— Para Victor! — se eu pudesse, teria lascado um tapa nele pela audácia de dizer que possivelmente estaria apaixonada pelo Meritíssimo Dalamon Costta.
Só de lembrar do que ele me disse, as minhas bochechas traidoras queimaram novamente.
— Aí ó! Não disse? Está um pimentão de fofa. — ele diz e sem que eu perceba, Victor retira o celular do bolso e sem permissão captura uma foto minha sentada de pernas cruzadas e segurando o livro dele abraçando o contra meu peito.
— Legenda: Pensando em você. — a primeira reação foi ficar congelada. A segunda o coração, parecia as baterias de um desfile nacional.
— Está fofa que nem uma Smurf. Só lhe falta ser azul. — para piorar, estava com um vestido rosa que marcava a minha cintura e o resto se mantém solto até o meio das minhas coxas.
Não entendia como eles ainda não conseguiram um uniforme do meu tamanho, já que eu tenho 1,73 de altura, seria pouca coisa se comparado a Victor. E também, fui obrigada a usar a mesma roupa desde o dia que cheguei e já estava incomodando ficar dessa forma. Victor olhava-me de um jeito travesso, sorria como se estivesse aprontando algo.
— Victor, dá-me esse celular vai! Não tem graça, eu sei que você irá postar. — levanto correndo, não rápido o suficiente para conseguir agarrá-lo.
Fico ali debruçada sobre as grades de ferro enquanto ele sorria contente.
— Vejamos aqui... Constantino, Coral... Ah sim, Costta! Não! Essa Giselle da vaca louca não vai fazer isso comigo!!!
— Vi- c- tor! Apaga essa merda! — grito sem paciência e posso jurar de dedos cruzados que ele ainda tirou outra foto rindo da minha cara de brava.
— Já mandei as duas, gatinha. Ah! olha! Ele visualizou!! — Victor diz eufórico enquanto eu estou aqui quase sem cabelos por causa dessa galinha que vou depenar inteira.
— Huuuuuummm! Ele mandou uma mensagem... “Perfeita”, foi o que ele disse. — fiquei mais roxa do que a camisa de Victor, que estava pulando como uma gazela.
— Victor! Abre essa merda que eu quero te matar!!! — ele pula para trás assustado e rindo muito.
— Por que está brava, meu amor? — Victor finge demência e coloca a mão sobre o peito de forma exagerada. Sentei-me novamente abaixando a cabeça.
— Por que eu sou a merda de uma assassina Victor? — desabafo tudo de uma vez, estava sendo difícil guardar só para mim, talvez se alguém souber da verdade, eu posso ter uma hipótese de estar longe daqui.
— Você acredita mesmo que ele vai querer algo comigo? Eu praticamente matei o pai dele, como também sou culpada por mais de dez quilos de cocaína ter sido escondida na minha casa.
— Fala baixo garota! — Victor sussurra de um jeito cúmplice que me fez estranhar o seu comportamento.
— O quê? Mas por quê? Não é a verdade? Estou sendo culpada por quê? Pelo que sei, não fiz nada dessas coisas. — cruzando os braços sobre os meus s***s, encaro os restos de alumínios da marmita que ele me havia trazido para o almoço.
Pensei em todos os momentos de angústia que passei antes de estar aqui, dos meus pais terem sumido sem se importarem ... O que fiz para merecer tudo isso?
— Ei, vai ficar tudo bem. — senti mãos segurarem-me firme e notei que a cela estava só encostada. Chorei nos braços do meu amigo, tentando aliviar o que sentia.
— Tem sorvete com você? — reclamei fazendo bico.
— Não, mas...
— Quer saber, tenho uma ideia! Quero você com um belo sorriso aí e que seja bem sensual que vamos pirar com a cabecinha do senhor Costta. — sorri involuntariamente como sempre e balancei a cabeça concordando.
Talvez eu precise-me relaxar um pouco, já que nunca mais poderei sair daqui fazer algo para ocupar a mente, seja uma boa opção.
Fiz o que ele disse. Comecei com poses comuns, como sentada olhando fixamente para a câmera cruzando as pernas. Outras posições, como agachada levantando os cabelos com as mãos e sempre olhando para a câmera. Assim que cansei, fui deitar na cama ao lado do livro que estava lendo ante de Victor aparecer.
— Ele está louquinho!! — cantarolou feliz, soltei um riso nasal e continuei olhando para o teto pintado da cor bege. Victor já havia mandado as fotos e eu já estava quase pegando no sono quando ele puxa conversa novamente.
— Diz-me, essa princesa já teve um belo castelo? — olhei-o pensativa. Eu posso falar sobre isso certo?
— Ah, não. Os meus pais eram consideravelmente bem de vida, mas isso não os impediu de deixar-me aos 13 anos sozinha.
— Desde então a minha vida passou a depender de vizinhos que sentiam pena de mim, até que consegui o meu primeiro emprego e hoje estou aqui... — senti-me aliviada, pois não precisei continuar, Victor estava com os olhos marejados.
— Se pudesse, eu dava um tapa na cara deles, mas como não posso... Quer que lhe adote pulguinha? — revirei os olhos por mais um dos seus apelidos implicar com a minha altura.
— Eu quero dormir um pouco, se não se importar. — digo pegando o livro que estava do meu lado e o posicionei sobre os meus s***s.
Victor concorda, mas não me deixa sozinha. Os meus olhos vão ficando pesados até que os fecho de uma vez e antes da minha consciência sumir sinto um beijo sobre os meus cabelos e depois ouço passos saindo da minha cela e depois da porta se fechando.