Um domingo tranquilo

524 Words
Capítulo 10 — Um Domingo Tranquilo O domingo amanheceu calmo. Os raios de sol atravessavam as cortinas do quarto de Lucas, iluminando lentamente as paredes. O despertador tocou às oito da manhã. Lucas abriu os olhos e desligou-o imediatamente. Ficou alguns segundos deitado, olhando para o teto. O festival da escola tinha terminado no dia anterior, mas as lembranças continuavam vivas na sua mente. "Ela sorriu..." "Ela abraçou o coelho de peluche..." "Ela disse que eu era o amigo dela..." Levantou-se da cama e foi até à janela. Abriu as cortinas. Lá fora, a rua estava tranquila. Algumas crianças brincavam nas bicicletas, vizinhos passeavam os cães e o vento balançava as árvores. Lucas permaneceu em silêncio por alguns instantes. Depois saiu do quarto. ... Na cozinha, a mãe preparava o pequeno-almoço. — Bom dia, filho. — Bom dia. — Hoje acordaste mais tarde. — Sim. Ela colocou panquecas e um copo de leite sobre a mesa. — Aproveita. É domingo. Lucas sentou-se. O pai entrou logo depois. — Bom dia. — Bom dia. Os três tomaram o pequeno-almoço em silêncio durante alguns minutos. Então a mãe perguntou: — Como foi o festival ontem? Lucas respondeu calmamente. — Foi divertido. A mãe sorriu. — Fizeste algum amigo novo? Ele pensou por um instante. — Sim. Ela pareceu surpresa. — Fico muito feliz em ouvir isso. O pai sorriu discretamente. — Ter amigos faz bem. Lucas apenas fez um pequeno aceno com a cabeça. ... Depois de terminar o pequeno-almoço, voltou para o quarto. Fechou a porta. O quarto permanecia impecavelmente organizado. Foi até à estante e pegou no vaso de cerâmica que tinha pintado no festival. Observou-o durante alguns segundos. Em seguida, colocou-o cuidadosamente sobre uma prateleira. Abriu uma gaveta da secretária. Retirou o diário de capa preta. Sentou-se. Folheou lentamente as páginas já preenchidas. Cada dia continha uma lembrança diferente. Parou na página do festival. Leu tudo novamente. Sem acrescentar mais nada, fechou o diário e guardou-o. Respirou fundo. Olhou para o calendário preso na parede. Com uma caneta, fez um círculo à volta da segunda-feira. — Amanhã volto a vê-la... Murmurou em voz baixa. Depois abriu um livro da escola. Apesar de tentar estudar, a sua concentração desaparecia sempre que se lembrava do sorriso de Nina. ... Na casa de Nina... Ela estava sentada no chão da sala. O pequeno coelho de peluche encontrava-se ao seu lado. A mãe sorriu ao vê-la. — Gostaste mesmo desse peluche. — Muito! Nina abraçou o brinquedo. — Foi um amigo da escola que me deu. — Então deves guardá-lo com carinho. — Vou guardar. Ela levantou-se. — Acho que vou colocá-lo na prateleira do meu quarto. Subiu as escadas animada. Entrou no quarto e colocou o coelho ao lado dos seus livros favoritos. Sorriu satisfeita. — Assim fica perfeito. Sem imaginar, naquele mesmo instante, Lucas também pensava nela. Os dois passavam aquele domingo em casas diferentes, vivendo rotinas completamente distintas. Para Nina, era apenas um fim de semana feliz, marcado por um novo amigo e por um presente especial. Para Lucas, era um dia de espera. A espera por segunda-feira, quando voltaria a vê-la na escola.
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