Capítulo 32

2199 Words

Gael ​Estar parado naquele cômodo miserável era como ter o peito atravessado por uma lâmina cega. ​O cheiro de antisséptico barato misturado ao ar abafado do Quarto 104 tornava a atmosfera sufocante. Mas nada doía mais do que a visão de Aylane. O uniforme cinza, grande demais para a sua estrutura agora franzina, caía-lhe pelos ombros de forma trágica. A sua pele, privada do sol durante dois meses, ostentava uma palidez quase translúcida, e as olheiras profundas marcavam o seu rosto antes viçoso. ​No entanto, nos olhos dela não havia o olhar quebrado de uma doente mental. Não havia a confusão de uma mulher dopada por sedativos fortes. Havia apenas uma clareza cristalina, gélida e implacável. ​— Aylane... — a minha voz saiu rouca, presa na garganta, como se o meu próprio orgulho me sufoc

Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD