Gael A noite anterior: A garrafa de uísque com dezoito anos de envelhecimento continuava praticamente intocada sobre o balcão da suíte do hotel. O silêncio do cômodo só era quebrado pelo ruído distante dos ponteiros do relógio e pelo tremor convulsivo dos ombros do homem sentado à minha frente. Ricardo Silva parecia uma sobra humana. Sem a maquiagem social, sem os ternos alinhados custeados pela minha holding e sem a soberba que Beatriz lhe soprava nos ouvidos, o patriarca da família Silva não passava de um alcoólatra arruinado pelo terror de terminar os seus dias numa cela de presídio. — Beba — ordenei, empurrando um copo d'água na direção dele. Minha voz era fria, gélida, desprovida de qualquer traço de empatia. — Os agentes da Polícia Federal vão chegar às seis da manhã para col

