Capítulo 25:

2610 Words
Ashlyn   Chegamos no hospital e Scarlett correu na frente e abraçou Oliver. Hilary tinha um braço em torno da minha cintura e se não fosse ela me empurrando para frente eu acho que teria ficado parada no mesmo lugar. - Alguma notícia?! - ouvi Scar perguntar ao Oliver. - Não! - ele negou com a cabeça e enxugou o rosto. - Os médicos estão com ele, avisei vocês e os pais dele. Obrigado por terem vindo. - nos encarou e me senti pior, Oliver me expulsaria dali se soubesse que a culpa era minha. - O que aconteceu exatamente? - Hilary quis saber, encarando o outro cara que estava com Oliver. - Esse é o Kuno, ele estava lá na hora que aconteceu. - Oliver o apresentou. - Vocês não sabem como me arrependo de ter ligado para ele. Eu vi na hora que ele chegou que ele não estava bem para competir. Ele parecia que queria sair quebrando tudo, não é a primeira vez que ele fica com raiva e sai descontando na moto. Ele não devia ter se apresentado. Abaixei a cabeça e enxuguei o rosto, era tudo culpa minha. - Na hora da apresentação eu acho que ele acelerou demais a moto para descer aquela rampa. Ele perdeu o controle da situação quando deu uma cambalhota, ele até conseguiu segurar o banco, mas por alguma razão ele soltou a mão e se deixou levar. Quando vi a moto caindo e ele logo depois, pensei que ele tinha morrido. Se vocês tivessem visto a queda, a altura que ele caiu, o capacete rolando no chão, teriam achado o mesmo. - Kuno suspirou preocupado. - Mas ele está vivo né? - consegui perguntar, minhas mãos trêmulas de medo. - Ele chegou aqui vivo. Mas o estado dele é grave, um milagre o salvou de morrer na queda, só outro milagre agora para salvar ele de novo. Agarrei os braços de Hiklary sentindo minhas pernas bambas. Talvez eu estivesse dando bandeira demais, mas como eu ia me controlar se eu sabia que ele estava ali por minha culpa. - Gente, vamos sentar um pouco! - Hilary sugeriu e me arrastou até o banco. Além de mim só Oliver chorava, mas ele tentava se controlar, se manter forte. - Os médios não disseram nada ainda? - Scar perguntou. - Não, levaram ele pra dentro e até agora nada. - Kuno suspirou. Deitei a cabeça no ombro de Hilary sem conseguir parar de chorar. Ela acariciava meus cabelos e eu me perguntava se ela entendia o que estava acontecendo comigo, porque eu estava assim. Se realmente ela e Scar me viram no quarto com Garrett, elas tinha muito o que pensar e milhões de hipóteses a deduzir. Enquanto esperávamos notícias, eu rezava para que ele sobrevivesse, para que acordasse e me perdoasse. Se eu não tivesse dito coisas tão horríveis para ele, ele não teria ido para a competição naquela situação. Kuno disse que ele não estava em condição de competir e a culpa era minha. - Meu filho, onde está meu filho?! Virei o rosto e vi uma mulher desesperada vir na nossa direção, reconheci o homem ao lado dela. Era Ricardo, o pai de Garrett, então deduzi que a mulher ao seu lado era sua esposa. Oliver ficou de pé e a abraçou. - Tia! - O que aconteceu com meu filho? Onde ele está? - soluçou. - Lá dentro com os médicos, ainda não tivemos notícias. - Kuno respondeu. - Eu falei tantas vezes para ele parar com essas competições de moto, eu sabia que uma hora ele se mataria. - Ricardo, por favor, agora não! - a mãe dele implorou. - Mas é verdade Ruth! - Ricardo rebateu e quando me viu ficou sério. Abaixei a cabeça envergonhada, o primeiro e último encontro com ele foi numa situação tão r**m como a de hoje. Ele estava discutindo com Garrett e eu praticamente o expulsei do apartamento do filho. Se ele soubesse que era por minha culpa que seu filho estava internado, teria mais um motivo para me odiar. - Quem são vocês? Só conheço a Scar! - Ruth encarou eu e Hilary. - São amigas nossas, tia. Você avisou meus pais? - Oliver respondeu. - Ricardo avisou, disseram que estão vindo para cá. - Ruth enxugou o rosto. - Senta aqui querida. - Ricardo puxou Ruth até um dos bancos. - Se acalma, está bem? Ruth deitou a cabeça no ombro do marido e chorou em silêncio. Eu imaginava o quanto deveria ser doloroso, você ver seu único filho no hospital, sabendo que seu estado era grave. Conforme os minutos se passavam os pais de Oliver, Matheus e Juliana chegaram ao hospital trazendo a irmã dele, Maggie, que eu só tinha visto uma vez na festa que Oliver deu na casa deles. Eu já estava desesperada sem notícias, a culpa só me esmagava cada vez mais. Eu precisava saber como ele estava, essa espera e a ideia de não poder ver ele estavam me torturando. Eu retorcia minhas mãos no colo, tentando disfarçar o quanto elas estavam tremendo. Quando o médico finalmente apareceu, eu me levantei tão depressa que até fiquei