Finalmente em casa, dona Maria Eduarda acabou de me deixar no meu condomínio, está me esperando lá embaixo no estacionamento, não quis subir para não ter que ver o Marcos, não a julgo, está muito mais do que na cara que ambos se odeiam.
Entro no meu apartamento já estranhando o vazio, tudo bem que hoje eu cheguei bem mais cedo que o convencional, mas a essa hora o Marcos já estaria lendo um livro no sofá da sala, mas enfim, ele deve estar enrolado no trabalho hoje.
Passo primeiro na cozinha para tomar um copo de água, mas o que eu vejo ao passar pela sala de jantar já me deixa em alerta, a mesa montada para um jantar romântico, dois pratos sujos, duas taças de vinho bebidas e uma garrafa do meu vinho favorito sobre a mesa, olho em volta confusa e volto para a sala vendo um bolsa feminina no sofá da sala
Sigo andando para o meu quarto e já consigo ouvir os gemidos do casal, mas que filho de uma p**a! Entro no quarto com tudo vendo o casal enrolado no meu edredom, no meio do ato, roupas largadas pelo quarto. Com o barulho da porta batendo na parede assim que eu entrei, o Marcos apenas se virou olhando bem para o meu rosto, ele está claramente assustado, e claramente tentando esconder o rosto da mulher que está com ele.
- Que p***a é essa?- pergunto com a raiva estampada no meu tom de voz.
- Clara? Não era para você chegar agora, mas que droga- fala num pequeno surto- Não é isso que você está pensando querida, eu posso explicar tudo- fala e eu sigo para o closet sem pensar muito.
Tiro todas as roupas dele do meu closet e saio jogando no chão, no meio do quarto, jogo sapato, perfume, acessórios, tudo! Tudo que é dele eu jogo no chão, no meio do quarto e vejo somente ele me olhando assustado e a menina em pé, tentando se vestir de costas para mim, mas essa mulher não me é estranha, eu tenho certeza que a conheço de algum lugar.
- Eu vou passar três dias fora, Marcos, e quando eu voltar, não quero sentir nem o seu cheiro na p***a desse apartamento, caso contrário você vai se ver comigo- falo olhando bem séria para ele, para ele ter a certeza que eu não estou blefando.
- Amor me tira daqui- fala chorosa, eu sabia que conhecia essa vagabunda de algum lugar.
- E você Carla, avisa a sua mãe que vocês duas vão perder a mesada de vocês- falo e ela se vira de frente para mim, me olhando completamente assustada.
- Não, você não pode fazer isso Clara, por favor, como eu vou manter o meu apartamento? O meu carro, o apartamento da mamãe?- pergunta e eu dou de ombros.
- Pensasse nisso antes de ir para a cama com o meu noivo, e Marcos, já vou deixar o porteiro avisado que se você não sair em meia hora daqui, é para ele chamar a polícia- falo pegando a minha mala e saindo do meu quarto.
Saio do meu apartamento com a minha mala e desço de encontro a Madu, que ainda me espera em seu carro, assim que ela me vê chegando já abre o porta-malas do automóvel e eu mesma me encarrego de colocar a mala no carro, entro colocando a minha bolsa no meu colo e a minha amiga me olha espantada.
- Que cara é essa Clara? Amiga, você está me dando medo- fala a eu dou de ombros enquanto pego o meu celular para mandar mensagem ao porteiro.
- Acabei de encontrar o Marcos na cama com a Carla- falo e os olhos dela triplicam de tamanho.
- Carla a sua irmã?
- Não, Carla a filha da senhora Vanessa Wilson.
- Meu Deus, você tem que me contar essa história direito- fala e eu apenas respiro fundo esfregando as minhas têmporas.
- Podemos falar disso na sua casa? Quando já estivermos bebendo?- pergunto e ela confirma com a cabeça enquanto da partida no carro.
- Sim senhora, o seu desejo é uma ordem- fala e eu apenas dou graças aos céus por isso.
[...]
Observo cada detalhe da expressão de raiva no rosto do meu pai, estamos em chamada de vídeo, ele ficou sabendo que eu terminei o meu noivado e me ligou na mesma hora, agora está furilso por saber qual é o motivo do meu término.
- A seu eu pudesse fazer algo contra aqueles dois traidores- fala entredentes.
- Não iria fazer nada mesmo que pudesse, não quero criar uma guerra por causa disso, quero apenas seguir a minha vida longe deles- falo calma.
Afinal, não vai adiantar de nada eu quero mover céu e terra contra eles, e não conseguir viver em paz em busca de uma vingança, não é isso que eu quero para a minha vida, eu quero usar isso como uma forma de me fortalecer, de erguer a cabeça e mostrar que eu sou muito mais do que qualquer outra pessoa.
Vou focar na minha carreira, vou focar no caso do Reviera, que quando solucionado, vai levar a minha carreira para outro patamar, eu vou focar em mim, vou focar em ser feliz, não preciso de Marcos ou de nenhum outro homem para fazer isso, preciso apenas de mim mesma.
- As vezes eu queria ter a calma e a paciência que você tem minha filha- fala e eu dou risada.
- Você tem papai, o problema é que não podem tocar no seu ponto fraco- falo apoiando a minha cabeça na mão.
- E você é o meu ponto fraco- fala e eu dou um sorrisinho- Mas e a viagem de amanhã? Já está tudo pronto? Você mesma sabe que esse é o caso mais importante de toda a sua carreira- fala e eu confirmo com a cabeça olhando para o meu caderno de anotações.
- Tudo muito mais que pronto papai, organizei tudo para essa viagem e o meu foco vai ser somente e exclusivamente, esse caso, o caso do senhor Benjamin Reviera vai me levar a outro patamar como advogada, a um patamar que eu nunca nem sonhei chegar- falo e o meu pai apenas concorda com a cabeça.