Nos dias seguintes, Isabela e Lucas começaram a se encontrar com mais frequência. Um café aqui, uma caminhada ali. As conversas eram leves, mas, por trás do riso, havia uma expectativa crescente. Ambos pareciam estar cientes de que estavam construindo uma nova ponte, algo que poderia levá-los a um lugar diferente.
Em um dos encontros, enquanto caminhavam pelo parque da cidade, Lucas se virou para ela, seu olhar sério novamente.
— Eu pensei muito sobre o que você disse na cafeteria. Eu não quero que você sinta que precisa me dar uma segunda chance apenas por causa do que aconteceu antes. É sobre o que podemos construir agora.
Isabela assentiu, reconhecendo a profundidade da sinceridade dele.
— Eu quero acreditar que podemos. Mas isso leva tempo. Não posso simplesmente esquecer o passado, e você também não pode.
— Claro. Então vamos levar o tempo que precisarmos. Não precisa ser nada apressado.
Enquanto caminhavam, Isabela percebeu que a vulnerabilidade de Lucas a fazia se sentir mais segura. Ele estava disposto a encarar o que vier pela frente, e isso a deixava animada e ao mesmo tempo nervosa.
— Que tal fazermos algo diferente? — ela sugeriu, enquanto passavam por uma pequena sorveteria. O calor do final de tarde parecia pedir por algo refrescante.
— Como um sorvete? — Lucas perguntou, fazendo uma cara de brincadeira.
— Exatamente! — Isabela riu. — Sorvete é sempre uma boa ideia.
Enquanto estavam na fila, Isabela sentiu uma onda de nostalgia a invadir. As pequenas coisas, como a música tocando ao fundo e as risadas ao redor, pareciam lembranças de momentos que ela pensou ter perdido para sempre.
Quando receberam os sorvetes, eles se sentaram em um banco próximo, onde o sol começava a se pôr, pintando o céu de laranja e rosa.
— Sabe, isso me lembra de quando íamos àquele parque de diversões no verão — disse Lucas, a voz cheia de lembranças.
— Sim! E você sempre insistia em ir na montanha-russa — Isabela respondeu, rindo. — Eu tinha tanto medo.
— E eu sempre te empurrava, certo? — Lucas brincou, fazendo uma expressão exagerada.
— Exatamente! — ela riu, lembrando-se de como ele sempre tinha sido seu “empurrador” para se aventurar. Mas, ao mesmo tempo, isso também a fez pensar sobre os riscos que estava disposta a correr agora.
Enquanto conversavam e compartilhavam lembranças, Isabela percebeu que as barreiras que havia construído ao longo dos anos começaram a se dissipar. A cada risada, a cada história compartilhada, algo em seu coração se aquecia. Poderia ser que a chance de reescrever a história deles estava ali, nas pequenas coisas?
Quando a conversa mudou para planos futuros, Lucas olhou para ela, os olhos cheios de expectativa.
— E se fizéssemos uma viagem para um lugar novo? Apenas nós dois. Um fim de semana em uma cidade próxima, só para nos conhecermos de novo, sem pressões.
A ideia a pegou de surpresa. Um fim de semana com Lucas, longe da cidade e do passado. O pensamento era empolgante e assustador ao mesmo tempo.
— Eu… nunca fiz algo assim depois de tudo — disse ela, hesitante.
— Eu sei, mas podemos tentar. Se não funcionar, não tem problema. Podemos voltar e continuar como estamos. Mas e se for incrível?
Isabela olhou para ele, sentindo o calor das palavras. O risco era maior do que qualquer sorvete derretendo em suas mãos. Mas, ao mesmo tempo, havia algo ali que ela não queria deixar passar.
— Vamos! — decidiu, um sorriso amplo iluminando seu rosto. — Um fim de semana de aventura, então.
A expressão de Lucas se iluminou, e ela percebeu que, talvez, esse poderia ser o primeiro passo para deixar o passado para trás e abrir espaço para algo novo.