Capítulo 22:

2685 Words
Ashlyn   Encarei Hilary e Scarlett parada de pé ao lado dela sem saber o que fazer. Como não respondi Scar arrancou o cartão da minha mão. Fiquei agradecida por ver que Garrett não tinha assinado nenhum dos bilhetes, e estava tão atordoada pelo presente dele que nem reagi à intromissão de minha amiga. - Ah não está assinado, será que é algum admirador secreto? - Não sei! - dei de ombros, tentando fazer a melhor cara de paisagem possível. - Você sabe sim, a pessoa que te entregou esse livro e esses anéis de chaveiro não está tentando ficar no anonimato, ele foi especifico demais. - Scar respondeu. - Não faço ideia de quem seja! - sorri sem mostrar meus dentes. - Aaaahhh não! - Scar arregalou os olhos e voltou a encarar o bilhete. - Foi o Garrett! O Adam teria assinado o bilhete, isso só pode ter sido coisa do Grahan. - Porque você acha que foi ele? - estranhei. - A gente não se fala há semanas. - respondi. - É o único cara além do Adam que eu sei que está afim de você. - Como assim Garrett tá afim dela? - Hilary a encarou. - De onde você tirou isso? - encarei minha amiga, será que quando ficamos a gente tinha dado bandeira? - Ixi falei demais de novo! - Scar fez careta. - Começou, agora termina. - Hilary a cutucou. - Quer saber? Dane-se! Eu ouvi da própria boca dele, que está afim de você. Inclusive ele foi super grosso comigo porque eu tinha dito para você aquele dia que ele não prestava e podia estar querendo usar você. - Ele te disse isso? Que está afim de mim? - meu coração que tinha se acalmado começou a disparar de novo. - Na verdade quem me disse foi o Oliver, mas o Garrett assumiu e depois dessa cesta ele acabou de confirmar de novo e assinar embaixo. Arranquei o bilhete da mão dela e reli a parte do PS, onde ele dizia que preferia dizer algumas coisas para mim pessoalmente. Será que era disso que ele estava falando? - Ash, rolou alguma coisa entre vocês quando você estava solteira? - Hilary me olhou. - Não, agora parem de fazer perguntas, me deixem sozinha meninas. - pedi. - Você não vai para aula hoje? - Hilary me encarou. - Não, vou ficar por aqui e estudar para minha prova! - respondi. As duas assentiram e me deram as costas, saindo do quarto. Perdi a noção de quanto tempo fiquei encarando os presentes que ele tinha me dado.     Garrett   Depois de sair da aula, fui para o refeitório e dei sorte ao encontrar Hilary e Scarlett, justamente quem eu estava procurando. - Meninas lindas, preciso falar com vocês. - O que você quer Grahan? - Scar me olhou. - Onde está a Ash?! - Ela não quis vir para a aula, não está se sentindo bem. Acho que é uma forma também dela se esconder e não comemorar o aniversário dela. - Hilary respondeu. - Ela está sozinha no apartamento? - Está! - Scar assentiu indiferente. - Preciso da ajuda de vocês. Que me deixem ficar a sós com a Ash no apartamento hoje. - O que? Nem pensar! - Scar respondeu. - Como você quer ficar o dia todo a sós com ela? Eu por enquanto ainda moro lá. - Hilary me olhou. - Você pode ir para o apartamento do Austin, aposto que arruma o que fazer por lá com ele. A mesma coisa você com o Oliver. - encarei Scar. - Olha meu primo falou sério quando disse que eu tô afim dela, me deem uma chance pra provar. Ficar com ela no apê hoje, no dia dela, é a oportunidade perfeita. - Tá! Mesmo que a gente concordasse em não ir para o apartamento, você está esquecendo do namorado dela e do Benjamin que podem querer ir lá, felicitar nossa amiga. - Hilary me olhou. - Para o Ben vocês podem contar a verdade, a gente sempre se deu bem, acho que ele não vai aparecer lá se vocês pedirem. Já