O início de uma nova semana

735 Words
Capítulo 15 — O Início de uma Nova Semana O despertador tocou às seis horas da manhã. O som ecoou pelo quarto silencioso. Lucas abriu os olhos imediatamente. Por alguns instantes, permaneceu deitado, olhando para o teto. Era segunda-feira. O primeiro dia de aulas depois do festival. Respirou fundo. Levantou-se da cama e começou a arrumar os lençóis com o mesmo cuidado de sempre. Foi até ao guarda-roupa, vestiu o uniforme da escola e ajeitou a gravata diante do espelho. O seu rosto continuava sério, sem demonstrar qualquer emoção. Mas, por dentro, um pensamento ocupava a sua mente. "Hoje vou voltar a vê-la." --- No andar de baixo, a mãe já preparava o pequeno-almoço. Quando Lucas entrou na cozinha, ela levantou os olhos. — Bom dia, filho. — Bom dia. Ela sorriu de forma discreta. Depois da conversa da noite anterior, não queria pressioná-lo. — Dormiste bem? — Sim. O pai entrou logo depois. — Bom dia. — Bom dia. Os três sentaram-se à mesa. O ambiente estava mais silencioso do que o habitual. A mãe serviu café para si e leite para Lucas. — Fiz panquecas. — Obrigado. Lucas começou a comer calmamente. O pai observava-o por alguns instantes. — Como te sentes? Lucas levantou o olhar. — Bem. — Preparado para mais uma semana? — Sim. O pai fez um pequeno sorriso. — Espero que corra tudo bem. Lucas apenas assentiu. Terminou o pequeno-almoço, colocou o prato na banca e pegou na mochila. Antes de sair, a mãe aproximou-se. — Lucas... Ele virou-se. Ela sorriu com carinho. — Tem um bom dia. — Obrigado. Ela hesitou por um instante. — E lembra-te... aproveita a companhia dos teus amigos. Lucas fez um pequeno aceno. — Está bem. Saiu de casa. --- O ar da manhã estava fresco. As ruas ainda estavam relativamente vazias. Enquanto caminhava até à escola, via estudantes de diferentes turmas seguirem o mesmo caminho. Alguns conversavam alto. Outros caminhavam em grupos. Lucas seguia sozinho. Ao aproximar-se do portão principal, olhou automaticamente em volta. Ainda não a tinha visto. Entrou no recinto. Subiu as escadas. Chegou à sala. Como de costume, era um dos primeiros. Sentou-se na última carteira, junto à janela. Olhou para o relógio. Ainda faltavam alguns minutos para o início das aulas. Os alunos começaram a entrar. O barulho da sala aumentava. Até que... A porta abriu-se. Nina entrou. Trazia a mochila às costas e o mesmo sorriso alegre de sempre. Assim que os seus olhos encontraram Lucas, ela levantou a mão. — Bom dia, Lucas! Ele respondeu com um leve movimento da cabeça. — Bom dia. Ela aproximou-se da carteira dele. — Como foi o teu domingo? — Tranquilo. — O meu também! Ela sorriu. — Sabes o que aconteceu? Lucas esperou que ela continuasse. — O meu pai acabou por brincar o resto da tarde com o coelho de peluche que me deste. Ela começou a rir. — Disse que parecia uma criança. Lucas respondeu calmamente. — E ele gostou? — Muito! Ela sorriu. — Mas eu não deixei que ele levasse o coelho para a sala. Lucas arqueou ligeiramente uma sobrancelha. — Porquê? Nina respondeu naturalmente. — Porque é um presente especial. As palavras fizeram Lucas permanecer em silêncio por alguns segundos. Ela continuou. — Coloquei-o na prateleira do meu quarto. — Fico contente que tenhas gostado. Nina sorriu outra vez. — Gostei mesmo. Nesse momento, o professor entrou na sala. — Bom dia, turma! — Bom dia! Todos voltaram aos seus lugares. A aula começou. Durante a explicação, o professor anunciou: — Dentro de duas semanas teremos uma visita de estudo ao museu da cidade. Durante esta semana entregarei as autorizações para levarem aos vossos pais. A sala encheu-se de comentários animados. Nina virou-se discretamente para Lucas e cochichou: — Espero que possamos ir. Lucas respondeu em voz baixa: — Também espero. Ela sorriu antes de voltar a prestar atenção ao professor. Sentado na última carteira, Lucas observou por um instante a colega à sua frente. Pela primeira vez desde que a conhecia, não pensava apenas em observá-la. As palavras dos pais na noite anterior continuavam presentes na sua mente. Se quisesse manter aquela amizade, teria de aprender a respeitar os limites de Nina e a deixá-la escolher, livremente, fazer parte da sua vida. Era um desafio difícil para ele, mas a nova semana começava trazendo a oportunidade de dar os primeiros passos nessa direção.
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