Capítulo 15 — O Início de uma Nova Semana
O despertador tocou às seis horas da manhã.
O som ecoou pelo quarto silencioso.
Lucas abriu os olhos imediatamente.
Por alguns instantes, permaneceu deitado, olhando para o teto.
Era segunda-feira.
O primeiro dia de aulas depois do festival.
Respirou fundo.
Levantou-se da cama e começou a arrumar os lençóis com o mesmo cuidado de sempre.
Foi até ao guarda-roupa, vestiu o uniforme da escola e ajeitou a gravata diante do espelho.
O seu rosto continuava sério, sem demonstrar qualquer emoção.
Mas, por dentro, um pensamento ocupava a sua mente.
"Hoje vou voltar a vê-la."
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No andar de baixo, a mãe já preparava o pequeno-almoço.
Quando Lucas entrou na cozinha, ela levantou os olhos.
— Bom dia, filho.
— Bom dia.
Ela sorriu de forma discreta.
Depois da conversa da noite anterior, não queria pressioná-lo.
— Dormiste bem?
— Sim.
O pai entrou logo depois.
— Bom dia.
— Bom dia.
Os três sentaram-se à mesa.
O ambiente estava mais silencioso do que o habitual.
A mãe serviu café para si e leite para Lucas.
— Fiz panquecas.
— Obrigado.
Lucas começou a comer calmamente.
O pai observava-o por alguns instantes.
— Como te sentes?
Lucas levantou o olhar.
— Bem.
— Preparado para mais uma semana?
— Sim.
O pai fez um pequeno sorriso.
— Espero que corra tudo bem.
Lucas apenas assentiu.
Terminou o pequeno-almoço, colocou o prato na banca e pegou na mochila.
Antes de sair, a mãe aproximou-se.
— Lucas...
Ele virou-se.
Ela sorriu com carinho.
— Tem um bom dia.
— Obrigado.
Ela hesitou por um instante.
— E lembra-te... aproveita a companhia dos teus amigos.
Lucas fez um pequeno aceno.
— Está bem.
Saiu de casa.
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O ar da manhã estava fresco.
As ruas ainda estavam relativamente vazias.
Enquanto caminhava até à escola, via estudantes de diferentes turmas seguirem o mesmo caminho.
Alguns conversavam alto.
Outros caminhavam em grupos.
Lucas seguia sozinho.
Ao aproximar-se do portão principal, olhou automaticamente em volta.
Ainda não a tinha visto.
Entrou no recinto.
Subiu as escadas.
Chegou à sala.
Como de costume, era um dos primeiros.
Sentou-se na última carteira, junto à janela.
Olhou para o relógio.
Ainda faltavam alguns minutos para o início das aulas.
Os alunos começaram a entrar.
O barulho da sala aumentava.
Até que...
A porta abriu-se.
Nina entrou.
Trazia a mochila às costas e o mesmo sorriso alegre de sempre.
Assim que os seus olhos encontraram Lucas, ela levantou a mão.
— Bom dia, Lucas!
Ele respondeu com um leve movimento da cabeça.
— Bom dia.
Ela aproximou-se da carteira dele.
— Como foi o teu domingo?
— Tranquilo.
— O meu também!
Ela sorriu.
— Sabes o que aconteceu?
Lucas esperou que ela continuasse.
— O meu pai acabou por brincar o resto da tarde com o coelho de peluche que me deste.
Ela começou a rir.
— Disse que parecia uma criança.
Lucas respondeu calmamente.
— E ele gostou?
— Muito!
Ela sorriu.
— Mas eu não deixei que ele levasse o coelho para a sala.
Lucas arqueou ligeiramente uma sobrancelha.
— Porquê?
Nina respondeu naturalmente.
— Porque é um presente especial.
As palavras fizeram Lucas permanecer em silêncio por alguns segundos.
Ela continuou.
— Coloquei-o na prateleira do meu quarto.
— Fico contente que tenhas gostado.
Nina sorriu outra vez.
— Gostei mesmo.
Nesse momento, o professor entrou na sala.
— Bom dia, turma!
— Bom dia!
Todos voltaram aos seus lugares.
A aula começou.
Durante a explicação, o professor anunciou:
— Dentro de duas semanas teremos uma visita de estudo ao museu da cidade. Durante esta semana entregarei as autorizações para levarem aos vossos pais.
A sala encheu-se de comentários animados.
Nina virou-se discretamente para Lucas e cochichou:
— Espero que possamos ir.
Lucas respondeu em voz baixa:
— Também espero.
Ela sorriu antes de voltar a prestar atenção ao professor.
Sentado na última carteira, Lucas observou por um instante a colega à sua frente.
Pela primeira vez desde que a conhecia, não pensava apenas em observá-la.
As palavras dos pais na noite anterior continuavam presentes na sua mente.
Se quisesse manter aquela amizade, teria de aprender a respeitar os limites de Nina e a deixá-la escolher, livremente, fazer parte da sua vida. Era um desafio difícil para ele, mas a nova semana começava trazendo a oportunidade de dar os primeiros passos nessa direção.