Gavião Abri os olhos com a claridade invadindo o quarto, e a lembrança de onde estava veio na mente. O colchão tava afundado, lençol amarrotado. Minha cabeça latejava, e a memória ainda vinha aos poucos. Lembrei da noite passada, de ter brotado na base de uma loira. Tava tão chapado que não sabia nem como vim parar aqui. Levantei devagar, sem fazer barulho, pra não acordar ela. Tava deitada de lado, dormindo, com o cabelo espalhado no travesseiro. Peguei minha camisa no chão, calcei o tênis e fui saindo de fininho. Mas não deu nem três passos e escutei a voz dela. – Já vai? Tem nem uma despedida? Gavião: Tá tardão, gata. Tenho que ir, mas aí pra tu – abri a carteira e deixei duas notas de duzentos no criado mudo. Não que ela fosse p**a, mas era um agrado pelo menos. – Quando que a gen

