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Nas Mãos Do Ceo Frio

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Blurb

Ela salvou a vida dele entre as chamas da infância, mas o destino — e uma teia c***l de mentiras — roubou-lhe o crédito e o amor do seu resgatado. Manipulado pela meia-irmã invejosa de Aylane, o garoto doce do passado transformou-se em Gael: o poderoso CEO da maior corporação do país, um homem dominante, frio e calculista, incapaz de sentir compaixão.​Em uma noite de comemoração, uma armadilha sórdida projetada para arruinar a reputação de Aylane ganha contornos inesperados. Sob o efeito de substâncias e cega pelo torpor, ela erra o quarto de hotel e cai na suíte do seu maior pesadelo e eterna paixão. A noite de entrega visceral e obsessão avassaladora termina em um escândalo nacional quando fotos do flagrante vazam para a imprensa.​Para salvar o império da família e abafar a ruína da sua imagem, Gael impõe um acordo implacável: um casamento de conveniência com data de validade de três anos. Presa em um matrimônio onde é usada apenas como objeto de desejo, sem direito a afeto ou compaixão, Aylane precisa suportar a dor de ver o homem que ama continuar dedicando sua atenção e carinho à sua irmã.​Em um jogo claustrofóbico de poder, segredos e submissão, Aylane aprenderá até onde consegue resistir antes de quebrar — e Gael terá que encarar a escuridão da própria alma quando a verdade por trás da cicatriz finalmente vier à tona.

