Um lugar ao lado dela

776 Words
Capítulo 2 — Um Lugar ao Lado Dela O segundo dia da semana começou como qualquer outro. Os corredores estavam movimentados, os alunos conversavam em grupos e o barulho das salas já podia ser ouvido antes mesmo do primeiro sinal. Lucas entrou na escola com as mãos nos bolsos do uniforme. Seu rosto permanecia inexpressivo. Ele não cumprimentava ninguém. Enquanto caminhava, seu olhar procurava apenas uma pessoa. No portão principal... Ela apareceu. Nina. Ela caminhava distraída, segurando a mochila contra o peito enquanto observava o céu azul. — Que dia bonito... — murmurou para si mesma, sorrindo. Lucas ficou parado por alguns segundos, observando-a atravessar o pátio. "Ela sorriu antes mesmo de entrar na escola..." "Ela parece feliz hoje." Ele seguiu para a sala. Poucos minutos depois, Nina entrou. Sentou-se em seu lugar de sempre. A aula começou normalmente. Na terceira aula, porém, a professora bateu palmas. — Atenção, turma. Hoje vamos fazer um trabalho em duplas. Imediatamente vários alunos começaram a escolher seus parceiros. — Ei, faz comigo! — Já combinei com ela! — Vamos nós dois! Nina permaneceu sentada. Ela olhava discretamente ao redor, sem saber com quem faria dupla. Antes que pudesse perguntar a alguém, a professora voltou a falar. — Como ainda há alguns alunos sem dupla, eu mesma vou organizar. Ela começou a olhar a lista de chamada. — Lucas... Ele levantou apenas os olhos. — Você fará dupla com... A professora sorriu. — Nina. Por alguns segundos, a sala ficou em silêncio. Lucas apenas respondeu: — Certo. Nina levantou rapidamente da cadeira e caminhou até a carteira dele. Ela sorriu de forma tímida. — O-oi... Lucas apenas fez um pequeno movimento afirmativo com a cabeça. — Oi. Era a primeira vez que conversavam. Nina colocou os livros sobre a mesa. — Espero não atrapalhar... — Não atrapalha. Ela sorriu mais uma vez. — Que bom... Durante o trabalho, Nina falava bastante. — Você escreve muito bonito. Lucas continuava escrevendo. — Obrigado. — Você sempre tira notas altas, né? — Sim. — Nossa... você deve estudar bastante. — Estudo o necessário. Nina deu uma pequena risada. — Você fala pouco. Lucas apenas olhou para ela. — É. Ela apoiou o rosto na mão. — Mas acho que você parece uma pessoa legal. Ele permaneceu em silêncio. Ninguém jamais havia dito aquilo para ele. ... Depois de quase uma hora, terminaram o trabalho antes de todas as outras duplas. A professora ficou surpresa. — Excelente. Foi o primeiro g***o a concluir. Nina sorriu feliz. — Conseguimos! Lucas apenas observou aquele sorriso. "Ela ficou feliz..." "Ela sorri de verdade quando consegue alguma coisa." Ele guardou essa informação em silêncio. ... Quando o sinal do intervalo tocou, Nina saiu da sala. Lucas esperou alguns segundos e caminhou atrás, mantendo certa distância. Ela foi até a biblioteca. Entrou devagar e começou a observar as prateleiras. Pegou um livro de contos ilustrados e sentou-se perto da janela. Enquanto lia, sorria em alguns trechos e fazia pequenas expressões de surpresa. Lucas permaneceu do lado de fora, sem entrar. Não queria interrompê-la. Apenas observava de longe. "Ela gosta de histórias leves..." "Ela prefere ficar na biblioteca durante o intervalo." "Ela sempre segura o livro com as duas mãos." Mais detalhes eram gravados em sua memória. ... Na saída da biblioteca, Nina tropeçou no próprio cadarço. — Ai! Antes que caísse, uma mão segurou seu braço. Era Lucas. Ela arregalou os olhos. — Ah... Ficou alguns segundos sem reação. Depois sorriu. — Obrigada. Lucas soltou seu braço lentamente. — Tome cuidado. Ela olhou para os próprios pés. — Eu vivo tropeçando... Lucas abaixou os olhos. O cadarço realmente estava desamarrado. Sem dizer nada, ele se ajoelhou e amarrou o cadarço do tênis dela. Nina ficou completamente surpresa. — N-não precisava... — Você poderia cair de novo. Ela sorriu, um pouco corada pela gentileza inesperada. — Mesmo assim... obrigada. Lucas se levantou. Por um breve instante, os dois ficaram apenas olhando um para o outro. Então Nina abriu um sorriso caloroso. — Você é bem mais gentil do que parece. Lucas não respondeu. Mas, pela primeira vez em muito tempo, uma sensação diferente passou por sua mente. Não era felicidade. Era algo que ele não sabia explicar. Nina se despediu com um aceno. — Até logo, Lucas! Ela saiu caminhando pelo corredor, distraída como sempre. Lucas permaneceu parado, observando-a desaparecer entre os estudantes. Em seu rosto, nada mudava. Por dentro, porém, um pensamento se repetia, cada vez mais forte: "Ela falou comigo de novo..." "Ela sorriu para mim..." "Agora ela sabe o meu nome." E, sem que Nina imaginasse, cada pequena interação fazia a obsessão de Lucas crescer ainda mais.
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