantes e urgentes ao mesmo tempo, pela falta de experiência.
Continuamos nos beijando, sem se importar com nada. Arthur foi o meu primeiro e único homem, e poder sentir o seu beijo de novo, faz o meu coração bater mais forte.