Gael Estar parado naquele cômodo miserável era como ter o peito atravessado por uma lâmina cega. O cheiro de antisséptico barato misturado ao ar abafado do Quarto 104 tornava a atmosfera sufocante. Mas nada doía mais do que a visão de Aylane. O uniforme cinza, grande demais para a sua estrutura agora franzina, caía-lhe pelos ombros de forma trágica. A sua pele, privada do sol durante dois meses, ostentava uma palidez quase translúcida, e as olheiras profundas marcavam o seu rosto antes viçoso. No entanto, nos olhos dela não havia o olhar quebrado de uma doente mental. Não havia a confusão de uma mulher dopada por sedativos fortes. Havia apenas uma clareza cristalina, gélida e implacável. — Aylane... — a minha voz saiu rouca, presa na garganta, como se o meu próprio orgulho me sufoc

