Ela os observou conversarem na cozinha, se sentou na mesa próxima ao balcão, onde via seu pai flambar cogumelos enquanto Alex bebia cerveja preta em um copo de shop.
— Eu não tenho palavras para te agradecer, Alex! Novamente salvando minha vida.
— O acidente poderia ter sido sério!
— Por deus! Mas não foi! Ela está bem, não é Dulce?
— A medida do possível, pai.
Já eram quase nove horas, Alex olhava o tempo todo para o relógio, estava incomodado com algo. De vez em quando, olhava para Dulce, a garota refletia sobre que tipo de coisas se passavam pela cabeça do escritor.
O clima de ódio e discórdia havia simplesmente desaparecido entre ambos.
— Pode ficar para o jantar, Alex... eu faço questão que fique, é o mínimo que faço para agradecer...
— Não posso, hoje não, infelizmente.
Ela sabia que naquele dia Alex iria lutar.
...
Esperou que seu pai dormisse, pensou que deveria sair aquela noite. Deveria voltar ao píer, deveria ver o que seria daquela noite para aquele velho escritor falido. A noite era de lua cheia, porem ela estava escondida atrás das densas nuvens de chuva.
Levantou-se na ponta dos pés. Foi até o quarto de seu pai, tinha receio de encontra-lo acordado, sabia que ele se preocupava, mesmo da maneira dele.
Carlos não era a pessoa mais aberta do mundo. Fazia o que podia, não se intrometia quando sentia que incomodava, até mesmo com sua filha. A verdade, o que todos falavam no bairro sobre Carlos era verdade. Nunca teve preferenciais por mulheres, e Dulce tinha sido um acidente no qual ele tentava concertar.
Era um jovem, tentando se provar homem. Mas depois de velho, percebeu que para ser homem não havia necessidade nenhuma de se provar.
Carlos não estava no quarto. Ela desceu as escadas, segurando os sapatos nas mãos, tremendo para que não fizesse barulho. Para sua surpresa, ouvia vindo da sala duas vozes. Se sentou nos últimos degraus da escada, tentando ouvir o que conversavam.
— Deveria contar a ela, Carlos. — Disse uma voz desconhecida.
Dulce deu uma olhada por cima do corrimão de madeira. Viu na sala de sua casa seu pai sentado no sofá com outro homem, ambos tomavam vinho, apenas a luz do abajur estava acesa, os dois se olhavam, e Carlos repousava uma das mãos no joelho do desconhecido.
— Ela não estado no melhor momento esses dias... tem estado com os nervos à flor da pele.
— Acha que isso seria demais para ela? A menina tem 21 anos! Não pensa como o resto de sua família.
— Eu só não sei se é o melhor momento na vida dela para descobrir que o pai tem um relacionamento a anos com outro cara! Veja bem, eu estava com você hoje! Minha filha sofreu um acidente hoje, enquanto eu estava transando com você!
Dulce levou as mãos a boca. Quantas coisas seu pai escondia dela? Com raiva, terminou de descer a escada e saiu de casa, batendo a porta com toda força do mundo. Ouviu seu pai chamar seu nome, sabia que ele iria atrás dela na rua, mas mesmo assim continuou a caminhar sem olhar para trás.
Não teve tempo de ligar para nenhum dos seus amigos. Mesmo assim andou pelo bairro até a casa deles, sem aviar que chegaria. Deveriam ser quase onze horas, já estava frio, uma fina garoa começava a cair em seus cabelos. Estava desgostosa da vida, pelo menos durante aquele momento.
Quando chegou bateu na porta o mais forte que podia. July abriu, para a surpresa de Dulce ela estava com roupa de sair.
— Dul? Que diabos...
— Onde está seu irmão?
— No banho.
Ela segurava as lagrimas nos olhos, mas decidiu deixá-las cair. Falou para July tudo que estava engasgado, disse como se sentia em relação ao seu pai. Como estava decepcionada e cansada de tantas mentiras.
— Estou desapontada que ele possa pensar isso de mim! — Disse se encolhendo no colo da amiga. July acariciava seus cabelos. — Quanta coisas ele deve me esconder?
— Dul! Deve ser difícil pra ele também.
— Ele não tinha o direito de esconder isso de mim! Não tinha!
July passou a mão pela testa de Dulce, vendo o pequeno curativo ali.
— O que houve com sua testa?
A jovem sentiu como se borboletas voassem em seu estômago. Pensou se deveria contar a July sobre o acidente, sobre o beijo, sobre os sentimentos confusos que tinha pelo professor. Talvez tenha refletido sobre isso por tempo demais. Antes que ela pudesse contar qualquer coisa, Daniel apareceu na sala, todo vestido de preto, com uma jaqueta de couro belíssima ressaltando seus ombros.
— Ué, pensei que fossemos levar o Ícaro.
— Levar? Vocês estão chegando ou saindo?
— Saindo. O que houve com sua testa? — Perguntou Daniel já se inclinando para ver a ferida mais de perto.
— Bati no porta-luvas do carro. — Disse seria, afastando a mão dele antes que a tocasse. — Onde vão?
— Alo! Por onde anda essa cabecinha de vento? — Tamborilou pela testa de Dulce com as pontas dos dedos. — Festa nas docas! A temporada dos estudantes começou!
July ascendeu um sorriso transcende, ia de orelha a orelha. Puxou a amiga pelo braço, fazendo-a levantar do sofá.
— Vamos dançar! Conhecer rostos novos, ver os novos estudantes... Ah! Eu te liguei o dia todo achando que não conseguiríamos sair juntas hoje.
— Acabei perdendo o celular também.
A noite nas docas costumava ser movimentada durante a temporada de aulas. Eram os alunos das inúmeras universidades quem enchiam o porto em milhares de mesas, cadeiras e corpos de cervejas espalhados por todos os lados.
Risos e mais risos de jovens desconhecidos, completamente carregados de bebida alcoólica se espalhavam à medida que as horas iam passando. Dulce olhava para aqueles rostos e pensava como não havia preocupações em viver o momento. Escolheram um dos bares para entrar, quando, obviamente um dos mais caros. Dulce estava no banco de trás do New Beetle rosa de July, viu a amiga passar para ela um vestido vermelho de couro, tão justo quando que quando Dulce vestiu parecia que havia pintado a roupa em seu corpo. Daniel vestia uma calça de alfaiataria preta, com uma camisa de plumas aberta, usava óculos de sol, mesmo estando a noite, disfarçava as pupilas dilatadas. Já July, usava uma calça de couro preta, com um espartilho de renda que destacava completamente as curvas que tinha.
Os três gostavam de chamar atenção.
Quando saíram do carro e começaram a andar pelas Docas, os olhares cortavam para eles quase que automaticamente.
— Precisamos sair assim toda vez? — Perguntou Dulce ajeitando os s***s por dentro do vestido, que a essa altura estavam ressaltando um decote avantajado.
— Bem, esse é o único jeito de curtirmos a noite sem gastar nada. — Disse July passando a mão pelo ombro de Dulce. Olhou para o lado e viu Daniel já com um baseado entre os lábios. Entraram no bar.
Dentro a música tocava alto. As luzes frenéticas não paravam de piscar. Daniel foi para o centro da pista, dançar com qualquer um que o chamasse, já Dulce e July seguiram para uma das mesas próximo ao palco principal.
Não demorou muito para que um garçom chegasse até elas com dois copos de Blood Mary e o número de telefone de um desconhecido que as observava. Levantaram-se pra dançar quando ficaram entediadas, algumas caras tentaram ficar com elas, mas foram completamente ignorados, uma vez ou outra July se interessava por um cara, já Dulce não conseguia tirar Alex da cabeça.
