Capítulo 13 — Segredos Expostos
O quarto permaneceu mergulhado num silêncio sufocante.
Lucas continuava parado junto à porta.
A mãe, ainda ao lado da secretária, respirava fundo enquanto tentava compreender tudo o que acabara de descobrir.
Os seus olhos voltaram a percorrer o quarto.
Cada parede parecia contar a mesma história.
Fotografias.
Anotações.
Recortes.
Calendários.
Tudo organizado de forma meticulosa.
Ela aproximou-se novamente da secretária.
Ali estava o computador.
O ecrã ainda estava ligado.
Na imagem de fundo aparecia Nina durante o festival, sorrindo enquanto segurava o pequeno coelho de peluche.
A mãe ficou alguns segundos imóvel.
Depois olhou para Lucas.
— Até o fundo do computador...
Ele não respondeu.
Ao lado do teclado estava o telemóvel dele.
A tela acendeu com uma notificação.
Sem pensar, a mãe olhou para o ecrã.
Também era uma fotografia de Nina.
Ela fechou os olhos por um instante.
— Lucas...
A voz dela tremia.
— Até o teu telemóvel...
O rapaz caminhou lentamente até à secretária.
Pegou no aparelho.
A mãe observava em silêncio.
Ela percebeu que praticamente tudo naquele quarto remetia à mesma pessoa.
O calendário na parede tinha várias datas assinaladas.
Pequenos bilhetes lembravam acontecimentos importantes da escola.
Uma caixa guardava recordações do festival.
Nada daquilo parecia fruto de uma admiração passageira.
Era um padrão que se repetia em todos os detalhes.
A mãe respirou fundo.
— Filho... há quanto tempo isto acontece?
Lucas demorou alguns segundos a responder.
— Desde o primeiro ano em que a vi.
A mãe baixou a cabeça.
— Tanto tempo...
Ele manteve a voz calma.
— Eu nunca consegui esquecê-la.
Ela aproximou-se dele.
— Lucas... isto está a consumir a tua vida.
Ele permaneceu em silêncio.
— Olha para este quarto.
Ela fez um gesto à volta.
— Quase tudo aqui gira à volta da Nina.
O rapaz olhou lentamente para as paredes.
Como se fosse a primeira vez que realmente visse o quarto através dos olhos de outra pessoa.
A mãe continuou, falando com cuidado.
— Gostar de alguém é uma coisa.
— ...
— Mas deixar que uma única pessoa ocupe todo o teu mundo... isso pode fazer-te sofrer e também pode acabar por assustá-la, se um dia ela descobrir.
Lucas apertou a mandíbula.
— Eu nunca quis assustá-la.
— Eu acredito em ti.
Ela segurou as mãos dele.
— Mas é exatamente por acreditar em ti que preciso de dizer isto.
Ele levantou os olhos.
Pela primeira vez, o olhar frio parecia hesitar.
— Se ela é realmente importante para ti... a melhor forma de a manter na tua vida é tratá-la com respeito, dando-lhe espaço para fazer as próprias escolhas e construir essa amizade naturalmente.
Lucas não respondeu.
A mãe sorriu de forma triste.
— Tu mereces ter amigos, filho.
— ...
— Mereces ser feliz.
Mas essa felicidade n******e depender apenas de uma única pessoa.
O quarto voltou a ficar em silêncio.
O relógio marcava quase onze da noite.
Lá fora, a chuva começava a cair lentamente contra a janela.
Lucas olhou mais uma vez para as fotografias espalhadas pelas paredes.
Depois voltou a olhar para a mãe.
Ela não estava zangada.
Estava preocupada.
Muito preocupada.
Sem dizer mais nada, ela deu-lhe um abraço.
No início, Lucas permaneceu imóvel.
Depois, lentamente, retribuiu o abraço.
A mãe fechou os olhos.
Naquele momento, percebeu que o filho precisava de ajuda para lidar com sentimentos que já tinham crescido muito além de uma simples admiração.
E Lucas, pela primeira vez, começou a perceber que esconder aquele segredo durante tantos anos o tinha levado a um caminho cada vez mais solitário.