Capítulo 15:

2744 Words
Garrett   Era sábado à tarde e como eu estava ansioso, resolvi participar de uma competiçãozinha informal de motos. Aqui não teria as rampas e não era regra fazer inúmeras manobras para pontuar. A gente só ia correr e ai quem chegasse primeiro ganhava. Isso ta com cara de racha eu sei, mas é exatamente isso que estamos fazendo aqui. Sem contar que era a chance de exibir a minha belezinha. - Eu ainda acho que não devíamos estar aqui. - meu primo reclamou. - Relaxa a gente não ta fazendo nada demais. - respondi. - Garrett, que bom que você veio cara! - Kuno me cumprimentou. - Cadê o seu brinquedinho? - Ta logo ali! - apontei logo atrás, onde tinha estacionado. - Ducati maneira. - Kuno sorriu. - E ai? Com quem vou competir? - Comigo! Me virei reconhecendo aquela voz. - Alana?! - sorri surpreso. - Você sabe dirigir uma moto? - Não se atreva a zombar de mim e da minha monster. - ela sorriu. - Uma Hornet 750 cilindradas. - Maneiro, só não espere que eu seja um cavalheiro com você. - sorri com malícia. - Eu não esperava isso de você Herrera. - ela sorriu. - Que vença o mais esperto! - Ok! - sorri gostando da provocação. Alana colocou seu capacete lilás e me deu as costas. Fui até minha moto, coloquei meu capacete e subi. A moto roncou embaixo de mim, me trazendo toda aquela adrenalina que eu amava. - Ok competidores a seus postos. - Kuno avisou. Me posicionei ao lado de Alana e começamos a acelerar. Os rachas ali eram separados de acordo com a potência da moto, medida pelas cilindradas. Acelerei minha Ducati já sabendo que eu ia ganhar, Kuno não devia ter me posto pra competir com uma garota. Ainda mais com uma garota que tinha uma moto inferior a minha, mas pelo jeito nossas motos eram as mais velozes. Pelo menos eu ia poder brincar um pouco. - Vão! Acelerei, mas não o suficiente pra que Alana não me ultrapassasse. Por alguns minutos deixei ela ficar na frente, mas logo em seguida eu acelerei e a ultrapassei facilmente. Alana acelerou e começamos a correr p*u a p*u. A adrenalina estava acalmando a ansiedade que eu estava sentindo, dentro de algumas horas eu iria pedir uma garota em namoro e torcia muito pra que apesar do susto, ela aceitasse. Minha Ducati roncou e fui obrigado a desacelerar para fazer uma curva, foi a oportunidade perfeita pra Alana me passar, uma manobra arriscada, pois, ela quase perdeu o controle da moto. Ela estava se esforçando tanto para ganhar de mim e como eu estava de bom humor, não fiz nenhum esforço para ganhar dela. Apenas acelerei e fiquei por perto ameaçando-a. Cruzamos a linha de chegada lado a lado, mas foi ela quem ganhou. Quando ouvi os meninos xingando, tirei o capacete às gargalhadas. - Primeira lição meninos, não subestimem uma mulher. - comentei comigo mesmo e desci. - Qual é Grahan, você perdeu de propósito? - Kuno atacou vindo até mim. - Relaxa, eu consegui o que queria, me distrair e me divertir. Nem ligo por não ter ganhado nada. - E agora? Os caras estão putos comigo! - Problema deles que não apostaram nela. - dei de ombros, pouco me lixando pros caras. - Talvez porque a sua moto e você eram os melhores e teriam ganhado se você quisesse. - A gente dá uma revanche pra eles outro dia, mas não me coloca pra correr com mulher de novo. Nada contra, mas assim você me coloca numa situação difícil, se eu ganhar das meninas elas ficam putas da vida comigo e depois não vão querer saber de mim. - respondi. - Ta bom Grahan, ta bom! - Kuno sorriu estreitando os olhos e deu as costas. Alana veio até mim e cruzou os braços. - O que deu em você pra me deixar ganhar? - Digamos que você me pegou num dia de bom humor e eu queria irritar