para o Adam inventem uma desculpa, digam que a Ash está com uma doença contagiosa e precisa ficar sozinha, qualquer coisa para ele não aparecer lá. As duas me olharam desconfiadas e nem um pouco dispostas a me ajudar. Resolvi apelar. - Scar quantas vezes você quis sair com suas amigas ou sozinha, o Oliver não deixou e eu ajudei você? Quantas vezes eu já disse para ele que se mandasse em você, ia acabar te perdendo. - Várias vezes. - ela admitiu. - E você Hilary só está com esse anel no seu dedo porque eu passei o telefone da Scar para o Sebastian. E esqueceu que uma vez uns caras mexeram com você no corredor, te ofenderam porque você estava saindo com um professor, eu te defendi? Não estou jogando nada na cara, mas poxa, agora sou eu que preciso da ajuda de vocês. As duas se entreolharam e Hilary sorriu. - Está bem! - Mas se machucar a minha amiga, eu mesma arranco as suas bolas. - Scar me ameaçou. - Eu mesmo arranco e dou elas de presente para você fazer com elas o que quiser. - sorri. - Credo que nojo. - Scar fez careta. - Não se preocupe Garrett, ninguém vai aparecer no apartamento até a noite. - Hilary sorriu. - Obrigado, vocês são uns anjos. - beijei as duas e sai correndo.     Ashlyn   Suspirei quando a campainha tocou. Pensei em ignorar e deixar que a pessoa do outro lado acreditasse que não tinha ninguém. Voltei os olhos para os meus exercícios esperando que na prova de amanhã, caíssem exatamente como estavam ali. A campainha continuou, me distraindo, seja quem fosse, a pessoa sabia que eu estava no apartamento e estava disposta a falar comigo. - Já vai! - revirando os olhos me levantei, pretendendo me livrar da pessoa o mais rápido possível. Abri a porta do apartamento e senti que meu coração parou de bater quando vi Garrett de pé na minha frente. Usava calça jeans, tênis e uma camisa preta de manga curta, realçando seus braços e suas tatuagens. Seus cabelos estavam penteados para trás com gel. Ele estava lindo e de tirar o fôlego. - Por acaso é aqui que tem uma aniversariante se escondendo? - ele piscou para mim balançando as duas taças e a garrafa de champanhe que trazia consigo. - Como me achou aqui? - o encarei de boca aberta. - Tenho minhas fontes. - ele piscou para mim e entrou. Fechou os livros que eu tinha aberto em cima da mesa e colocou as duas taças com o champanhe ali. Fiquei apenas observando enquanto ele enchia as duas taças. Como num estalo aproveitei a distração dele para checar minha aparência no espelho ao lado da porta. Suspirei de alívio. Meus cabelos tinham sido lavados no dia anterior e acordado de bom humor, eu estava sem maquiagem, mas não tinha nenhuma espinha aparente, apenas achei meus lábios um pouco pálidos demais. Na falta de um batom os mordisquei e passei a língua por eles até ficarem mais rosados. Tentei disfarçar minha ansiedade quando me virei. - Feliz aniversário! - Garrett se virou para mim e me entregou uma taça. - Não está um pouco cedo demais para beber champanhe? - forcei um sorriso, com medo que Garrett conseguisse escutar meu coração que batia acelerado. - Já passamos do horário do almoço, é perfeito. - ele sorriu. - E dizem que champanhe é ótimo para quem está estudando Calculo III. - Com certeza! - desdenhei, mas mesmo assim tomei um gole do champanhe. Garrett piscou para mim e me deu as costas, sentou no sofá de frente para a mesinha e se recostou nela. - O que é isso? - ele se inclinou e olhou debaixo da mesa. Mordi o lábio e fiquei constrangida quando ele tirou um monte de papel amassado debaixo da mesa. - Problemas com Gauss e Stokes? - ele sorriu com malícia, encarando minhas