—Preciso ir pra casa dormir. Tenho uma entrevista de emprego as 13:00 horas.
Falo após bocejar, ao olhar a hora no celular e constatar que ja passa das cinco da manha. Estamos deitados, após o banho que tomamos juntos e o sono já está me castigando.
—Fica! Dorme aqui e depois te levo. —pede me apertando em seus braços.
Ainda não sei o que pensar sobre o que aconteceu, mas viramos a noite um nos braços do outro. Ele foi carinhoso quando precisou e mais bruto quando pode. Sempre disposto me satisfazer com muito prazer.
Nunca passei por nada parecido, ja que com o Marcelo era sempre do jeito dele e isso me deixa confusa.
—Prefiro ir embora, desculpe!
Falo ja me levantando, apenas de lingerie, indo vestir minhas roupas. Não sei qual o real interesse dele em mim, acho melhor manter uma certa distancia e não me arrepender depois, chorando pelos cantos.
—Tudo bem! Posso te ligar em outra hora? — pergunta, mas parece que não gostou que eu vá embora.
Será?
—Pode sim, claro! —falo indo até ele e o dando um selinho. —Gostei muito das nossas brincadeiras.
Beijo sua boca, aproveitando cada momento e relembrando o que vivemos a minutos atrás. Suas mãos percorrendo meu corpo e sua boca se deliciando com a minha. Minhas mãos pousam em seu peito, o sentindo subindo e descendo e as suas me puxam para colar nele.
Meus cabelos são puxados para trás, dando mais espaço para sua boca e assim conduz o beijo.
Maravilhoso!
O interrompo com direito a selinhos em seus lábios macios e sigo para o banheiro. Preciso me recompor desse gosto, ja que em seus braços acabo me perdendo de tão bom.
—Já chamei um taxi pra você. — avisa quando me vê saindo do banheiro pronta para ir embora.
Fico me perguntando quantas mulheres devem ter saído desse banheiro após uma transa com ele, mas a verdade é que essa resposta não é da minha conta e devo esquecer isso, levando em conta que ele assumiu ser um galinha.
—Obrigada! —respondo pegando minha bolsa.
Sinto meu corpo ser puxado, inesperadamente e prensado na parede e eu solto um gritinho de susto, mas logo ele vem acompanhado de uma gargalhada.
—Estou amando essa gargalhada! —confessa olhando em meus olhos.
—Cuidado que essa palavra é forte. Amor! —brinco o alertando e ele sorrir.
—Podemos repetir essa noite? —indaga e é a minha vez de sorrir.
—Quem sabe?!
—Tenha um bom dia, senhor Victorio Thompson! Foi um prazer passar a noite com você! —digo sorrindo e viro seu rosto para um beijinho de despedida em sua bochecha, mas ele n**a o beijo.
—Se quiser se despedir, faça bem feito. —ele fala sorrindo, insinuando que quer um beijo de língua.
—Voce é um s****o!
Falo sorrindo e passando meu dedo em seus lábios em apreciação. Ele fecha os olhos curtindo o momento e é a coisa mais sexy que ja vi. Meus dedos acariciam o avermelhado lábio inferior e automaticamente umedeço os meus.
—Meu taxi ja deve ter chegado. —falo tentando escapar dele e agora estamos um olhando nos olhos do outro.
—Se despede direito para poder ir. —diz passando a lingua em meus lábios e eu fecho meus olhos.
Me rendo a suas investidas e o beijo, mas dessa vez com um gostinho de despedida. Confesso que queria ficar e repetir tudo o que fizemos essa noite.
—Voce é uma delicia!
—Posso dizer o mesmo. -rebato e ele sorrir se afastando.
Caminhamos e por incrível que pareça, de mãos dadas até o táxi e isso me fez sentir algo que não sei bem o que é.
—Adeus! —digo ao entrar no carro e olhar para ele sem camisa, com as mãos guardadas dentro dos bolsos.
—Até logo! —fala e o taxista sai com o carro.
Passo o endereço ao motorista do carrinho amarelo e meus pensamentos começam a fervilhar. Por que eu me sinto tão bem com ele, tão a vontade?
Como eu ja tinha dito, não sou nada puritana, apenas cautelosa. Estou sozinha a 7 meses e querendo ou não, isso traz uma certa carência e meu medo de me apaixonar, logo por uma pessoa como o Victorio, é grande.
Ele é lindo e gentil. E um homem assim, com tantas qualidades, deve viver rodeado de mulheres linda e oferecidas. Não que eu seja menos que essas mulheres, pois não sou, eu me garanto. Sou morena clara, cabelos longos e cuido muito bem do meu corpo, mas o problema é que quando se tem muitas opções, como imagino que ele tenha, fica dificil se decidir com qual deve ficar.
Quer saber? Se ele tiver interesse em mim, vai me procurar e se isso acontecer, vou por as cartas na mesa. E f**a-se, se o conheço a apenas um dia. Prefiro falar a verdade e espantar-lo, do que investir numa pessoa que quer apenas brincar comigo.
—Cheguei! —falo ao entrar em casa e dar de cara com meu pai, sentado na cozinha, tomando seu café.
—Você está bem, filha?
Ele sempre foi assim, mesmo sabendo que eu tinha tido r************l, nunca entrava no assunto e essa foi a pergunta após eu chegar da casa do Marcelo quando transamos a primeira vez. É a forma dele me avisar que ele sabe o que eu fiz e eu não preciso esconder nada dele. Fofo, não?
