Capítulo 5:verdades e decisões

637 Words
Os dias passaram e, com eles, a rotina de Isabela começou a se restabelecer. Ela ainda pensava em Lucas, mas a intensidade da dúvida que antes a dominava começou a se dissipar um pouco. A conversa com Camila ajudou a clarear seus sentimentos e, embora a incerteza permanecesse, ela decidiu que precisava ser honesta consigo mesma e com Lucas. Naquela sexta-feira, após o expediente, ela decidiu convidá-lo para tomar um café. Era uma maneira leve de se reencontrarem, sem a pressão de grandes conversas. Assim que enviou a mensagem, a ansiedade começou a borbulhar em seu estômago. Quando Lucas respondeu que aceitaria o convite, Isabela sentiu uma onda de alívio e, ao mesmo tempo, nervosismo. Havia algo de promissor naquela noite, mas também um peso que ela sabia que precisava enfrentar. — E então, como foi o dia? — Lucas perguntou ao se sentar à sua frente na pequena cafeteria da cidade. O local tinha um ar acolhedor, com paredes de tijolos expostos e luzes pendentes que criavam um clima aconchegante. — Normal — respondeu Isabela, tentando esconder a tensão em sua voz. — Muitas flores e poucos clientes. Lucas sorriu, o olhar dele suavemente curioso. — E você? Está aproveitando a cidade? Ela respirou fundo, decidindo que era hora de ser direta. — Estou. Mas também estou pensando muito sobre nós dois, sobre o que significa sua volta. Ele a observou com atenção, sem desviar o olhar. Havia uma seriedade nele que a deixava nervosa, mas ao mesmo tempo animada. — É, eu também. Desde que voltei, tenho tentado entender tudo — Lucas disse, os olhos brilhando com sinceridade. — E eu sei que não posso mudar o passado, mas estou aqui agora e quero tentar. — Tentar o quê, exatamente? — ela perguntou, a voz firme, mas seu coração batendo rápido. — Tentar ser a pessoa que você merece. A pessoa que eu não fui antes — respondeu ele, a sinceridade na voz fazendo o estômago de Isabela se contorcer. — Eu sei que causei dor e que isso não é fácil de esquecer. Mas gostaria de ter a oportunidade de fazer as coisas de forma diferente. Isabela sentiu uma mistura de emoções. Havia uma parte dela que queria acreditar, mas outra que se lembrava das feridas ainda abertas. O que ele estava dizendo era bonito, mas será que era real? — Lucas, eu… — começou, hesitando. — Eu ainda amo você. Mas tenho medo. Medo de que você não seja a pessoa que eu imagino, e que isso me machuque de novo. Ele assentiu, parecendo compreender cada palavra que ela dizia. — Eu entendo, Isa. E, honestamente, também estou com medo. Mas, ao mesmo tempo, não quero perder a chance de tentar novamente. A atmosfera entre eles estava carregada de sentimentos não ditos. O café e os sorrisos pareciam distantes agora, enquanto a tensão entre os dois crescia. — E se você não conseguir? — perguntou Isabela, sua voz quase um sussurro. — Eu não vou saber até tentar. Mas estou disposto a fazer isso, se você me deixar. Podemos ir devagar, se precisar — Lucas ofereceu, o olhar firme e seguro. Ela se sentiu invadida por uma onda de emoção. O que Lucas estava dizendo era a coisa mais sincera que já ouvira dele. E, por um instante, seu coração bateu mais rápido, impulsionando a esperança que estava adormecida dentro dela. — Tudo bem — disse ela, decidindo-se. — Vamos tentar. Lucas sorriu, e Isabela sentiu o peso de suas palavras se dissipar, mesmo que por um momento. Havia algo ali, uma possibilidade que antes parecia tão distante, agora estava ao alcance. A conversa seguiu, cheia de risadas e momentos de reconexão. Mas a promessa de que as coisas seriam diferentes ainda pairava entre eles, como uma sombra gentil que acompanhava cada palavra.
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