Consulta médica

1379 Words
ALGUNS DIAS DEPOIS... Melanie Petrov. Viktor estava tão atencioso comigo, desde do anúncio da gravidez, meu marido havia parado de implicar comigo e fazia tudo que eu queria. Ultimamente eu andava muito enjoada, e m*l saía da cama. Um médico de Moscow havia vindo para me examinar. Era o médico de confiança da família dos PETROV'S. O hospital não era melhor lugar para irmos, visto que chamaria muito atenção. E Viktor não queria que eu o fosse examinada por nenhum outro médico, a não ser pelo o doutor Valentin. O aparelinho era colocado em minha barriga. Estávamos ansiosos para ouvir coraçãozinho do bebê pela primeira vez. Meu marido segurava em minha mão, e nossos olhos brilhavam de empolgação. – Dr. Valentin, a Melanie é paraplégica. Quais são as chances dos riscos? — Existem inúmeros riscos, toda grávida requer sérios cuidados — o médico de meia idade falou. — Mas vamos checar primeiro. Ele ligou o aparelho da ultrassom e começou a rodar pela minha barriga. — E aí, doutor, como está o baby?— Viktor perguntou, ansioso. O homem de cabelo grisalho, entreolhou para meu marido sério e disse: – Não há nenhum bebê. — Como assim não há nenhum bebê?— meu tom saiu injuriado.— Não é possível! — Fique quieta, Melanie.— Viktor cochichou, me repreendendo.— Deixa o doutor explicar. Seu olhar mudou repentinamente, ficando mais frio. E sua mão soltou a minha, assim que escutou saindo da boca do russo que havia vindo aos EUA: — Gravidez psicológica, é o que a sua esposa tem.—o medico afirmou. Arregalei os olhos, encarando perplexa a cara do mais velho, que dizia aquilo naturalmente. — Não, eu tô grávida de verdade.— me defendi.— Eu sinto todos os sintomas. Eu tô enjoada, sinto m*l estar, os meus s***s estão crescendo. — Cale a m***a da boca, Melanie!— Viktor gritou, bravo.— Pare de inventar. — Você não acredita em mim? Entreolhei com os olhos lacrimejados, desesperada, pra sua fisionomia. – Eu confio na palavra do doutor Valentin, ele é um médico de confiança.— a afirmação que saiu da boca do Viktor, me deixou ainda mais arrasada. As lágrimas começaram a descer. — Esse homem tá mentindo!— acusei.— Tá na cara que é armação. — Você está me chamando de mentiroso, jovem? Não tenho precisão de mentir. — Ele foi pago pela sua mãe, Viktor. — falei.— Ekatarina nunca ia aceitar ter um neto americano. — Você engana, mente e ainda quer culpar a minha família, Melanie.— o olhar que percorreu do semblante do chefe da Máfia, era carregado de decepção.— Eu achei que pudéssemos nos reconciliar e superar as diferenças, mas pelo visto me enganei. Você brincou comigo! Me fez de chacota! Me fez acreditar que teríamos um bebê. — E vamos ter, Viktor, há um bebezinho na minha barriga— assegurei, aos prantos.— Estou grávida. — Não repita mais isso!— ele berrou, altamente alterado.— Você vai levantar dessa cama agora, e irá embora. —seu tom hostil mandou, e o encarei incrédula. — O quê? —Não quero continuar com uma mulher mentirosa ao meu lado, que não é digna da minha confiança. — suas palavras me atingiram em cheio. — Pra onde eu vou, Viktor? — Se vira! –ele gritou.— Mais aqui, você não fica. ■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■ Alguns minutos depois... Desci de elevador, arrasada, empurrando cadeira de rodas, nem os seguranças estavam me ajudando. Todos ignoravam a minha condição. Irina e Giulia estavam posicionadas, assim como os seus maridos. A minha mala estava na saída da porta, exposta. Viktor não estava no salão, ele olhava lá de cima. O mirei por alguns segundos, com os olhos cheio de lágrimas, fazendo-o virar o rosto e me ignorar. Fui saindo cabisbaixa, e somente Giulia veio até mim: — Se cuida, e se precisar ficar hospedada em algum hotel, tome isso— ela me entregou, sem que ninguém visse um cartão. E me abraçou. — Eu tô grávida de verdade.