— Meninas... — Daniel passou o braço pelos ombros das duas amigas. — Vejam só o que consegui! — Disse balançando em uma das mãos três ingressos. — Consegui pegando aquele cara ali atras, estavam esgotados!
— O que é isso?
— Ingressos para a luta de hoje. E adivinhem só! É o professor de vocês quem vai lutar. Dizem que na capital ele era imbatível.
Dulce sentiu um frio na barriga. Aquele dia dedicado a leva-la para mais próximo de Alex parecia estar longe de acabar.
Caminharam balada a fora, o clima nas docas estava cada vez mais frio, precisaram de um shot de vodka para esquentarem o corpo. Andaram um pouco mais, Dulce queria descobrir onde seria a tal luta. Será que voltaria ao píer de mais cedo? Mas aparentemente não. Andaram mais um pouco pelas docas, até saírem numa praça em frente à praia. Atravessaram a rua até um dos maiores bares da cidade o Red Mug, era o centro das atenções da cidade, contava com shows ao vivo, dançarinas exóticas, e muita bebida de qualidade.
Mas o diferencial do Red Mug, era que embaixo do lugar havia um subsolo, onde funcionava todo o comercio de lutas ilegais.
Dulce tinha certeza de duas coisas; a primeira era que por sorte, o octógono estaria cheio, então haviam poucas chances de Alex vê-la ali. A segunda era; no o lugar estaria cheio de homens m*l intencionados. Ela precisaria se proteger.
— Acho que a luta dele ainda não começou... — Daniel tateava pelo bolso enquanto ia em direção ao segurança. — Kevin! — O cumprimentou, o segurança realmente o conhecia, trocaram apertos de mão como se trocassem objetos.
— O Mike esteve procurando você... achei até que não fosse vir.
— Acha mesmo que eu ia perder a temporada? — Deu dois tapas no ombro de Kevin, o segurança abriu a porta para que ambos passassem. No lado de dentro eles viram muitas pessoas bebendo, rindo e conversando alto. Uma ou outra cumprimentava Daniel.
— Você é bem conhecido hein, Dani. — July disse dando leves cotoveladas no irmão.
— Claro! Nunca se sabe... é melhor fazer amizade com um traficante do que inimizade!
— Todos aqui são traficantes? — Dulce perguntou levemente assustada.
— Não. Nem todos... alguns são gigôlos, bicheiros ou assassinos de aluguel. Mas aqui dentro ninguém faz nada. Mike foi um gênio criando um lugar de apostas feito esse.
Chegaram no final do bar, onde havia uma porta que levava a um corredor. Atravessaram, viam as dançarinas entrando e saindo dos camarins. Algumas delas também conheciam Daniel e diziam coisas como ‘deixa esse cabelo crescer, Dani’ ou ‘Dani, estávamos com saudades!’, todo mundo ali parecia conhecer Daniel de Alguma forma.
Ao final do corredor avistaram uma porta, que era guardada por uma mulher alta e extremamente musculosa.
— Pensei que não viria, Dani! — Disse ela.
— Lio, você está radiante esta noite! — Elogiou a mulher e entregou os ingressos. Ela passou pelo braço deles pulseiras verdes, eram a porta de entrada para a luta.
Desceram, de longe já dava para ouvir os gritos de longe. Pareciam ter cerca de 200 pessoas naquele lugar minúsculo. O octógono havia sido montado quase que perfeitamente, juntamente com a arquibancada. Havia até mesmo um locutor que gritava para a plateia. Por sorte, Dulce, Daniel e July se sentaram numa fileira bem próxima do ringue. teriam uma vista privilegiada.
— Cerveja! 3 cervejas por 10! — Gritava um vendedor. Daniel comprou duas para cada um.
Uma carretada de assobios surgiu, uma fileira de palmas transpareceu quando um homem baixinho vestido com uma camisa branca e uma calça preta se achegou até o centro do ringue. Ele carregava um microfone, a cada passado a multidão uivava.
