Ashlyn
- Estou esperando uma resposta garota! - encarei Ruth e vi que ela tinha cruzado os braços.
- Me desculpe é que... Eu precisava ver ele, ficar um pouquinho perto dele. - respondi e não consegui evitar começar a chorar de novo.
Abaixei a cabeça com vergonha de que ela me visse assim. Ruth se aproximou de mim, segurou meu queixo e me fez olhar para ela. Pisquei surpresa quando vi os olhos de Garrett na minha frente. Ou melhor, ele herdara os olhos da mãe, como eu não tinha percebido isso quando ela chegou?
- Você parece gostar do meu filho, não estaria chorando assim e nem teria passado m*l e invadido o quarto dele se fosse só uma amiga. - ela me estudou.
- Não conta para ninguém que a senhora me viu aqui, por favor. - abaixei a cabeça e dei um passo para trás.
- Você é a Ashlyn, né? - assenti sem olhar para ela. - Então é você a amiga que estava no apartamento do meu filho e que enxotou meu marido de lá. Ricardo me falou horrores de você, sabia? O que aconteceu naquele dia? Porque, segundo ele, você se intrometeu numa conversa entre ele e nosso filho.
- Ele estava brigando com o Garrett porque ele gosta de engenharia e não de arquitetura, eu só achei errado e o defendi. Pedi ao seu marido para não falar daquele jeito com ele, me desculpe se acabei me metendo num assunto de família. Eu só acho que todo mundo tem direito de fazer o que gosta, desde que isso não prejudique ou faça m*l a outras pessoas. - mordi o lábio inferior.
- Concordo com você. - Ruth sorriu, me surpreendendo. - Eu sempre disse ao Ricardo para deixar o filho seguir a carreira que queria, na verdade acho que temos Arquitetos demais na família. Gostei quando meu filho decidiu puxar um pouco mais a mim e fazer algo diferente.
- A senhora também é Engenheira?!
- Não, sou Pedagoga.
- Legal! - sorri sem saber o que dizer.
- Você deve estar se perguntando o que eu estou fazendo aqui.
- Imagina, a senhora é a mãe dele, tem todo o direito de estar aqui, a intrometida sou eu.
- Você gosta do meu filho é por isso que está aqui. E eu estou aqui porque vou dormir com ele essa noite. - Ruth encarou Garrett e vi seus olhos marejarem de novo. - Me dói muito ver ele assim. - ela passou por mim, parou ao lado da cama dele e segurou sua mão.
- Também me dói muito ver ele desse jeito. - mordi o lábio inferior.
Será que Ruth seria gentil assim comigo se soubesse que a culpa tinha sido minha?
Quando ela me olhou afastei meus pensamentos para longe e enxuguei meu rosto.
- Eu acho que já vou, antes que seu marido ou mais alguém me pegue aqui.
Ruth assentiu e encarou o filho, seus dedos passearam pelos cabelos dele num cafuné. Dei as costas, sentindo meu coração doer.
- Ashlyn! - parei na porta e me virei pra ela. - Eu vou deixar uma autorização na recepção para que você possa vir visitá-lo ok? E não se preocupe que não vou deixar meu marido interferir. - ela sorriu.
- Obrigada! - engasguei com as lágrimas e dei as costas.
Assim que sai do quarto e virei o corredor, sentei no chão, me escorei na parede e comecei a chorar.
- Ash onde você estava? - Hilary se ajoelhou na minha frente. - Eu estava te procurando.
- Desculpa! - solucei.
Hilary me puxou e senti uma mão forte me ajudar a ficar de pé, quando olhei vi que era Austin.
- Oi Austin!
- Sinto muito pelo que houve. Vim levar você e Hilary para casa. Scar vai ficar com o Oliver.
- Não quero ir embora! - enxuguei o rosto.
- Ash você não pode entrar no quarto, proibiram visitas, o que você vai fazer aqui? Vamos para casa vai? Aí você toma um banho e dorme um pouco. Amanhã é outro dia.
Assenti me consolando por ter visto Garrett e aceitei ir para casa.
Quando cheguei ao apartamento, Hilary me convenceu a tomar um banho.
Quando terminei fui até a cozinha e vi que ela tinha preparado um lanchinho para jantarmos.
Olhei a cesta que Garrett havia me dado no meu aniversário, o que parecia ter acontecido anos atrás e me sentei na cadeira.
Hilary começou a comer e quando viu que não fiz o mesmo, me encarou.
- Come, está uma delícia!
- Não obrigada! - suspirei.
- Ash você precisa comer! - ela insistiu.
- Eu tô sem fome! - respondi desanimada.
- Ash sei que está assim por causa do Garrett, mas eu não entendi uma coisa. Vi você dormindo nos braços dele e depois o Adam te tratando como se você ainda fosse namorada dele, o que está acontecendo? - ela me olhou preocupada.