—Estou sim, pai. —respondo o beijando no rosto.
—Ele é grande, Neném? quantos centímetros? —minha mãe pergunta entrando na cozinha, doida pra saber os detalhes.
—Vou pegar minha coisas e ja volto, Toninha. —meu pai foge evitando ouvir nossa conversa de s**o.
—Você é f**a, mãe! —falo rindo com a falta de discrição dela.
—Me conta logo e para de show. —ordena me fazendo ri ainda mais.
—Ele é muito carinhoso e me tratou muito bem. E sim, ele é bem grande, mas não vem ao caso, né?! —falo apenas pra ver a reação dela sobre o "não vem ao caso".
—O QUÊ? Como assim "não vem ao caso"? ficou louca? —ela faz as perguntas, com os olhos tao arregalados, que me fazem explodir numa alta e sonora gargalhada.
—A noite vou querer saber de tudo, heim. —diz e não duvidem que isso é verdade.
Alguem mais tem uma mãe doida igual a mim? Meus pêsames e parabéns!
—Até mais tarde, Neni. Quando saí da entrevista, me liga. -meu pai fala me dando um beijo na testa.
—Vou torcer por você, Neném.
Depois dos meus pais se despedirem seguem para o trabalho, rumo a empresa. Entro no meu quarto e tiro minhas roupas, as substituindo por uma camisola confortável que ganhei no meu aniversário. Deito na cama, após fechar as cortinas e fico revivendo em minhas lembranças tudo o que vivi essa noite e acabo pegando no sono, sendo vencida pelo cansaço.
Acordo com o barulho do despertador, que programei no celular e já levanto para um bom e relaxante banho, afinal, preciso está com uma aparência descente. Ja cheirosinha, visto vestido com estampa monocromático até os joelhos com mangas três quartos. Penteio meus cabelos e faço uma make básica, porem bem feita. Calço sandálias alta, coloco uns acessoerios e estou pronta.
Descendo as escadas, ouço meu celular tocar dentro da minha bolsa e como sei que é minha mãe, ja o tiro atendendo.
—Já acordei e estou saindo, mãe. —a tranquilizo abrindo a porta de casa e indo para a garagem.
Hoje vou com um dos carros do meu pai, que já tínhamos conversado antes e se dependesse dele, eu não andava de taxi nunca mais. Meu pai é um colecionador fanático e só tem carros f**a e imagina se eu bato? Uuii!
—Boa tarde! —ouço a rouca voz tão gostosa em meus ouvidos e "freio" bruscamente.
—Oi! —respondo surpresa, pois não achei que ele ligaria tão rápido.
—Surpresa?
—Um pouco! Não achei que você falava sério sobre me ligar.
— Não costumo mentir. — fala mostrando seu interesse em mim e estou gostando mais ainda desse homem.
—Liguei pra te desejar boa sorte na entrevista.
Diz e tem como não se derreter por ele? É incrível o poder que ele tem sobre mim. Minhas mãos estão trêmulas e meu corpo está agitado. Como um clique, um gatilho, sua voz fala e meu corpo se altera.
—Obrigada! Acordou agora? -pergunto pois viramos a noite acordados com muita atividade física.
—infelizmente, não! Depois que você saiu, fui me arrumar para o trabalho. —confessa e o remorso me bate.
—Nossa!
—Não se preocupe, minha noite valeu cada minuto acordado. — diz e eu sorrio.
—Passa aqui no hospital quando acabar a entrevista? — faz o convite e eu não sei o que responder, apesar de querer muito.
—Você precisa dormir. —respondo tentando fugir da proposta.
— Vai passar aqui? Preciso sentir seu perfume. —ele torna a perguntar esclarecendo sua vontade.
Meu Deus!
—Acho que vou, mas não garanto nada. —falo entrando num dos carros do meu pai com um sorriso bobo na boca.
—Vou esperar! Boa entrevista e um belo beijo de despedida.
Respiro fundo, sentindo meu ventre revirar, ao imaginar seu beijo em mim. O que esse homem está fazendo comigo?
—Beijo! —respondo e desligo a ligação precisando controlar minha respiração.
Ligo o carro e como não sou boba nem nada, escolhi um porsche branco, conversível. Eu evito enfiar o pé na jaca, mas quando enfio eu até abro os dedos, para se lambuzar de vez.
Ligo o som e cantando Beyonce, vou aproveitando o caminho rumo a entrevista, que fica na cidade vizinha. Mesma cidade que está localizada a empresa do meu pai, o hospital e meu apartamento. Resumindo: É o centro de tudo que é comercio e vida agitada. Meus pais preferem fazer essa "viagem" diária, a morar numa cidade mais turbulenta.
Vai entender...
Chego em frente ao prédio da empresa que vou fazer a entrevista e ja sigo para o estacionamento. Pego minha bolsa e caminho para o andar indicado no email que recebi. Faço a apresentação adequada a uma moça bem novinha de cabelos cacheados e agora é só esperar pela minha hora.
—Hanna Carter Reynolds! —uma moça fala e meu coração dá um salto.
—É agora! —falo para mim mesma, me levantando para a tão aguardada entrevista.
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Na vida real, o que vcs achariam se o homem prometesse ligar e realmente ligasse no outro dia? Desespero dele ou iriam achar muito bom?
Beijos!