— Senhoras e senhores! Essa noite será épica para esta miserável cidade! La estão eles! As feras mais aguardadas da noite! — Limpou a garganta, olhou para a lateral da arena, onde havia um portão de pergolado. — Ali está ele! O mostro imparável! Com 1,95cm de altura, pesando 113 quilos, vencedor de dois cinturões Astra! A FERA! — A plateia estava ensandecida. Do portão lateral surgiu um homem musculoso, usando um short de natação e luvas de boxe nas mãos. O cara não tinha cabelos, e carregava uma enorme cicatriz na orelha.
— Esse cara é um dos melhores! Já apostei nele. — Falou Daniel bebericando a cerveja.
— Em quem apostou hoje?
— No professor! O melhor de tudo é que foram poucas apostas nele.
— Como isso pode ser o melhor?
— Veja bem, Dul, eu apostei 100 pratas nele. Se ele ganhar tenho mil pratas garantidas!
— Ainda não vejo sentido nisso.
Daniel puxou Dulce e beijou o alto de sua cabeça.
— Ah! Sua cabeça de vento! Aproveite e luta e veja seu amigo ganhar uma bolada!
O locutor voltou a berrar.
— E aqui está ele! Vindo de uma derrota árdua! Porem com um histórico de vitorias na capital... Ele! O mais velho dos lutadores, esbanjando vigor no auge dos seus 49 anos! — Dulce via que no portão estava Alex, com os olhos vidrados em seu oponente, um homem de terno sussurrava algo no ouvido do professor, que apenas assentia. — Não se deixem enganar! Com 1,92 de altura e 100 quilos, ai está ele! SAMURAI!
Dava para se ouvir gritos e algumas vaias em sua entrada. Mesmo assim Alex ignorava tudo a sua volta, tinha seus olhos fixos no adversário. Era a primeira vez que Dulce o via sem as roupas de professor. Seus cabelos estavam presos como sempre, estava sem camisa, ela jamais imaginaria a quantidade de tatuagens que ele escondia, ou até mesmo a imensidão de músculos espalhados por seu corpo.
Os dois bateram as suas luvas em sinal de comprimento. As luzes do local se focaram no centro do octógono, o locutor se afastou, saindo completamente de cena. Dulce sentiu um frenesim naquele momento. Olhou para seu lado e viu Daniel com o bilhete na mão, apertando a lata de cerveja com a outra.
Os sinos bateram.
A luta começou. Os dois giravam, davam socos e se esquivavam um do outro. A plateia gritava ‘avança!’, Dulce se segurou para não pular da cadeira nos primeiros cinco minutos. A fera conseguiu acertar um soco com a esquerda na barriga de Alex, que desviou o mais rápido que podia, mas mesmo assim fora atingido. Fera continuou dando golpes, Alex se agachou, tentando acertar as costelas de seu oponente. Inútil, acabou recebendo uma joelhada, mas defendeu com o braço.
Ambos se separaram. Se estudavam rodando pelo ringue.
— Pega ele! Vamos! Pega ele! — Daniel não conseguia se conter.
Voltaram para o centro. Alex socou com a esquerda, atingindo a maçã do rosto de seu oponente de raspão. Por meio segundo ele baixou a guarda, mas foi o suficiente para receber uma carretada de socos, parecia estar se segurando para não ir ao chão. Deu um pequeno salto, afastando a fera com um chute. A marca de seu pé ficou impressa no peito do adversário.
Alex voltou a manter a base, Dulce notou que ele olhou para o homem de terno fora do ringue, o homem assentiu com a cabeça e Alex avançou.
Distribuiu uma serie de socos, fera desviava, mas foi questão de tempo até um dos socos acertar. Porém, nesse momento o coração de Dulce gelou, fera acertou um soco no professor, distribuiu uma série de outros socos levando-o ao chão.
— Não! — Ela gritou, levou as mãos a boca. Daniel ao seu lado parecia estar tendo um infarto. A plateia uivava.