tonta. Por sorte Hilary me segurou. - Como está meu filho, doutor? - Ruth perguntou desesperada. - O estado dele é delicado, ele fraturou uma das pernas e teve traumatismo craniano. Precisamos da autorização dos senhores para fazermos uma cirurgia e tentar minimizar o trauma. Caso ele não seja operado, ele corre risco de não resistir. Cai sentada no banco, sentindo que tinha perdido as forças. - Ash! - Hilary se ajoelhou na minha frente, sua voz parecia distante. - Vou pegar água para elas. - vi o vulto do Kuno sair correndo. Fazendo força para ficar acordada, olhei para o lado e vi que Ruth tinha desmaiado. Ricardo a amparava, acariciava o seu rosto e chamava por ela. Kuno voltou trazendo dois copos de água, abaixei minha cabeça sentindo-a latejar. - Matheus, Juliana fiquem com ela enquanto eu assino os papéis. - Ricardo pediu ficando de pé. - Ash toma, bebê um pouco de água. - Hilary me estendeu o copo. O copo de plástico parecia pesado demais para eu segurar, Hilary percebeu e me ajudou. Olhei para o lado e vi Ruth sentada entre Matheus e Juliana, aos poucos ela voltava a si. - O médico disse que... Ele vai morrer? - sussurrei. - Não Ash, ele vai ficar bem, vão operá-lo e vai ficar bom, não se preocupe. - Hilary acariciou meu rosto. Assenti, mordendo o lábio inferior e a abracei. Hilary sentou ao meu lado e ficou acariciando meus cabelos. De alguma forma senti que ela sabia, ou pelo menos deduzia que alguma coisa tinha acontecido para Garrett ir para aquela apresentação fora de si e que agora eu estava me culpando. - Oi gente! Ouvir aquela voz me encheu de ódio. Cerrei meus punhos quando vi Adam parado ali. - O que você está fazendo aqui? - me levantei. - Eu fui até seu alojamento amor e fiquei sabendo do que houve. - ele se aproximou de mim. Percebi que Hilary nos observava. Furiosa puxei Adam pela mão e o arrastei para longe dali. - Como você tem coragem de aparecer aqui? - o olhei cheia de ódio. - Vim prestar minhas condolências à família. - ele respondeu com a maior cara deslavada. - Você é um desgraçado! - furiosa comecei a dar tapas e chutes nele. - Do que você está falando? - ele agarrou meus braços e me imobilizou. - Eu fiz o que você mandou, você não precisava ter feito isso. - esmurrei o peito dele. - Você é um desgraçado, eu odeio você, se Garrett morrer eu não vou te perdoar nunca e não vou ficar com você! - Acha que eu provoquei o acidente. - ele agarrou meus braços e me afastou para me olhar nos olhos. - Por que eu faria isso se vi o seu estado quando saiu do apartamento dele? - Você me seguiu?! - Eu precisava ter certeza de que você cumpriria o combinado e deu para ver na sua carinha de choro que você fez o que eu pedi. - ele sorriu. Tentei esmurrá-lo, mas Adam me impediu. - Eu não provoquei o acidente dele se é disso que você está me acusando. Eu segui você até o alojamento, não fiquei para ver como ele ficou. Como eu ia provocar o acidente se nem sabia que ele ia competir, muito menos que moto ele usaria. - De qualquer forma a culpa é sua, Garrett foi para essa competição sem cabeça por causa das coisas que eu disse pra ele, coisas que você me obrigou a dizer. - acusei chorando. - Não tenho culpa se ele decidiu finalmente gostar de uma garota proibida pra ele. Será que ele realmente se apaixonou por você? - Adam zombou. - Com tantas moças por aí, Grahan escolheu mesmo você? - Vai embora daqui! - me soltei dele e o empurrei. - Todo mundo sabe que vocês se odeiam, sai daqui. - Eu vou, eu já consegui o que eu queria mesmo. - ele sorriu e me deu as costas. Fiquei sozinha no corredor e me escorei na parede voltando a chorar. Eu nunca deveria ter voltado com Adam, não devia ter deixado o orgulho falar tão alto. Desde o começo eu devia ter escolhido Garrett, se tivesse feito isso não estaríamos em um hospital agora. Senti uma dor insuportável comprimir meu peito e me impedir de respirar. Escorreguei pela parede e fiquei ali chorando. Quando tive forças para voltar para sala de espera o clima ali era h******l. - Você está bem? Fiz que não com a cabeça e sentei ao lado de Hilary. Passei as horas seguintes rezando para que Garrett ficasse bom, que Deus permitisse que ele se salvasse, que não tirassem ele de mim também. Eu devo ter cochilado em algum momento, pois, acordei com Hilary me cutucando. - A cirurgia acabou! - Ahn? A cirurgia? Ele está bem? - A enfermeira, avisou que acabou agora, o médico logo estará aqui para contar como foi tudo. Fechei os olhos e rezei em silêncio para que ele tivesse se salvado, para que tudo tivesse corrido bem. Quando o médico apareceu não tive forças para me levantar. - E então doutor? Como meu filho está? - Ricardo perguntou. - A cirurgia foi um