Aylane O sol de fim de tarde banhava as paredes do meu novo apartamento com uma luz alaranjada e suave. Sentada no sofá da sala — que agora começava a ganhar a minha identidade, com móveis simples, tons neutros e quadros com paisagens serenas —, eu segurava uma antiga caixa de madeira aveludada. Era o único pertence que o meu pai conseguira resgatar da mansão da serra antes que a propriedade fosse penhorada pela Justiça Federal. Abri a tampa devagar. Dentro, repousavam as poucas cartas, fotografias e diários da minha mãe. Passei os dedos sobre a caligrafia delicada dela num diário amarelado pelo tempo. Minha mãe fora uma mulher visionária, a verdadeira responsável por desenhar os primeiros esboços da empresa de logística que o meu pai e Beatriz posteriormente destruíram. Beatriz nã

