Olho pelo reflexo do espelho, uma louca com olheiras profundas, deixando claro que eu passei uma noite em claro, pensando em todo o meu relacionamento com o Marcos, pensando em quando foi que nos acabamos, quando toda essa história começou e quando ele começou a se envolver com a Alice e eu não vida.
Os meus cabelos completamente despenteados, o rosto claramente abatido e sem nenhuma vontade de estar de pé, mas hoje é a minha viagem com o senhor Reviera, o que me obriga a levantar da cama e ter que tomar um banho, passar uma maquiagem no meu rosto e colocar uma roupa no corpo, tentando ficar o mais profissional possível.
E assim faço, tomo o meu banho e aproveito para lavar o meu cabelo, visto uma calça de alfaiataria no estilo pantalona, uma camisa preta por dentro da calça, com dois botões aberto em cima, formando um pequeno decote, nada que me deixe vulgar, apenas elegante.
Finalizo o meu cabelo com a escova secadora, coloco os meus acessórios, arrumo as minhas coisas no banheiro e trato de calçar o meu scarpin preto, penduro a bolsa no meu ombro e saio do quarto empurrando a minha mala.
[...]
Leio atentamente cada detalhe do arquivo do senhor Reviera no meu iPad, o homem citado está na minha frente, completamente focado no computador a sua frente, provavelmente trabalhando, assim como eu.
Leio e releio o mesmo parágrafo umas cinco vezes, antes de grifar alguns erros que eu posso usar em defesa do meu cliente no tribunal, afinal, temos uma audiência marcada para daqui a alguns meses, e eu preciso já começar a trabalhar na minha defesa, coisa que eu deveria ter começado a fazer bem antes, mas esse caso é muito complexo.
- Algum problema senhorita?- pergunta me encarando sério.
- Não não, estou apenas relendo o seu caso para conseguir já ir montando uma defesa- falo pousando o iPad na mesa do avião.
Estamos a bordo do jato particular do senhor Reviera, não tem nem uma hora que decolamos, ainda temos algumas boas horas de viagem, horas essas que eu pretendo tirar para me concentrar no caso.
- Achou algo que possa ser usado ao meu favor?- o senhor Reviera me pergunta sério.
- Achei alguns erros de investigação e os grifei, ao chegar no hotel eu irei anexar essas partes em um arquivo, para assim conseguir montar uma boa apresentação no tribunal.
- Posso dar uma olhada?- pergunta se referindo ao meu iPad onde tem os arquivos do caso dele aberto.
- Claro- falo empurrando o aparelho em sua direção.
Pego a xícara de café que a comissária de bordo me serviu instantes atrás, tomo o meu café tranquila, observando as nuvens pela janela do avião enquanto o homem a minha frente revisa o meu trabalho, admito que isso me irrita um pouco, odeio que fiquem revisando o meu serviço, isso me irrita profundamente.
Porém esse é o caso mais importante de toda a minha carreira, e se para conseguir levar ele em frente, eu vou te que aturar o senhor Reviera revisando todo o meu trabalho, e ter ele mais perto do que eu prefiro, eu vou aceitar, tudo pela minha carreira.
[...]
- Maria Eduarda, deixa de ideia, vai, o senhor Reviera é apenas o meu cliente- falo com o telefone no ouvido enquanto procuro uma roupa confortável na minha mala.
Estou andando pelo meu quarto de hotel apenas de toalha, com o meu celular na orelha falando com a Maria Eduarda, que cismou que eu tenho que dar em cima do meu cliente, ignorando completamente a minha ética e o meu profissionalismo, apenas porquê ela acha o senhor Benjamin Reviera um gostoso, palavras dela!
Essa Maria Eduarda tem hora que dá surto de esquizofrenia, já até me acostumei com isso, a gata esqueceu que primeiro, eu acabei de sair de um relacionamento de anos e anos, cujo no final e eu saí com um belo par de chifres na cabeça, e segundo, o senhor Reviera é o meu cliente mais importante da minha carreira, e eu tenho ética e profissionalismo.
- Aproveita Clara, p***a mulher, da gostoso para esse gostoso- a minha única reação a ouvir tal coisa, é ter uma bela crise de risos.
- Eu vou fingir que não ouvi isso Maria Eduarda, só um minuto, acho que o meu serviço de quarto acabou de chegar- falo caminhando até a porta do quarto para receber o meu serviço se quarto.
- Clara, aproveita, você está em Brasília com um homem gostoso desses, só vocês dois sozinhos, aproveita e da para ele- fala e eu novamente apenas dou risada.
- Maria Eduarda, ele é o meu cliente- falo pausadamente, só para ver se ela entende o que estou dizendo.
O problema é que eu falei abrindo a porta, e no lugar de ver o meu serviço de quarto me esperando, eu me deparo somente com o senhor Reviera muito bem arrumado, como sempre vestindo as suas roupas sobre medidas e seus sapatos importados, aí meu Cristo Jesus.
- Senhorita Wilson?- pergunta confuso.
- Maria, eu te ligo mais tarde- falo e desligo o celular antes que ela possa falar alguma coisa- senhor Reviera, posso te ajudar com alguma coisa?- pergunto e ele me olha dos pés a cabeça, levando as mãos aos bolsos da calça.
- Queria conversar com a senhorita sobre algumas coisas do meu caso- fala e eu confirmo com a cabeça.
- Então o senhor me espera no restaurante do hotel, vou apenas me vestir e encontro o senhor lá- falo e ele n**a com a cabeça.
- Vou esperar a senhora no bar do hotel daqui duas horas, é melhor- fala e eu confirmo com a cabeça.
- Como o senhor preferir- falo e ele apenas acena com a cabeça antes de sair andando.
Fecho a porta do meu quarto e solto uma respiração, eu mesma nem sabia que estava segurando a respiração, mas ok, eu tenho duas horas para ficar apresentável e juntar a Maria Eduarda de morte, acho que é tempo suficiente para as duas coisas, só não sei se terei tempo suficiente para jantar antes disso, mas ok, eu posso comer depois.