anotações. - Realmente, teorema da divergência de Gauss e o teorema de Stokes não são meu forte. - Que bom que eu vim então. Tive Calculo Vetorial semestre passado, vi tudo isso aplicado à Engenharia, então acho que dá pra te ajudar. Pelo menos eu não tirava menos que oito nas provas. - deu de ombros. - Minha prova é amanhã, acha que vou conseguir entender isso daí? - Vai ou não me chamo Garrett Grahan. Vai ser meu presente de aniversário para você. - sorriu. - Falando de presente... Obrigada por aquela cesta enorme. - sorri e apontei com a cabeça na direção da cozinha. Garrett olhou por cima do balcão que dividia a sala da cozinha. Em cima da mesa atrás do balcão estava sua cesta com tudo que ele me deu, exceto pelo livro e o saquinho com os anéis de chaveiro. - Eu assisti ao filme Diário de Uma Paixão, vou adorar ler o livro. Vou começar no fim de semana, prometo. - Quando vi duas capas diferentes imaginei que tinha o filme. - ele sorriu. Sorri e ficamos nos encarando sem saber o que dizer. - Vai querer mesmo me ensinar o teorema de Gauss e Stokes? - Com certeza, senta aqui! - Garrett apontou o chão ao lado dele. Me sentei perto dele e ele tirou da mesa a garrafa de champanhe e as taças. Colocou tudo em cima do balcão e voltou para perto de mim. Mais uma vez fui atingida pelo cheiro do seu perfume e na mesma hora senti minhas bochechas pegarem fogo. - Ok, vamos lá! - Garrett abriu os livros. Fiquei me perguntando se era tão fácil assim para ele ficar perto de mim depois de tudo que aconteceu. Afinal em dois meses tínhamos passado de implicantes, para amigos, de amigos para ficantes à mais odiados e agora estávamos caminhando para sermos amigos de novo. Mas como ser amiga dele depois de ter me apaixonado por ele? Depois de ter desfrutado da companhia dele? Como ser amiga de um cara se tudo que você quer é ser muito mais do que isso? Garrett me encarou e na hora baixei os olhos para os livros, fingindo prestar atenção. Garrett começou a me explicar e eu fiz de tudo para conseguir me concentrar no que ele estava falando. Ele já tinha me provado que era um bom professor aquele dia na biblioteca, mas naquela época foi mais fácil porque éramos só amigos mesmo, eu ainda nem sequer sonhava em ficar com ele. Agora era diferente. Provavelmente amanhã na hora da prova eu iria ficar me lembrando do som da voz dele e do seu perfume, de como ele ficava sério e todo charmoso enquanto me explicava os teoremas. Ele ia ocupar minha cabeça a um ponto em que eu nem iria me lembrar quem eram Gauss e Stokes. Eu estava perdida.     Garrett   Foi difícil agir com Ashlyn como antigamente, como se nada tivesse acontecido entre a gente. Tentei me concentrar no exercício e explicar tudo para ela. Precisava mostrar que eu estava voltando a ser o de antes, que ela precisava e deveria me escolher, que eu a faria muito mais feliz. - Chega! - ela pediu ao terminar um exercício que elaborei para ela. - Vamos fazer uma pausa, você quer comer alguma coisa? Vou pegar alguma coisa pra gente. - ela foi se levantando. Fiquei apenas olhando para ela enquanto se afastava e atravessava o balcão que dividia sala e cozinha. Me levantei, me esticando e fui atrás dela. Parei perto da mesa, onde tinha a cesta e tive uma ideia. - Você tem vela ai? - Na primeira gaveta ai do seu lado, pra que vê quer vela? - ela perguntou de costas para mim. Sorrindo com malícia, abri a primeira gaveta e encontrei a vela. Distraída, Ashlyn não percebeu o que eu estava fazendo. Quando ela se virou de frente para mim, comecei a cantar. - Parabéns pra você, nessa data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida! Ashlyn