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Grávida de um Bilionário que Nunca Conheci

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Blurb

Como Lily Carter podia estar grávida de um bilionário que nunca tinha visto na vida?

Seu marido a traiu, engravidou outra mulher e ainda deixou claro que jamais queria ter um filho com ela.

Então, Lily pediu o divórcio.

Mas, quando achou que finalmente poderia recomeçar, uma ligação do hospital virou sua vida de cabeça para baixo.

Ela estava grávida.

E o pai do bebê era Henry Thornton, um bilionário poderoso e misterioso.

Um homem que Lily não conhecia.

Ou pelo menos era o que ela pensava.

Porque Henry já a conhecia.

Já tinha salvado ela uma vez.

Já não conseguia tirá-la da cabeça.

Só não imaginava que ela era a mulher que carregava seu filho.

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Capítulo 1
  No dia em que a terceira tentativa de inseminação artificial de Lily Carter deu errado, seu marido estava no mesmo hospital, celebrando a gravidez de outra mulher.   — Sinto muito, Sra. Carter. Desta vez também não deu certo.   Lily continuou deitada na mesa de exame. Sob seus dedos tensos, o lençol de papel farfalhava.   Por alguns instantes, ela não reagiu.   Era a terceira tentativa.   A terceira vez que tinha ido sozinha ao hospital. Que tinha enfrentado o procedimento sozinha. Que tinha esperado por um resultado capaz de lhe dar, enfim, um motivo para continuar.   E, mais uma vez, tinha fracassado.   O Dr. Smith consultou o laudo antes de encará-la. Apesar da perplexidade evidente, suavizou a voz.   — Você e seu marido são casados oficialmente. Pelos exames anteriores, nenhum dos dois apresenta problemas de fertilidade. Posso perguntar por que vocês continuam recorrendo à inseminação artificial?   O rosto de Lily ardeu de vergonha.   Por quê?   Porque o marido não tocava nela.   Porque Ethan Blake nunca tinha aceitado de verdade aquele casamento.   Naquele dia, completavam três anos de casados. E lá estava ela, deitada numa sala de exames, tentando engravidar por meio de um procedimento que o marido m*l aceitava.   Lily se sentou devagar e fechou o casaco em torno do corpo.   — Temos nossos motivos.   O Dr. Smith não insistiu.   — Se ainda quiser continuar, seu marido vai precisar voltar para fornecer uma nova amostra de sêmen no próximo ciclo.   Ela baixou os olhos.   — Entendo.   Ao sair do consultório, Lily ficou algum tempo sozinha no corredor antes de pegar o celular.   Ethan demorou a atender. Quando finalmente atendeu, sua voz estava fria e impaciente.   — O que foi?   Lily apertou o laudo.   — O médico disse que falhou de novo. Se quisermos continuar tentando, você precisa voltar ao hospital mais uma vez.   Houve um breve silêncio.   Então Ethan soltou uma risada sem humor.   — Lily, você ainda não cansou disso?   O coração dela despencou.   — Se meu avô não tivesse me obrigado, eu nem teria me casado com você. E agora você ainda quer me arrastar para ter um filho?   A garganta de Lily se fechou.   — Só mais uma vez. Por favor.   — Não.   Seco. Definitivo.   Antes que ela pudesse responder, Ethan desligou.   Lily encarou a tela apagada, com os dedos gelados em torno do aparelho.   Depois de três anos, já deveria estar acostumada à crueldade dele.   Mesmo assim, ainda doía.   Ela respirou fundo, obrigou-se a se levantar e seguiu em direção à saída.   Para chegar aos elevadores, precisava passar pela ala VIP da obstetrícia.   Lily não pretendia olhar para dentro, mas duas enfermeiras cruzaram o corredor às pressas, falando baixo.   — Por que você demorou tanto? A paciente da sala VIP 3 já perguntou por você duas vezes.   — É só uma consulta de pré-natal, não uma emergência.   — Fale baixo. O Sr. Blake está lá dentro com ela.   Lily parou.   Sr. Blake?   Os dedos se fecharam sobre a alça da bolsa.   Muitas pessoas tinham aquele sobrenome.   Não precisava ser Ethan.   No instante seguinte, porém, uma voz familiar veio do corredor VIP.   — Vá devagar.   Lily se virou antes que pudesse se conter.   Ethan Blake estava diante de uma das salas de exame, amparando uma mulher pelo braço.   Ela usava um casaco folgado e um chapéu claro, abaixado sobre o rosto. De onde estava, Lily não conseguia reconhecê-la.   Mas via Ethan perfeitamente.   Ele se inclinou e falou com a mulher num tom gentil que Lily quase nunca tinha ouvido.   