Dulce pensou que o professor seria nocauteado. Conseguia ver as costas de Fera, Alex estava no chão, com os pés fixos no solo, parecia uma luta perdida.
Mas não foi.
Alex trancou Fera com suas pernas, conseguiu vira-lo de alguma forma, apenas com o peso do próprio corpo. Disparou uma serie de socos, havia dominado a luta. Pensou que seria aquele momento ou nada. Pôs-se por cima, impedindo que Fera nivelasse o jogo. Disparou um soco certeiro. Mas errou. Fera conseguiu se soltar. Cambaleou um pouco, mas se pôs de pé. Talvez, por pensar que havia ganho aquela luta, abriu sua guarda. Os suficientes para Alex girar na ponta de um dos pés e acertar em cheio um chute na mandíbula de fera, quebrando-a e fazendo sangue voar pelos ares.
Havia sangue no rosto do professor, um dos seus olhos estava quase que completamente fechado. Mas, quando ele chutou o rosto de seu oponente, fazendo-o desmaiar, quase o atacou novamente, mas foi impedido pelo juiz, foi naquele momento, com o sangue descendo por seu rosto, que Alex avistou Dulce na plateia.
— Surpreendente! Uma vitória inesperada! Ele segurou a luta com as mãos esta noite! — Disse o locutor invadindo o ringue segurando as mãos de Alex para cima juntamente com o juiz.
— Eu falei! Eu te disse Dul! —Daniel se virou para a amiga, segurando e balançando-a emocionado. — Mil pratas! — Beijou o bilhete em sua mão.
Por um momento Dulce e Alex se encarram, a jovem, mesmo em meio aos gritos, sentiu-se no completo silêncio. Alex abaixou as mãos e deixou o octógono abruptamente, Dulce jamais compreendeu o por que seu corpo o seguiu naquela noite.
Correu atrás dele, fugiu de um dos seguranças que tentou segura-la.
— Dul! — Daniel e July a chamaram simultaneamente.
Mas ela não ouviu, estava decidida a ir atras dele. Correu pelo subterrâneo do lugar, Alex adentrou numa saleta protegida por dois seguranças, que impediram a entrada ada jovem.
— Me soltem! Eu o conheço! Alex! — De dentro da sala, ele ouviu a jovem o chamar.
— Que diabos está fazendo num lugar como esse? — Ele parecia furioso quando voltou até a porta, havia jogado sob os ombros uma toalha e segurava uma camiseta. — Vamos! Não pode ficar aqui!
Vestiu a camisa, levou uma das mãos até as costas de Dulce e a guiou para a parte de fora do local. Já era madrugada, Alex secava o sangue do rosto, estava sério, parecia bravo. Não parou de andar na calçada até que estivessem do outro lado da rua, em frente à praia.
— Porque veio até aqui? — Ele tinha as sobrancelhas cerradas, a altura do campeonato estava com os cabelos completamente desgrenhados, olhou seriamente para a garota, depois continuou a andar.
— Queria ver você lutar. O que fez foi incr...
— Nunca mais apareça aqui de novo!
— O que? Que diabos está falando?
— Acha aquilo tudo divertido, Dulce? Um espetáculo, não é mesmo? — A garota notou que ele andava até o carro estacionado. Abriu a porta para que ela e entrou em seguida. — Aquelas pessoas ali não prestam! Não são boas pessoas.
— E o que estava fazendo lá?
— Eu devo dinheiro a eles!
Ecoou um silêncio repentino, os dois se olharam, Alex ligou o carro e dirigiu até o píer.
— Não deveria ter ido! É perigoso.
— Eu não devo dinheiro a eles! Não é perigoso para mim.
— É perigoso para mim! — A voz dele saiu como um rugido. — Uma coisa a mais para eu me preocupar!