os caras que não apostaram em você. - sorri dando de ombros. - O Garrett Grahan que eu conheço teria pouco se lixado por eu ser mulher. - ela sorriu e se aproximou. - Ou você fez essa gentileza para ter alguma coisa em troca depois? - ela apoiou as mãos nos meus ombros. Quando me dei conta do que ela estava falando, puxei suas mãos e me afastei. - Você entendeu errado, não to com segundas intenções. - Que pena! - ela suspirou e mordeu o lábio inferior. Eu gostava bastante da Alana, houve uma época quando a conheci que eu cheguei até a pensar que podíamos ter alguma coisa mais séria. Mas a gente só tinha em comum o fato de adorarmos uma moto e competir. Do resto ela era como todas as outras garotas, ao alcance das minhas mãos quando eu a quisesse, o extremo oposto da Ashlyn. Acho que por isso até hoje ela foi a única por quem me interessei seriamente. Desde o primeiro segundo Ash agiu diferente comigo e até agora me fazia quebrar a cabeça para ficar com ela. Até nome falso ela deu pra se livrar de mim e que garota queria esconder que estava ficando com Garrett Grahan? Nenhuma, mas com Ash a coisa sempre funcionava diferente. Ela me tirava da minha zona de conforto e eu adorava isso. Me mostrava que estava comigo por quem eu era, não por eu ser o Grahan competidor e pegador, não pra fazer inveja nas outras garotas. Por essa e outras razões ela vinha me conquistando cada vez mais. A ponto de garotas lindas como Alana se tornarem insignificantes. - Garrett vamos nessa ou a gente vai se atrasar pra festa da fraternidade. - Oliver se aproximou. - É verdade, a gente se tromba por ai Alana. - sorri pra ela e me afastei. - Tchau Garrett! - ela acenou ainda se insinuando. Sorri fazendo um aceno com a cabeça e fomos embora.   À noite Oliver e eu chegamos no tal lugar que tinha sido alugado pra festa. O local era enorme, tinha um palco gigante onde um DJ estava tocando. Tinha uma lanchonete fechada ao lado do palco com algumas mesas e cadeiras e os banheiros. O lugar ainda não estava cheio de gente, provavelmente a coisa ia pegar fogo mais tarde. Meu celular vibrou no bolso da calça, abri e vi que tinha chegado uma mensagem.   Acabei de ver que você chegou. Estou te esperando atrás da lanchonete. Beijos!   - Da licença primo, vou ter que te deixar sozinho. - Espera ai aonde você vai?! - meu primo protestou. - Depois te explico, tenho certeza que sua namorada já deve estar por aqui. - sorri e dei as costas. Fui até o lugar indicado e quando cheguei atrás da lanchonete, tomei um susto ao ver Alana. - O que você ta fazendo aqui? - Quando seu amigo deu a entender que você e ele viriam pra festa decidi vir também. - Você que me mandou a mensagem? - a encarei surpreso. - Sim, quem mais poderia ser? - ela sorriu. Peguei meu celular e abri a mensagem, só então reparei no número acima dela e então me dei conta que não era o número da Ash. Fiquei tão afoito com a mensagem que nem ao menos chequei quem enviara. - Olha Alana eu... - Eu sei muito bem porque você me deixou ganhar aquela corrida. - ela se aproximou. - Alana eu já te disse que foi só uma gentileza. - O Garrett que eu conheço não faz gentilezas de graça. - ela se aproximou e me encurralou na parede. - Eu juro que você ta entendendo errado, olha eu vim pra cá pra me encontrar com uma garota e... - Tudo bem, eu não ligo de te dividir com as outras, você nunca foi homem de uma mulher só. - ela sorriu e me beijou. - Vamos aproveitar enquanto essa garota não chega. Agarrei os braços dela e tentei empurrá-la pra longe, mas Alana me agarrou e sua boca foi parar no meu pescoço. Em outra ocasião, aquilo teria sido o bastante pra eu prensá-la