Quando ela levou a mão à barriga, Ethan segurou sua mão na mesma hora.   — Não tenha pressa. O médico disse que está tudo bem, mas você ainda precisa tomar cuidado.   Um zumbido tomou conta dos ouvidos de Lily.   Poucos minutos antes, ele tinha se recusado a continuar tentando ter um filho com a própria esposa.   Agora acompanhava outra mulher grávida a uma consulta.   A mulher disse alguma coisa que Lily não conseguiu ouvir.   Ethan respondeu:   — Você não faz ideia de como estou feliz. Vou ser pai.   Ele baixou os olhos para a barriga dela.   Aquele olhar bastou.   Lily não precisava ouvir mais nada.   Ela recuou e se escondeu atrás da esquina antes que Ethan a notasse.   O estômago se contraiu. A náusea veio tão depressa que ela quase engasgou.   Com uma mão sobre a boca, correu para o banheiro.   Pouco depois que Lily saiu, o Dr. Smith voltou ao consultório.   Uma enfermeira entrou às pressas, trazendo o resultado atualizado do laboratório.   — Dr. Smith, o resultado da repetição do exame da Sra. Carter acabou de sair.   Ele pegou o papel, correu os olhos pelas informações e ficou imóvel.   O resultado preliminar estava errado.   Lily Carter estava grávida.   A expressão do médico mudou na mesma hora.   Ele pegou o telefone.   — Chamem o diretor Whitmore. Agora.   O diretor Whitmore não imaginava que passaria a tarde em uma sala VIP, de pé, com o suor se acumulando sob o colarinho.   Henry Thornton estava sentado no sofá, aparentemente calmo. Ainda assim, ninguém na sala ousava respirar alto demais.   Apesar de jovem para ocupar uma posição tão elevada, Henry já comandava o Grupo Thornton, a principal empresa de uma das dinastias empresariais mais poderosas do país.   — Sr. Thornton — começou Whitmore, cauteloso —, ainda estamos investigando como sua amostra entrou no nosso sistema. Até o momento, podemos confirmar que houve uma falha interna no manuseio. A amostra foi usada por engano em uma paciente submetida à inseminação artificial.   O olhar de Henry esfriou.   — Usada por engano?   Whitmore endireitou as costas.   — Sim. Este é um incidente médico grave, e conduziremos uma investigação completa. No entanto...   Ele hesitou, mas logo prosseguiu:   — O resultado preliminar do teste de gravidez da paciente foi negativo. Por enquanto, tudo indica que não houve nenhuma consequência irreversível.   Henry não disse nada.   O silêncio era pior do que a raiva.   O celular de Whitmore tocou.   Ele quase se encolheu antes de atender.   Bastaram alguns segundos de conversa para o pouco de cor que ainda restava em seu rosto desaparecer.   Henry ergueu os olhos.   — O que foi?   Whitmore abaixou o celular lentamente.   — Sr. Thornton... o resultado da repetição do exame acabou de sair.   Sua voz estava seca.   — A paciente que recebeu sua amostra está grávida.   O silêncio tomou conta da sala.   Henry se levantou.   — Quem é ela?   Whitmore respondeu sem demora:   — Lily Carter. Ela foi atendida hoje em nosso setor de obstetrícia.   A expressão de Henry se fechou.   — Bloqueiem as saídas e tragam essa mulher até mim. Agora.   Lily m*l tinha saído do hospital quando o celular tocou.   Na tela aparecia o nome de Catherine Young.   Sua mãe biológica.   Ela fitou o nome por um instante antes de atender.   — Mãe.   — Lily, onde você está? — perguntou Catherine. — Sua irmã conseguiu um novo emprego. Seu pai e eu vamos fazer um jantar em família hoje à noite para comemorar. Venha para casa.   O primeiro impulso de Lily foi recusar.   Estava exausta. Depois do que tinha acabado de ver, sentia um vazio no peito.   Mas a palavra casa a fez parar.   Talvez, depois do que tinha acontecido com Ethan, voltar para a família não fosse tão r**m.   Talvez alguém percebesse que havia algo errado.   Talvez, pelo menos uma vez, ela não precisasse enfrentar tudo sozinha.   — Tenho uma coisa para...   — Mia preparou uma surpresa para você — interrompeu Catherine. — Ela disse que você precisa estar lá.   Uma surpresa.   Lily hesitou.   Uma pequena parte dela queria acreditar que seria algo bom.   Após um momento, respondeu:   — Está bem. Eu vou.   Ela encerrou a ligação e caminhou até o meio-fio, sem saber que, atrás dela, as saídas do hospital já estavam sendo bloqueadas e o saguão mergulhava no caos.

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