Abriu a porta do carro, mas antes de sair do, Dulce puxou o professor pela gola da camisa, fazendo-o desistir de deixar o lugar. Ela o trouxe para si, e o beijou ardentemente. Alex se afastou, encarou a jovem, sem entender o que de fato estava acontecendo. Decidiu ignorar seus pensamentos, partiu para cima dela, retribuindo o beijo, passando a mão por suas curvas, tocando com os dedos sua nuca e segurando seus cabelos. Quase rasgando aquele vestido vermelho, mas se afastou antes que a devorasse.
— O que estamos fazendo?
— O que acha?
Ela puxou a mão de Alex de volta para si, apertando-a contra sua cintura.
— Dulce...
— Você não quer?
— Não é isso... eu... são apenas devaneios.
— Então não pense!
Jogou-se para cima do professor, sentando-se em seu colo. As mãos dele deslizaram pelas costas dela até o zíper do vestido. Com a ajuda da garota, ele arrancou a roupa dela, tirando sua camisa em seguida. Se beijavam intensamente. Tinham sorte de as luzes do píer estarem quase que totalmente apagadas. Levou as mãos até os s***s dela, os tocando delicadamente. Continuavam se beijando, a mente do professor borbulhava.
Seus pensamentos iam longe, mesmo seu corpo adorando estar ali. Possuindo-a dentro daquele carro, deliciando-se com as curvas daquela mulher.
Ela subia e descia o corpo, ambos sentiam um prazer imprescindível. Os vidros do lado de dentro começavam a ficar embaçados, e do lado de fora a chuva caia. Alex passava a mão pelo corpo dela, adorando estar dentro dela. ‘Que mulher!’ ele pensava, ouvindo os sons prazerosos que saiam dos lábios de Dulce diretamente nos seus ouvidos.
Desejou que aquela madrugada chuvosa jamais terminasse.
...
Ao terminarem, voltaram ao galpão médico. Alex deu para Dulce uma jaqueta que havia deixado no fundo do carro. Explicou para ela que não poderia voltar para casa antes de cuidar das feridas e falar com seu chefe. Alice cedeu um quarto para que Dulce passasse a noite, a garota estava com fome e bêbeda demais. Assim que terminou de comer, tomou um banho quente e caiu na cama.
Alex e Alice ficaram no sofá, ela trouxe para ele uma garrafa de uísque. Sentou-se na poltrona, havia deixado na mesa de centro a caixa de sutura e curativos.
— Que diabos Alex!
— Eu sei!
— Quantos anos ela tem?
— 21.
— O pai dela sabe disso? Que merda tem na cabeça?
Abriu a caixa de curativos. Alex encheu um copo e bebeu tudo num único gole.
— Eu sabia que tinha algo de estranho entre vocês dois! Você beijou a menina no meu sofá! Na merda do meu sofá, Alex! Mamãe sempre teve razão! Você só pensa com a cabeça de baixo!
Ele respirou fundo, ela embebedou um pedaço de gaze com álcool e passou pela testa do professor.
— Mamãe devia ter prestado mais atenção em outro homem da família! Ai! Isso dói! — Alice deu um tapa na mão de Alex por reclamar da dor. — Ela é filha do Carlos Dias Campos. — Disse por fim. Alice olhou para ele como se tivesse levado um tiro.
— Alexander! Seu i****a! — Deu vários tapas nos braços do professor. — Como é possível sermos gêmeos com você sendo assim tão burro!
— Eu não sei o que deu em mim!
— Mas vai descobrir! Ou vai acabar levando muitos problemas para a vida dessa garota! Ai! Eu juro, Alex, juro que te mato!
Ele se sentiu culpado naquela noite. Quando sua irmã dormiu, ficou na sala terminado de beber a garrafa de uísque. Depois levantou-se, cambaleante, já estava bêbado o suficiente para encarar aquele quarto.
Mas teve coragem apenas de encarar a jovem dormindo. Sentou-se na poltrona em frente a cama, chateado consigo mesmo e admirando cada canto do corpo daquela que horas atrás havia sido sua. Desejou não ter tantos problemas. Desejou não pensar nas consequências. Desejou, mesmo que num breve devaneio, amá-la.