Capítulo 18 — O Limite
Nina ficou completamente imóvel.
Os olhos verdes arregalaram-se de tal forma que parecia não conseguir acreditar no que acabara de acontecer.
Levou lentamente a mão aos próprios lábios.
A respiração acelerou.
Deu dois passos para trás.
A voz saiu trémula.
— E-eu...
Ela engoliu em seco.
— O... o que foi isso... Lucas?
O rapaz permaneceu parado.
O álcool, o cansaço e a discussão com os pais deixavam o seu olhar vazio.
Ele percebeu o medo e o choque estampados no rosto dela.
Baixou imediatamente a cabeça.
A voz saiu quase impercetível.
— Desculpa...
Nina continuava sem conseguir encontrar palavras.
O silêncio parecia interminável.
Lucas voltou a falar.
— Eu... não devia ter feito isso.
As mãos dele tremiam.
— Desculpa... por favor.
Nina respirou fundo, tentando recuperar a calma.
Ainda estava abalada.
— Lucas... isso... isso não se faz.
Ele fechou os olhos.
— Eu sei.
— Desculpa.
A voz dele estava embargada.
Durante alguns segundos, nenhum dos dois falou.
O vento soprava entre as árvores.
Lucas respirou com dificuldade.
— Só...
Fez uma pausa.
— Fica aqui... só alguns minutos.
— Por favor.
Nina olhou para ele.
Apesar do susto, conseguia ver que ele estava emocionalmente descontrolado.
Depois de alguns instantes, respondeu com cautela.
— Eu fico alguns minutos.
— Mas precisas de prometer que vais respeitar o meu espaço.
Lucas assentiu imediatamente.
— Prometo.
Os dois permaneceram em silêncio.
Depois de alguns minutos, Nina voltou a falar.
— Sabes voltar para casa?
Lucas respondeu em voz baixa.
— Sei... mas não me sinto muito bem.
Ela olhou para as garrafas vazias no chão.
— Bebeste...
Ele fez um pequeno aceno afirmativo.
Nina suspirou.
— Onde é a tua casa?
Lucas explicou o caminho.
Ela ouviu com atenção.
— Está bem.
— Eu acompanho-te até ao portão para ter a certeza de que chegas em segurança.
Lucas levantou lentamente a cabeça.
— Obrigado.
Começaram a caminhar.
O percurso foi lento.
Em alguns momentos, Lucas cambaleava por causa do álcool.
Quando isso acontecia, Nina limitava-se a indicar-lhe que caminhasse devagar e mantinha uma distância respeitosa, pronta para pedir ajuda se ele caísse ou passasse m*l.
Nenhum dos dois falou durante vários minutos.
Ao longe, as luzes da casa de Lucas tornaram-se visíveis.
Nina apontou para o portão.
— É ali?
— Sim.
Ela parou alguns metros antes da entrada.
— Pronto. Chegaste.
Lucas olhou para ela.
A culpa ainda era visível no seu rosto.
— Obrigado... e... desculpa outra vez.
Nina respondeu calmamente.
— Descansa esta noite.
Fez uma pequena pausa.
— E amanhã, quando estiveres sóbrio, pensa no que aconteceu. Se queres continuar a ser meu amigo, isso significa respeitar os meus limites.
Lucas baixou a cabeça.
— Eu compreendo.
Nina esperou até o ver entrar em casa.
Só depois virou-se e seguiu o caminho para a sua própria casa, ainda em choque com os acontecimentos daquela noite, perguntando-se como um rapaz tão reservado podia estar a carregar um sofrimento tão profundo.