Sentimentos confusos

456 Words
Capítulo 19 — Sentimentos Confusos A noite estava silenciosa. Nina caminhava devagar pelas ruas em direção a casa. Os seus passos eram lentos. A cabeça estava cheia de pensamentos. Levou uma mão aos lábios por um breve instante e logo a baixou novamente. Respirou fundo. — O que aconteceu hoje...? A voz saiu num sussurro. Ela ainda conseguia ver a expressão de Lucas quando ele lhe pediu desculpa. Não parecia a*******e. Nem zangado. Parecia apenas... completamente perdido. Ela fechou os olhos por um momento. Desde que Lucas se tornara seu amigo, sempre a tratara com respeito na escola. Nunca lhe levantara a voz. Nunca a tinha magoado. Pelo contrário, fazia-lhe companhia, ajudava-a nos trabalhos e ouvia tudo o que ela dizia. Sem perceber quando aconteceu, Nina começou a sorrir sempre que ele estava por perto. Gostava de conversar com ele. Gostava do silêncio confortável entre os dois. E gostava da forma como ele parecia prestar atenção a tudo o que ela dizia. Corou ligeiramente. — Será que... eu gosto dele? A pergunta ficou no ar. Ela nunca tinha pensado seriamente nisso. Mas, naquela noite, foi obrigada a enfrentar os próprios sentimentos. Parou diante de um pequeno jardim. Olhou para o céu. — Acho que... sim... Um sorriso tímido apareceu por um instante. Mas desapareceu logo em seguida. A lembrança do que acontecera voltou imediatamente. Ela baixou a cabeça. — Mas aquilo não devia ter acontecido... Suspirou. — Ele não estava em condições de pensar direito. Lembrou-se do cheiro a álcool. Do olhar cansado. Da tristeza na voz dele. E do pedido de desculpas que fizera logo a seguir. — Amanhã... Ela apertou o saco da padaria contra o peito. — Quero falar com ele quando estiver calmo. Quero saber se ele se lembra do que aconteceu... e como se sente de verdade. Não quero tirar conclusões por causa de uma noite em que ele não estava bem. Pouco depois, chegou a casa. A mãe abriu a porta. — Nina! Já estava preocupada. — Desculpa, mãe. — Aconteceu alguma coisa? Nina hesitou por um instante. Depois sorriu de forma discreta. — Não... só encontrei um colega da escola que precisava de ajuda para chegar a casa. A mãe assentiu. — Fizeste bem em ajudá-lo. Nina respondeu com um pequeno sorriso. — Espero que ele fique melhor. Subiu para o quarto. Assim que fechou a porta, sentou-se na cama e abraçou o pequeno coelho de peluche que Lucas lhe tinha dado. Olhou para ele durante alguns segundos. Um leve rubor voltou ao seu rosto. — Lucas... Sorriu de forma tímida. Mas, logo depois, abanou a cabeça. — Amanhã... quero conversar contigo. Quero ouvir-te quando estiveres completamente sóbrio. Só então vou perceber o que realmente querias dizer naquela noite.
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