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Capítulo 1
Aylane ​O silêncio de um casarão antigo pode ser mais ensurdecedor do que qualquer grito. Durante dez anos, aquele silêncio foi a minha única companhia constante, o único refúgio para o vazio que a morte da minha mãe deixou no meu peito. Eu tinha apenas dez anos quando a vi fechar os olhos pela última vez, e no mesmo dia em que o mundo perdeu a cor, fui arrastada para a mansão da família Silva. ​Eu não era uma filha desejada; era uma mancha. A prova viva do pecado do meu pai, um homem covarde que preferia olhar para o teto a encarar os meus olhos, que carregavam a memória da mulher que ele verdadeiramente amou, mas não teve coragem de assumir. ​Naquela casa, a crueldade tinha nome, rosto e passos leves. Beatriz, minha madrasta, e Kareme, minha meia-irmã, transformaram a minha existência em um lento exercício de sobrevivência. Eu vestia as roupas rasgadas, comia as sobras e carregava a culpa de respirar o mesmo ar que elas. Mas o ser humano é uma criatura estranha: até na escuridão mais densa, a mente insiste em procurar uma fresta de luz. ​Para mim, essa luz tinha a forma de uma promessa feia sob a fuligem de um incêndio. ​A memória daquele dia no ensino fundamental ainda queimava na minha pele com a mesma intensidade de anos atrás. O cheiro de fumaça tóxica, o calor sufocante no corredor da escola e o som dos estalos das vigas de madeira caindo. Todos haviam corrido, mas ele tinha ficado preso na sala de artes. Gael. O garoto de olhos profundos e olhar reservado que eu observava de longe, aquele que parecia carregar o peso do mundo nos ombros, assim como eu. ​Lembro-me de ter entrado no fogo sem pensar. Lembro-me do calor queimando o meu braço enquanto eu arrastava o seu corpo semiconsciente para fora, da pele ardendo e do pânico consumindo o meu peito. Quando finalmente desabamos na grama do pátio, cobertos de cinzas e fumaça, ele segurou o meu punho com uma força desesperada. Seus olhos nos meus, tossindo, jurando com a voz falha: ​— Eu vou te proteger... Quando a gente crescer, eu vou me casar com você. Eu juro. ​Aquelas palavras se tornaram a minha âncora durante todos os anos de abusos morais e humilhações que se seguiram. Eu não queria o dinheiro dele, não queria o seu sobrenome; eu só queria a certeza de que, para alguém no mundo, a minha vida tinha valor. ​Mas o destino — manipulado pelas mãos de Kareme — é uma força perversa. ​Poucos dias após o acidente, quando voltei à escola com o braço enfaixado e escondido sob mangas compridas, o olhar de Gael sobre mim já não era o mesmo. Não havia gratidão, não havia calor. Havia apenas uma rigidez gélida, um desprezo cortante que me fez dar um passo para trás. Kareme havia chegado primeiro. Com lágrimas de crocodilo e uma atuação digna de prêmios, ela convenceu a todos — e especialmente a ele — de que fora ela a heroína daquele dia. Disse que eu, tomada pela inveja, havia ameaçado queimar a casa da família se ela revelasse a verdade. ​Em poucas horas, a menina invisível tornou-se a garota má aos olhos do único menino que ela amava. ​Eu nunca me defendi. Como poderia? A palavra de uma filha ilegítima contra a versão impecável da herdeira legítima não valia nada. Vi o garoto doce e gentil se fechar por trás de uma armadura de ferro, tornando-se cada vez mais distante, até que se transformou em uma sombra inalcançável. Para salvar o que restava da minha sanidade, decidi me afastar, trancando aquele amor no lugar mais fundo do meu peito. ​Hoje, anos depois, o garoto ferido do passado deu lugar a Gael Duarte: o CEO mais poderoso e temido do país. Um homem frio, calculista, cujas decisões movem bilhões e destroem concorrentes sem um piscar de olhos. ​E hoje, ele é o noivo da minha meia-irmã. ​Suspirei, ajeitando o vestido simples que eu usava no pequeno espelho do meu quarto temporário. Eu havia acabado de conseguir um emprego modesto em uma empresa de design, meu primeiro passo real para conquistar a independência e me livrar de vez das correntes daquela família. Mas Kareme, em sua infinita necessidade de me subjugar, exigiu uma "comemoração" em um hotel de luxo da cidade. ​Ela dizia que queria celebrar a minha conquista, mas os olhos dela brilhavam com a costumeira malevolência. Eu deveria ter desconfiado. Deveria ter saído daquela mesa no momento em que ela me serviu a primeira taça de champanhe. ​Gael ​O uísque queimava a minha garganta, mas o álcool não fazia nada para aplacar a irritação que me consumia. A cobertura do hotel cintilava com as luzes da alta sociedade, cheia de risos falsos, bajuladores e homens de negócios tentando arrancar uma assinatura do homem mais rico do país. ​Olhei de relance para Kareme. Ela flutuava pelo salão em um vestido vermelho impecável, ostentando o anel de noivado que eu havia colocado em seu dedo. Ela era a mulher que todos diziam ser perfeita para mim: bonita, elegante, a heroína que arriscou a vida para me salvar das chamas quando éramos apenas crianças. ​E, no entanto, tocar nela me parecia uma obrigação contratual. Não havia chama, não havia desejo. Apenas uma dívida de gratidão que eu me forçava a pagar. ​A verdade que eu nunca admitia para ninguém — nem para mim mesmo — era que a imagem que me assombrava nas noites de insônia não era a de Kareme. Era a da garota de olhar triste e esquivo que vivia nas sombras da família Silva. Aylane. ​Eu a odiava. Odiava a forma como ela me olhava quando é tínhamos a mesma idade, como se soubesse todos os meus segredos. Odiava a crueldade que Kareme me contara sobre ela, a perversidade de uma menina que ameaçava a própria irmã após um ato de bravura. Mas, acima de tudo, eu odiava o fato de que, mesmo depois de todos esses anos, a presença silenciosa de Aylane ainda conseguia desestabilizar o meu autocontrole. ​Apertei o copo de cristal com tanta força que os nós dos meus dedos ficaram brancos. Algo estava errado esta noite. A minha cabeça começou a pesar com uma dormência estranha, uma onda de calor fora do comum subindo pelo meu pescoço, nublando os meus pensamentos. Não era o efeito do uísque; eu conhecia os limites do meu corpo. Aquela sensação era artificial, violenta, urgindo por uma libertação que eu não conseguia domar. ​Maldição. Alguém havia colocado algo na minha bebida. ​Mancando levemente pela tontura repentina, me afastei do centro do salão de festas sem dar explicações a Kareme. Precisava da minha suíte. Precisava de água fria e de isolamento antes que perdesse o controle sobre a fachada implacável que passei a vida construindo. ​Arrastei-me pelo corredor acarpetado do andar executivo, a visão embaçando a cada passo. O calor sob a minha pele era insuportável, um desejo primitivo e descontrolado tomando conta do meu raciocínio. Consegui encostar o cartão magnético na porta da minha suíte, ouvindo o clique metálico da fechadura se abrindo. ​Entrei no quarto escuro, me apoiando nos móveis para não cair, desabotoando a gravata com as mãos trêmulas. O ar condicionado estava ligado, mas parecia que o ambiente inteiro pegava fogo. ​Foi quando ouvi um suspiro suave vindo da penumbra perto da cama. ​Aylane ​Minhas pernas pareciam feitas de chumbo. A cabeça girava tanto que a parede do corredor parecia se mover diante dos meus olhos. O suor frio escorria pelas minhas têmporas, e uma sensação assustadora de vulnerabilidade tomou conta do meu corpo. ​O que havia naquela taça? ​Lembrei-me do sorriso de Kareme ao me entregar a bebida, do jeito insistente como ela pediu para que eu brindasse ao meu "novo começo". Ela me deu uma chave magnética e disse para eu subir e descansar em um dos quartos reservados para a família, caso me sentisse m*l. Mas a visão estava tão turva, os números das portas tão desfocados, que eu só queria encontrar uma cama e fechar os olhos. ​Deslizei a chave na primeira porta que encontrei aberta e me encostei na parede assim que ela cedeu. O quarto estava na penumbra, iluminado apenas pelas luzes dos arranha-céus que entravam pela grande janela de vidro. ​Tentei dar mais um passo em direção à cama, mas os meus joelhos dobraram. Antes que eu atingisse o chão, um par de braços fortes e quentes me segurou com firmeza. ​Um perfume familiar — uma mistura de amadeirado, couro e perigo — invadiu os meus sentidos. Elevei os olhos pesados e dei de cara com a silhueta alta e imponente. Os olhos dele, normalmente frios como gelo, estavam escuros, tomados por uma tempestade de febre e obsessão que eu nunca tinha visto antes. ​— Gael...? — murmurei, a voz saindo como um sussurro embargado. ​O som do meu nome nos meus lábios pareceu quebrar o último fio de racionalidade que o sustentava. Ele rosnou baixo, um som gutural que fez todo o meu corpo estremecer. Sua mão grande envolveu a minha nuca, puxando-me para junto do seu peito rígido. ​— O que você está fazendo aqui? — a voz dele estava rouca, perigosa, falhada pelo efeito da mesma substância que queimava no meu sangue. — O que você fez comigo, Aylane? ​Antes que eu pudesse responder, antes que eu pudesse explicar que tinha entrado no quarto errado, os lábios dele colidiram contra os meus em um beijo feroz, faminto e absolutamente sem volta.

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