na parede, erguer o vestido curto que usava e t*****r com ela ali mesmo. Mas eu não era mais o Garrett de antes. - Alana! - protestei tentando empurrá-la. - Shiu, só me beija Grahan! - ela agarrou me rosto e me beijou. Agarrei os braços de Alana e a empurrei contra a parede, seria mais fácil me livrar dela se trocássemos de posição. Alana riu, interpretando de forma errada a situação. Olhei para o lado e vi Ashlyn parada logo à frente, seus olhos paralisados me encaravam em choque. Soltei Alana sabendo muito bem o que aquilo estava parecendo. - Ash... - Me desculpem, não queria interrompê-los. - ela falou friamente e deu as costas. Soltei Alana e não pensei duas vezes, fui atrás de Ashlyn.     Ashlyn   Assim que eu, Scar e Hilary descemos do táxi, entramos no local e fomos em direção ao palco onde tínhamos combinado de nos encontrar com os meninos. Estranhei quando só vi Oliver esperando. - Cadê o seu primo? Já foi atrás de um r**o de saia? - Hilary perguntou e eu agradeci. - Ele foi lá na direção da lanchonete, com certeza tem mulher no meio. - Oliver sorriu. Olhei na direção da lanchonete e vi que era perto dos banheiros. Será que Garrett tinha se escondido para se encontrar comigo? - Meninas eu vou no banheiro, volto já! - Ta! - Scar assentiu, seus braços envolviam o pescoço de Oliver. Agradecida por elas não terem desconfiado de nada e fui correndo o mais rápido que meus saltos permitiam até a lanchonete. Estava morrendo de saudades de Garrett, eu iria morrer de vergonha com toda a zoação que nossos amigos fariam com a gente, mas pelo menos esses encontros às escondidas e as inúmeras desculpas iam acabar hoje. Dei a volta na lanchonete e comecei a ouvir vozes. - Eu não ligo de te dividir com as outras, você nunca foi homem de uma mulher só. - uma garota suspirou. - Vamos aproveitar enquanto essa garota não chega! - Alana! Meus olhos se arregalaram quando ouvi aquela vez. - Shiu só me beija Garrett! Sentindo meu estômago embrulhar eu virei a parede e o vi aos beijos com outra. Suas mãos agarraram os braços da garota e a prensaram de encontro a parede, ela deu risadinhas gostando daquilo. Tentei segurar as lágrimas e mesmo sem querer, me lembrei das vezes em que estive no lugar dela. Garrett se afastou da garota e então me viu. Na mesma hora ele soltou os braços dela. - Ash... - Me desculpem, não queria interrompê-los. - não sei de onde tirei forças pra dizer aquelas palavras e conseguir me mover pra sair dali. Caminhei apressada pra saída da festa, quando ouvi os passos de Garrett atrás de mim, apertei o passo. - Espera! Sua mão agarrou meu braço, protestei, mas ele só me soltou quando estávamos dentro do banheiro feminino. Tentei sair, mas ele bloqueou a porta e nos trancou lá dentro. - Sai da minha frente! - pedi. - Você precisa me ouvir, não é o que você ta pensado, sei o que parece, mas... - Você estava aos beijos com outra. O que você quer que eu pense? Que aquilo foi uma espécie de despedida de solteiro antes de você dizer pra todo mundo que está comigo? - Você não viu o que aconteceu, aquela garota me agarrou! - Garrett olha o seu tamanho, como uma garota como ela, ia simplesmente chegar e agarrar você? - Eu to falando a verdade, você tem que acreditar em mim. - Parecia que vocês iam t*****r se eu não tivesse chegado e atrapalhado. - suspirei, tentei impedir, mas as palavras de Adam e de minhas amigas vieram à minha cabeça. - Me diz a verdade, você ainda não transou comigo, porque está transando com outras? Está matando o tempo com elas, enquanto não ganha minha confiança para fazermos o mesmo? - É claro que não! Que absurdo é esse que você ta falando? Você ta insinuando