— sussurrei, para italiana, que era a única que parecia simpatizar comigo.— O que essas pessoas estão fazendo comigo é uma injustiça. — Viktor está de cabeça quente, mas ele vai atrás de você depois.— ela garantiu. — Eu não quero mais ele!— declarei em voz alto, com raiva.— Tô exausta de tanta humilhação. Que ele vá procurar outras vagabundas. Sai após, chorando, e puxando a cadeira de rodas. Fui atravessar avenida e todos ficaram do lado de fora olhando, rindo e fazendo piada. Todos aqueles rostos eu guardaria. Eu iria me vingar de cada um, menos da Giulia, que era única que estava séria no meio daqueles lixos. Estava chovendo muito e me molhava no meio da chuva. Os demais entraram para boate e eu fiquei sozinha, do lado de fora. Fiquei acenando para cada táxi que passava, mas nenhum parava para mim. A maioria ignorava ou não me via. Até que um dos motoristas teve compaixão e desceu para me ajudar a entrar. Lhe dei o endereço, fazia um bom tempo que não ia naquele lugar. Desde de quando eu havia me mudado para Moscow. ■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■■ LAS Vegas, 13:00 PM. O bar continuava do mesmo jeito. Entrei receosa, e a cafetona estava de costas. Ela organizava as bebidas. — Um bom filho, a casa retorna. A frase que saiu da sua boca, me fez travar de imediato. Era como se sentisse pelo cheiro do meu perfume, a minha presença. — Oi, mãe. — a cumprimentei. Ela finalmente me olhou, me vendo naquela cadeira de rodas. Seus olhos se arregalaram. — O que os malditos russos fizeram com você, Melanie? Ah meu Deus! — Será que tem trabalho para mim? Faço qualquer coisa e volto pro antigo serviço. Comecei a chorar em sua frente, sendo confortada pela mulher que havia me colocado nesse mundo do crime. Foi através da minha mãe que me tornei stripper e conheci o Viktor. Eu me arrependia até hoje, de ter me envolvido com ele. Nosso relacionamento era para ter sido apenas troca de sexos. E não algo mais profundo. — Os clientes não vão te querer nesse estado Melanie — ouvi.— Mas eu posso arrumar outro trabalho. Quer voltar a ser mula do tráfico? Balancei a cabeça que sim. – Tem um problema, mãe. –Que problema? — Tô grávida.— pus a mão em cima da minha barriga. — Vende o pirralho.— a olhei chocada.— Ou dar para adoção. — Tá louca, cafetona? — Me trata direito, Melanie, não vem com seus desaforos para cima de mim.— logo ela se estressou.— Tô tentando te ajudar, caramba. Por que não tira o bebê? — Eu não vou abortar o meu bebê, eu não sou como a senhora— joguei em sua cara. — Eu deveria ter abortado você também.— escutei, e naquele mesmo segundo sai do bar. Eu não tinha uma boa relação com a minha mãe e nunca teria. Ela era uma pessoa extremamente tóxica. Não tinha onde ficar. Olhei pro cartão de crédito que Giulia havia me emprestado, talvez serviria para eu encontrar algum lugar. Avistei um carro preto de longe e o veículo começou a me seguir. Eu estava com arma pequena que escondia na minha coxa. Procurei puxar, no exato momento que o veículo parou próximo a mim. Duas pessoas saíram. O homem e a mulher ergueram seus distintivos e disseram: — Somos agentes da DEA, nos acompanhe. Não sabia se seria presa ou levada apenas para ser interrogada. Mas eu estava disposta a contar sobre a Máfia e entregar a cabeça do Viktor numa bandeja, para polícia americana. Aquele infeliz ia pagar caro, por cada lágrima que me fez derramar.
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