Saio do meu quarto trancando a porta e, já guardo o cartão de acesso na minha bolsa, caminho rumo ao elevador sem nem prestar muita atenção no caminho, me preocupo mais com o meu celular, as novas notícias que saíram sobre o meu cliente e sobre o caso dele, a imprensa e suas fofocas sobre os milionários, Deus me livre.
Enfim, guardo o meu celular na bolsa enquanto espero o elevador, e assim que as portas eu já entro e aperto o botão do andar que quero ir, olho meu reflexo no espelho quando as portas se fecham. Eu estou usando um vestido preto que vai até um pouco abaixo dos joelhos, colado no corpo, de manga e gola e alta, uma maquiagem bem feita, o cabelo perfeitamente alinhado e nos meus pés, apenas um salto preto da YSL.
Saio do elevador caminhando rumo ao bar do hotel, recebo alguns olhares enquanto caminho até o balcão do bar, onde o meu cliente se encontra com roupas menos formais e bebendo um copo de whisky sozinho, me aproximo dele e já trato de me sentar ao seu lado.
O senhor Reviera está menos formal, mas mesmo assim continua com um ar de poder, uma camisa preta social com os primeiros botões abertos, mangas da camisa levantadas, a calça social bem alinhada, o cinto importado e os sapatos que me parecem italianos, o Rolex no pulso e algumas tatuagens que eu não havia percebido antes.
- Senhorita Wilson, deseja beber alguma coisa antes de começarmos a nossa conversa?- pergunta e eu n**o com a cabeça.
- Não, senhor Reviera, eu não bebo durante o trabalho- falo e ele me olha com um pequeno sorriso de canto.
- E a senhorita está trabalhando?- pergunta e eu confirmo com a cabeça.
- Tudo que tem relação com o senhor, para mim é trabalho, eu estou levando muito a sério esse caso, qualquer brecha que eu der, podemos perder essa causa- falo e ele confirma com a cabeça.
- É por isso que eu a contratei, a melhor advogada de São Paulo atualmente- fala e eu apenas dou um leve sorriso- porém, eu tenho algumas dúvidas sobre o meu caso, eu estava vendo algumas coisas hoje na internet, e vi que o promotor responsável pelo meu caso, é o seu noivo, devo me preocupar?- pergunta e eu n**o com a cabeça.
- Senhor Reviera, o promotor de justiça Marcos Vinicius Almeida não é mais o meu noivo, porém esse assunto é um assunto pessoal, e eu garanto ao senhor que não haverá nenhum conflito de interesse nesse caso, eu nunca fui de misturar o profissional com o pessoal, sempre levei muito a sério a minha ética e profissionalismo- falo e ele confirma com a cabeça.
- Espero poder contar com a sua palavra- fala eu confirmo com a cabeça.
- E o senhor pode- digo convicta- mais alguma dúvida senhor Reviera?- pergunto e ele n**a com a cabeça.
- Era apenas isso senhorita- fala e eu me levanto da banqueta.
- Tenha uma boa noite senhor, nos vemos amanhã pela manhã- falo e saio andando pelo bar do hotel.
Esse hotel é realmente um lugar sofisticado, com certeza uma diária aqui deve custar uma boa quantia de dinheiro, mas não sou eu que estou pagando, e mesmo se fosse, eu trabalho para realmente me tornar uma mulher muito bem sucedida e ter certos confortos e luxos.
Enfim, caminho em direção ao meu quarto e já entro no mesmo tirando os saltos, por mais que eu amo o poder que sandálias de salto me passam, eu odeio essas coisinhas, o coisinha do inferno para machucar os pés e deixar as pernas doendo, no final das contas, eu ainda sou um ser humano.
[...]
- E você quer que eu faça o que Maria Eduarda? Surte? Volte para São Paulo e quebre a cara deles dois? Arme o maior barraco que São Paulo já viu?! Entre no tribunal e use o meu chifre para alegar que, o promotor responsável pelo caso no qual estou trabalhando, é uma homem cujo caráter é duvidoso?- pergunto olhando para a minha melhor amiga pelo iPad a minha frente, enquanto devoro um enorme Big Mac.
- Não Clara, mas p***a, ficar por baixo é demais também, é muito humilhante- fala e eu n**o com a cabeça.
- Eu nunca fico por baixo meu bem, eis a questão- falo e ela da risada.
- O que você vai fazer hein?- pergunta e eu dou de ombros.
- Eu ainda não sei, mas irei fazer alguma coisa- falo e ela da risada.
- Irei aguardar ansiosa pelas fofocas atualizadas- fala e eu dou risada.
- Mas, sabe o que você pode fazer para me ajudar? Procurar algum lugar para a gente ir assim que eu voltar, um pagode, uma balada, um karaokê, sei lá- falo e ela bate palmas animada.
- Seu desejo é uma ordem madame, meu Deus, como eu estava ansiosa por esse momento- fala e eu dou risada da cara dela.
No final, eu e a Maria Eduarda acabamos conversando boa parte da noite, até realmente estarmos caindo de sono e desligarmos para dormir. Eu ainda arrumo o meu quarto antes de me deitar, e quando faço tal coisa, o sono literalmente vai embora.
Me refiro na cama umas quinhentas vezes, e nada do sono voltar, então resolvo me levantar e voltar a trabalhar, ainda tem alguns furos no caso que eu não consegui desvendar.
O senhor Reviera afirma que estava em uma reunião das 15 às 19, e depois disso teve um jantar de negócios das 20 até às 22, porém, uma testemunha desse hotel que eu já consegui contatar, afirma que ele só retornou para o hotel por volta das 3:30, o que deixa um grande buraco no tempo.
Preciso arrumar um jeito que comprovar que o meu cliente não estava cometendo nenhum ato criminoso nesse período de tempo, principalmente o tráfico humano, porém, o meu querido cliente não colabora com a advogada dele, e não me diz de jeito nenhum o que estava fazendo, para eu conseguir montar uma defesa descente, com halibes sustentáveis.