Capítulo 19 — Sentimentos Confusos
A noite estava silenciosa.
Nina caminhava devagar pelas ruas em direção a casa.
Os seus passos eram lentos.
A cabeça estava cheia de pensamentos.
Levou uma mão aos lábios por um breve instante e logo a baixou novamente.
Respirou fundo.
— O que aconteceu hoje...?
A voz saiu num sussurro.
Ela ainda conseguia ver a expressão de Lucas quando ele lhe pediu desculpa.
Não parecia a*******e.
Nem zangado.
Parecia apenas... completamente perdido.
Ela fechou os olhos por um momento.
Desde que Lucas se tornara seu amigo, sempre a tratara com respeito na escola.
Nunca lhe levantara a voz.
Nunca a tinha magoado.
Pelo contrário, fazia-lhe companhia, ajudava-a nos trabalhos e ouvia tudo o que ela dizia.
Sem perceber quando aconteceu, Nina começou a sorrir sempre que ele estava por perto.
Gostava de conversar com ele.
Gostava do silêncio confortável entre os dois.
E gostava da forma como ele parecia prestar atenção a tudo o que ela dizia.
Corou ligeiramente.
— Será que... eu gosto dele?
A pergunta ficou no ar.
Ela nunca tinha pensado seriamente nisso.
Mas, naquela noite, foi obrigada a enfrentar os próprios sentimentos.
Parou diante de um pequeno jardim.
Olhou para o céu.
— Acho que... sim...
Um sorriso tímido apareceu por um instante.
Mas desapareceu logo em seguida.
A lembrança do que acontecera voltou imediatamente.
Ela baixou a cabeça.
— Mas aquilo não devia ter acontecido...
Suspirou.
— Ele não estava em condições de pensar direito.
Lembrou-se do cheiro a álcool.
Do olhar cansado.
Da tristeza na voz dele.
E do pedido de desculpas que fizera logo a seguir.
— Amanhã...
Ela apertou o saco da padaria contra o peito.
— Quero falar com ele quando estiver calmo.
Quero saber se ele se lembra do que aconteceu... e como se sente de verdade.
Não quero tirar conclusões por causa de uma noite em que ele não estava bem.
Pouco depois, chegou a casa.
A mãe abriu a porta.
— Nina! Já estava preocupada.
— Desculpa, mãe.
— Aconteceu alguma coisa?
Nina hesitou por um instante.
Depois sorriu de forma discreta.
— Não... só encontrei um colega da escola que precisava de ajuda para chegar a casa.
A mãe assentiu.
— Fizeste bem em ajudá-lo.
Nina respondeu com um pequeno sorriso.
— Espero que ele fique melhor.
Subiu para o quarto.
Assim que fechou a porta, sentou-se na cama e abraçou o pequeno coelho de peluche que Lucas lhe tinha dado.
Olhou para ele durante alguns segundos.
Um leve rubor voltou ao seu rosto.
— Lucas...
Sorriu de forma tímida.
Mas, logo depois, abanou a cabeça.
— Amanhã... quero conversar contigo.
Quero ouvir-te quando estiveres completamente sóbrio.
Só então vou perceber o que realmente querias dizer naquela noite.