riu encarando a vela que eu tinha enfiado em cima de um dos bolinhos que tinha vindo na sua cesta. Peguei o bolinho na mão, com medo de que ele se espatifasse. - Vai assopra a vela! - Isso nem é bolo de aniversário Garrett. - ela me olhando, tentando parecer brava, mas sorria. - Ué bolo de aniversário, não é um bolo, com uma vela em cima? Então! - aproximei o bolinho dela. Ashlyn revirou os olhos, mas fez o que eu pedi e assoprou a vela. - Aeeehhh! - dei pulinhos, devia estar parecendo um i****a, mas não me importei. - Para quem vai o primeiro pedaço? Negando com a cabeça, Ashlyn pegou o bolinho da minha mão, retirou a vela e o cortou ao meio. Segurou um pedaço e me estendeu o outro. Fizemos um brinde com os dois pedaços de bolo, comemos e bebemos o restante do champanhe. - Obrigada! - ela sorriu. Senti como se a hora tivesse chegado e que se eu deixasse passar nunca mais teria uma chance. - Tenho mais um presente pra te entregar. - Garrett você não devia, já gastou dinheiro demais comigo. Ignorando as palavras dela, peguei a caixinha do bolso. Ash ficou séria na mesma hora que a viu. Abri a caixinha e revelei a aliança dela. - Eu ia te entregar isso na festa da fraternidade, estava no meu bolso quando discutimos. Sei que eu fiz muita m***a de lá pra cá e que eu dei muita mancada com você, mas eu queria que acreditasse que tudo que eu disse aquela noite era mentira... Nunca quis usar você. Minha intenção nunca foi apenas ir para cama com você, você merece receber de alguém muito mais do que isso. Eu sei que você está namorando e talvez não me perdoe nunca, mas essa aliança é sua, eu sei que nunca mais vou querer comprar um anel desses para uma garota... Você nem sequer precisa usar, pode deixar guardado num lugar qualquer, só não joga no lixo ou na minha cara, por favor. - forcei um sorriso. - Se quiser uma sugestão, você pode usar ele como um pingente, igual eu fiz com o meu. - puxei o cordão que estava por baixo da blusa e mostrei minha aliança para ela. - De uns dias pra cá é aqui que ele tem andado, e só vai sair daqui se for para ir pro meu dedo. Só que pra isso acontecer, preciso que você me perdoe e escolha ficar comigo. Ashlyn que até então me encarava petrificada, piscou e duas lágrimas escorreram pelo seu rosto. - Vem comigo, por favor! - ela me deu as costas. Não entendendo o que estava acontecendo vi ela seguir pelo corredor que dava para os quartos. Fechei a caixinha com a aliança, coloquei no bolso e mesmo com medo de ser rejeitado fui atrás dela. Parei na porta do quarto de Ashlyn e a vi abaixada no chão. De debaixo da cama ela puxou uma folha de cartolina cheia de anotações com o desenho de uma rampa. Enxugando o rosto, ela ficou de pé, se aproximou de mim e me entregou uma pilha de papéis impressos.   “PROJETO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA”   Virei a primeira folha e vi a mesma rampa desenhada no papel. Em cima dela, uma moto laranja com o logotipo Ducati. Ela e seu motociclista estavam de ponta cabeça, imitando uma das acrobacias mais comuns do Motocross. Totalmente pego de surpresa a encarei, com medo de estar confundindo as coisas. - Você fez seu projeto de iniciação científica pensando em mim? Ashlyn assentiu e mordeu o lábio inferior. - Eu tentei ir contra, juro que eu tentei, mas... Meu coração já escolheu você! Acho que te escolheu no momento em que te vi em cima daquela Ducati. Sorrindo como um i****a, larguei os papeis em cima da cama e puxei seu rosto para perto do meu. Finalmente depois de um mês separados pude beijá-la de novo.  
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