o que com isso? Que eu to com você só pra t*****r? - Garrett me encarou, ficando furioso de um jeito que vi poucas vezes. - Não é isso o que você quer com todas as garotas? - cruzei os braços, meus olhos marejados. - Mas não com você e já devia ter se dado conta disso. - Garrett todo mundo diz que você só se aproximou de mim, porque eu era namorada do Adam. Você nunca ficou amigo de nenhuma garota antes de mim. E se tudo isso foi um jeito que você achou de ganhar minha confiança? Depois que a gente transasse você ia espalhar para todo mundo que eu terminei com o Adam por sua causa? Que você conseguiu ficar com a garota do seu pior inimigo? - É claro que não, aposto que foi o i****a do Adam que encheu a sua cabeça com esses absurdos. - Ele me disse muitas coisas sim, mas Hilary e Scar concordam com ele. Elas não teriam porque mentir pra mim, nem do Adam elas gostam, mas os três concordam que você só está comigo para me usar. - É isso que você acha? - Você quer que eu ache o que depois do que eu vi? - apontei lá pra fora. Garrett tirou o celular do bolso e me mostrou uma mensagem. - Alana me enviou essa mensagem, eu só fui pra lá, porque achei que era uma mensagem sua. - Ah é? E você não viu que esse número não é o meu? - apontei a tela do celular furiosa. - Eu não reparei no número, fiquei tão afoito com a mensagem, tendo certeza que era você que eu simplesmente fui correndo pra lá. Acredita em mim caramba! - E por que ela tem seu número? - perguntei tentando encontrar motivos pra acreditar nele. - Porque ela também gosta de motos, foi assim que a gente se conheceu. Transamos várias vezes e trocamos telefone, mas foi há muito tempo, antes de conhecer você. - Até agora eu não acreditava nas minhas amigas e no Adam, mas depois que eu te vi aos beijos com ela... - Você ta querendo dizer que confia mais neles do que em mim? Que acredita naquele escroto do Adam, num panaca que nunca enxergou você do jeito que realmente é? - O que você pensaria no meu lugar? Você e o Adam se odeiam e ai você fica meu amigo e a gente começa a se envolver. Então depois de ouvir que você só ta querendo ficar comigo para esfregar na cara do Adam, para me usar, eu te vejo aos beijos com outra. O que você quer que eu pense? - Quer saber? Você está certa! - ele respondeu e sorriu com ironia. - Tudo que eu fiz foi pra ir pra cama com você, todas as coisas que eu te contei foi só pra você se aproximar de mim. Você deixou claro que não era como as outras então eu precisava achar outro meio para conseguir me enfiar no meio das suas pernas. - Você é um i****a! - encarei Garrett não conseguindo segurar as lágrimas, se ele tivesse me batido teria doido menos do que ouvir aquilo, ver que meu maior medo, de que minhas amigas estivessem falando a verdade, tinha se tornado realidade. - Não acredito que eu achei que você tinha mudado. - É você foi uma i****a mesmo, eu sou o mesmo Garrett que você conheceu aquele dia, ninguém muda da noite pro dia e você devia saber disso. Eu to só imaginando a cara do Adam quando ele souber que eu e você ficamos. Vai ser muito bom esfregar isso na cara dele. Antes que eu me desse conta do que estava fazendo, minha mão já tinha acertado o rosto dele. - Nunca mais fala comigo, nunca mais chega perto de mim! Dei as costas para ele, abri a porta do banheiro e sai correndo dali. Trombei com as pessoas no meio do caminho, mas não consegui enxergar os rostos delas. A única coisa que eu tinha consciência era da dor que eu sentia e da confirmação de que eu tinha me apaixonado por um monstro. Alguém que o tempo todo só quis brincar comigo.
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