- Não está acontecendo nada, Adam é meu namorado por isso me tratou como namorada.
- Mas perai ontem à noite quando chegamos você e o Garrett estavam dormindo juntos, ele estava sem camisa. Vocês transaram, não transaram?
Assenti voltando a chorar. Tudo teria sido diferente se eu não tivesse cedido ao meu amor por ele.
- Então porque você ainda está com o Adam.
- Porque ele é o melhor pra mim, Garrett é um galinha, eu só ia sofrer na mão dele.
- Não, essa sua resposta não me convence. Ash você não ia ter sua primeira vez com o Garrett e ficar com o Adam, você não é dessas. Você gosta do Garrett de verdade ou não teriam transado.
- Não interessa se gosto de um ou do outro, meu lugar é ao lado do Adam! - levantei e fui para o quarto.
Bati a porta, tranquei e me joguei na cama. Passei a noite toda chorando, até pegar no sono.
Na manhã seguinte fui sem ânimo nenhum para a faculdade, estava tão desanimada que acabei matando as últimas aulas. Sem suportar ficar no apartamento eu fui até o hospital.
- Oi, meu nome é Ashlyn, vim visitar o Garrett Grahan!
- Deixa eu ver se você está autorizada. - a enfermeira respondeu e checou a pequena lista.
Torci para que Ruth tivesse cumprido o prometido.
- Ah seu nome está aqui, pode entrar. Sabe onde é o quarto?
- Sei sim, obrigada! - forcei um sorriso e dei as costas.
Entrei no quarto e paralisei quando vi Ruth sentada na poltrona ao lado da cama dele. Ela chorava enquanto acariciava seus cabelos.
- Oi Ashlyn!
- O que aconteceu? - me aproximei, com medo do que ela diria.
- Você ainda não sabe né?! - ela me encarou, os olhos marejados.
- Não sei do que? - prendi a respiração.
- Ele piorou essa madrugada!
- Co... Como assim piorou?!
- Ele entrou em coma! - Ruth respondeu começando a soluçar. - Os médicos não sabem quando ele vai acordar e se ele vai acordar.
- Coma?! - repeti me lembrando de inúmeros casos de pessoas que passaram meses, anos em coma. Em alguns casos as famílias chegaram a desligar os aparelhos após perderem as esperanças. - Não!
Ruth se levantou da cadeira e surpreendentemente me abraçou. Desabei nos braços dela, não conseguindo controlar as lágrimas e a dor que eu sentia.
- Eu quero morrer!
- Não, não fala isso, querida, não é pra tanto. - Ruth se afastou e me olhou preocupada.
- A culpa é minha, ele sofreu o acidente por minha culpa. - confessei.
- Como assim, do que você está falando?
- Garrett e eu discutimos ontem, ele ficou tão furioso comigo que aceitou participar da competição e acabou se acidentando. Se a gente não tivesse brigado, se eu não tivesse dito aquelas coisas para ele...
- Ashlyn a culpa não foi sua, foi um acidente, ninguém podia prever isso.
- Ele não teria ido se eu não tivesse falado aquelas coisas para ele. - abaixei a cabeça. - Por favor senhora, me perdoa! - me ajoelhei na frente dele. - Seu filho está assim por minha culpa.
- Ashlyn não precisa disso filha, anda levanta. - Ruth me puxou e me fez ficar de pé. - A culpa não é sua, para com isso. Foi um acidente!
Continuei soluçando e Ruth me abraçou, eu quem deveria estar consolando ela por ser a mãe, não o contrário.
- Ontem eu ouvi quando você disse ao meu filho que o amava. - paralisei, parando até de chorar. Será que ela tinha ouvido mais alguma coisa? - Ele sabe disso?!
- Não! - neguei com a cabeça.
- Eu ficaria muito feliz se quando ele acordasse você dissesse isso à ele. - Ruth sorriu.
- Tomara que ele acorde. - solucei, não podia contar à ela que eu não podia me declarar ao Garrett.
- Ele vai acordar, tenho certeza. - Ruth sorriu e acariciou meu rosto.
Duas semanas se passaram e Garrett não acordou.
Eu ia visitá-lo todos os dias depois da aula na esperança de receber a notícia de que ele tinha acordado, mas nunca era o que acontecia.
No hospital eu chorava todos os dias abraçada à ele, implorando pra que ele acordasse e me perdoasse. Fora do hospital eu tentava prestar atenção na aula, tentava fazer os exercícios, tentava me alimentar, mas estava difícil. Além da culpa que eu sentia pelo estado de Garrett, continuava namorando Adam contra minha vontade, me perguntando se algum dia esse inferno acabaria.
Eu sabia que meus amigos estavam preocupados comigo.