sucesso, conseguimos minimizar o trauma. O estado dele ainda é delicado, mas estamos confiantes de que ele vai ficar bem. Pela primeira vez em horas eu comecei a chorar de alívio, agradecida por Deus ter me ouvido. - Posso ver meu filho? - Ruth perguntou. - Vocês como os pais dele, até posso permitir que entrem no quarto, os outros infelizmente não poderão. - Por favor, doutor, Garrett é como meu irmão, me deixa entrar para ver ele. - Oliver suplicou. - Está bem, vou deixar vocês três entrarem juntos, mas não podem demorar entenderam? Ruth assentiu enxugando o rosto e segurou a mão de Oliver. - Uma enfermeira virá avisá-los quando ele já estiver no quarto, com licença. - ele deu as costas e saiu. - Ash não quer ir pra casa? - Hilary me encarou. - Não! - neguei com a cabeça. - Tem horas que a gente está aqui, é melhor irmos para casa, já está quase escurecendo. Havíamos passado a tarde toda no hospital e eu m*l tinha me dado conta. Neguei com a cabeça querendo ficar no hospital, o mais perto possível dele. A enfermeira apareceu minutos depois e Ruth, Ricardo e Oliver puderam entrar para ver Garrett. Sentindo uma inveja tremenda deles, fiquei sentada no banco aguardando. Quando Oliver apareceu, me assustei ao ver que ele estava chorando, Ruth atrás dele estava arrasada. - Como ele está? - perguntei me levantando. - Parece que está dormindo, mas... Foi duro vê-lo com aqueles aparelhos ligados nele, não estou acostumado a ver meu primo assim. Garrett é tão cheio de vida, não merecia passar por isso. - soluçou. - Eu... Eu vou ao banheiro, já volto. Dei as costas para eles, mas ao invés de ir ao banheiro, eu fui até o quarto de Garrett. Eu lembrava o número do quarto que a enfermeira tinha dito quando buscou Oliver e os pais de Garrett. Meu coração disparou quando parei em frente à porta, olhei para o lado e quando não vi ninguém, entrei. Meus olhos marejaram e aquela dor me consumiu de novo quando o vi deitado na cama. As mãos dele repousavam ao lado do corpo e estavam machucadas. Seu rosto continuava tão lindo como eu me lembrava, mas tinha um corte em cima da sobrancelha direita. Um tubo enfiado na sua boca o ajudava a respirar. O som daqueles aparelhos apitando me dava arrepios e me enchia de medo. Corri até a cama e o abracei, tomando cuidado com os fios ligados à ele. Deitei a cabeça em seu peito, aliviada por ouvir seu coração batendo. - Me perdoa por tudo que eu disse a você, foram as piores mentiras que eu contei na minha vida. - confessei, mesmo que ele não pudesse me ouvir, colocar aquilo para fora ajudava. - A noite de ontem foi tudo, menos legal. Na verdade legal é a última palavra que eu usaria para definir qualquer coisa relacionada à você ou a nós dois. Eu não queria ter dito aquelas coisas, você precisa ficar bom e me perdoar por tudo que eu falei... Eu juro que eu não queria, Adam me obrigou a falar aquelas coisas para você. Ele soube da gente antes que eu tivesse tempo de contar e me pressionou a ficar com ele. Eu não sabia que você ia querer competir depois do que conversamos. Eu não ligo se você me odiar para sempre, eu aceito ver você transando com todas as garotas, esfregando isso na minha cara, contanto que você esteja vivo para isso. - levantei o rosto do seu peito e o encarei nos olhos. - Pode ser tarde para te dizer isso agora, mas eu te amo Garrett. Acho que comecei a me apaixonar por você naquela noite, no banheiro, quando você ficou me fazendo aquele jogo bobo das 21 perguntas. - acariciei seu rosto. - Você não precisa voltar por mim, sei que quando acordar não vai querer me ver na sua frente, mas tem um monte de gente lá fora que precisa de você, muito mais do que eu. Você precisa ficar bom por elas. - deitei a cabeça em seu peito de novo. - E ninguém vai cuidar daquela Ducati melhor do que você. Então fica bom, por favor. Eu sabia que alguém podia aparecer e me pegar ali, mas eu precisava ficar perto dele, sentir o calor do corpo dele para ter certeza de que ele estava vivo. - Você vai ficar bom, eu tenho certeza que você vai ficar bom! - sussurrei fechando os olhos. - Eu te amo Garrett, me perdoa, me perdoa, eu não queria ter dito aquelas coisas. - me afastei e olhei seu rosto mais uma vez. - Eu tenho que ir agora antes que alguém chegue, mas prometo que vou dar um jeito de voltar aqui e te ver de novo tá? Fica bem, por favor.  - beijei seu rosto repetidas vezes antes de me afastar. Quando me virei para porta tomei um susto ao ver Ruth na minha frente. - Senhora! - O que você está fazendo aqui com meu filho? Abaixei a cabeça sem saber o que fazer e com medo de que ela chamasse os seguranças e me expulsasse do hospital.
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