O limite

499 Words
Capítulo 18 — O Limite Nina ficou completamente imóvel. Os olhos verdes arregalaram-se de tal forma que parecia não conseguir acreditar no que acabara de acontecer. Levou lentamente a mão aos próprios lábios. A respiração acelerou. Deu dois passos para trás. A voz saiu trémula. — E-eu... Ela engoliu em seco. — O... o que foi isso... Lucas? O rapaz permaneceu parado. O álcool, o cansaço e a discussão com os pais deixavam o seu olhar vazio. Ele percebeu o medo e o choque estampados no rosto dela. Baixou imediatamente a cabeça. A voz saiu quase impercetível. — Desculpa... Nina continuava sem conseguir encontrar palavras. O silêncio parecia interminável. Lucas voltou a falar. — Eu... não devia ter feito isso. As mãos dele tremiam. — Desculpa... por favor. Nina respirou fundo, tentando recuperar a calma. Ainda estava abalada. — Lucas... isso... isso não se faz. Ele fechou os olhos. — Eu sei. — Desculpa. A voz dele estava embargada. Durante alguns segundos, nenhum dos dois falou. O vento soprava entre as árvores. Lucas respirou com dificuldade. — Só... Fez uma pausa. — Fica aqui... só alguns minutos. — Por favor. Nina olhou para ele. Apesar do susto, conseguia ver que ele estava emocionalmente descontrolado. Depois de alguns instantes, respondeu com cautela. — Eu fico alguns minutos. — Mas precisas de prometer que vais respeitar o meu espaço. Lucas assentiu imediatamente. — Prometo. Os dois permaneceram em silêncio. Depois de alguns minutos, Nina voltou a falar. — Sabes voltar para casa? Lucas respondeu em voz baixa. — Sei... mas não me sinto muito bem. Ela olhou para as garrafas vazias no chão. — Bebeste... Ele fez um pequeno aceno afirmativo. Nina suspirou. — Onde é a tua casa? Lucas explicou o caminho. Ela ouviu com atenção. — Está bem. — Eu acompanho-te até ao portão para ter a certeza de que chegas em segurança. Lucas levantou lentamente a cabeça. — Obrigado. Começaram a caminhar. O percurso foi lento. Em alguns momentos, Lucas cambaleava por causa do álcool. Quando isso acontecia, Nina limitava-se a indicar-lhe que caminhasse devagar e mantinha uma distância respeitosa, pronta para pedir ajuda se ele caísse ou passasse m*l. Nenhum dos dois falou durante vários minutos. Ao longe, as luzes da casa de Lucas tornaram-se visíveis. Nina apontou para o portão. — É ali? — Sim. Ela parou alguns metros antes da entrada. — Pronto. Chegaste. Lucas olhou para ela. A culpa ainda era visível no seu rosto. — Obrigado... e... desculpa outra vez. Nina respondeu calmamente. — Descansa esta noite. Fez uma pequena pausa. — E amanhã, quando estiveres sóbrio, pensa no que aconteceu. Se queres continuar a ser meu amigo, isso significa respeitar os meus limites. Lucas baixou a cabeça. — Eu compreendo. Nina esperou até o ver entrar em casa. Só depois virou-se e seguiu o caminho para a sua própria casa, ainda em choque com os acontecimentos daquela noite, perguntando-se como um rapaz tão reservado podia estar a carregar um sofrimento tão profundo.
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