Hilary chegou ao ponto de desistir de se mudar para o apartamento de Austin apenas para ficar comigo. E nada do que eu disse à ela a fez mudar de ideia. Austin por sorte foi super compreensivo e disse que poderia esperar um pouco mais pra ter a namorada morando com ele. Tudo isso só fazia eu me sentir mais péssima, mais culpada.
Dei graças a Deus quando sai da última aula na sexta-feira, pelo menos nos próximos dois dias eu não ia precisar fingir que estava prestando atenção nas aulas. Sai do meu bloco decidida a ir para o hospital.
- Onde você pensa que vai?! - Adam agarrou meu braço surgindo do nada.
- Para casa, tô cansada. - respondi.
- Nada disso, você vai pro meu apartamento comigo. - ele me arrastou.
- Me solta, eu não vou com você pra lá. - respondi tentando me soltar dele.
- Tem certeza que não? Olha Ash se você não for eu posso ficar muito irritado, você não quer me ver irritado né? - ele apertou meu braço e segurei um grito de dor.
- Eu vou! - falei com a voz engasgada.
- Ótimo! - ele sorriu e me guiou até o estacionamento.
Segurei o choro enquanto obrigava minhas pernas a me levarem pra onde ele estava me guiando. Adam abriu a porta para mim e praticamente me jogou no banco antes de dar a volta no carro e entrar.
Quando chegamos ao seu apartamento, ele abriu a porta para mim.
- Olá Ash! - uma garota morena ficou de pé e acenou pra mim.
- Maggie?! - estranhei. - O que está fazendo aqui?
Adam passou por mim, agarrou Maggie e a beijou na minha frente. O beijo foi tão obsceno que eu conseguia ver a língua dos dois se tocando. Virei a cara, sentindo meu estômago embrulhar.
- O que está acontecendo aqui Adam? - me irritei com ele.
- Ué, só você que acha que tem o direito de me trair? - ele sorriu e abraçou Maggie.
- Você é um i****a, eu vou embora daqui e vocês que se danem!
Dei as costas, mas antes que eu pudesse chegar na porta, Adam me segurou.
- Você está querendo me ver irritado, né? - sussurrou no meu ouvido e me fez virar pra ele.
O encarei nos olhos, mas perdi toda a coragem de ir embora, não podia arriscar sair por aquela porta e Adam fazer o mesmo e ir até o hospital. Garrett estava em coma e Adam podia muito bem se aproveitar disso se quisesse.
- Acho que ela mudou de ideia gatinha. - ele sorriu e foi até Maggie, a puxou pela mão e sentou no sofá com ela. - Oh “namorada” eu e a Mag estamos com fome, vai fazer alguma coisa de almoço, anda!
- Você está me gozando?! - ri de tão incrédula que estava.
- Eu tô com cara de quem está te gozando? - ele me olhou sério. - Não que eu não vá fazer isso mais tarde né delícia? - Adam enfiou a mão embaixo da saia de Maggie e sua boca foi parar no pescoço dela.
Maggie riu gostando da provocação e eu fiquei petrificada encarando os dois.
- Não ouviu o que eu falei, vai fazer nosso almoço anda! E ai de você se não sair como queremos.
Engolindo o choro e a raiva que eu estava sentindo, dei as costas para os dois e fui pra cozinha. Pelo menos ali eu não era obrigada a ver os dois se amassando.
- Sabe se você for uma boa cozinheira, eu acho que posso contratar você no lugar da faxineira e da cozinheira. Pelo seu quarto no alojamento você até que sabe arrumar uma casa. - Adam provocou.
Ignorando as palavras dele continuei preparando tudo para o almoço.
- Nossa gatinha você não está com calor?
- Eu to! - ouvi Maggie responder.
- Oh namorada traz duas cervejas pra mim, por favor!
Respirei fundo para não começar a xingar e abri a geladeira. Tirei duas cervejas dali e fui pra sala. Adam e Maggie estavam aos beijos provavelmente para me provocar.
- Sua cerveja!
Adam se virou e fechou a cara.
- Cadê os copos? Você é burra? Acha que eu sou louco de tomar cerveja assim direto?
Suspirando dei as costas e peguei duas taças de tomar cerveja e entreguei para eles.
Coloquei na mesinha e me virei.
- Serve a gente! - Adam ordenou, o risinho que Maggie deu me irritou.
Cerrando os punhos me virei, abri a lata de cerveja e despejei no copo para eles.
- Pode ir e vê se capricha no almoço!
Voltei para a cozinha me sentindo a pessoa mais burra e humilhada do mundo.
Segurando as lágrimas eu tentei fazer um almoço o mais rápido possível, apenas para poder sumir daquele apartamento e ir para o hospital ficar com Garrett.