Capítulo um
Não há nada mais estranho do que se apaixonar por alguém, que você tanto desejou, e depois quando essa pessoa finalmente sente o mesmo, vocês começam a namorar, mas um dia, você sente que as coisas não funcionam mais. É assim que me sinto ultimamente. No início do namoro foi muito bom, mas agora eu me pergunto: Será que alguma vez estive mesmo apaixonada, ou será que era fantasia de adolescente?
Agora tenho vinte anos, e me apercebo que talvez tenha cometido erros, de que não tenha me apercebido, porque pensei que era o certo para mim. Será que eu quis namorar Gary simplesmente porque ele é bonito? Será que sou tão superficial assim? Nunca amei ele, ainda amo ou deixei de amar?
Demasiadas perguntas!
Dou uma última olhada no espelho, e saio do meu quarto. Já não moramos na nossa velha casa. Moramos agora num apartamento fabuloso que Felicity comprou para a gente, porque ela quer que tenhamos o melhor.
Saio de casa e fecho a porta. Meu pai saiu com Kira, e possivelmente chegam um pouco tarde. Finalmente o inverno está se esgotando em Nova Iorque. Já chega de casacos, gorros, luvas e botas. Estamos no mês de Março, e a primavera está a caminho.
Vejo Gary me esperando no seu carro que eu não sei que marca é. Felicity é muito boa com carros, mas eu não. Eu sou muito boa com roupas e acessórios.
Gary nem sai do carro para me beijar ou algo assim. Ele me espera já com o motor trabalhando, e apenas me dá um pequeno sorriso. Eu respiro fundo e abro a porta para entrar no carro. Olho para ele enquanto fecho o cinto de segurança, e ele continua sorrindo.
- Você está muito linda, White. - Ele diz começando a dirigir.
- Eu sei. Eu sempre estou linda!
- Olha que tal se a gente for ver um jogo de basebol antes do cinema? É que eu quero muito ver.
Olho para ele incrédula. - Você está falando sério, Gary? Um jogo de basebol? Eu detesto! A gente vai ao cinema e ponto final!
- Deixa de ser tão chata White! Basebol é um dos melhores desportos. A não ser claro que você queira ver um de basquetebol ou de futebol.
- Você gosta tanto de desporto assim? Eu detesto todos eles! Não me obrigue a fazer isso Gary. A gente vai fazer o que combinou!
Ele pára o carro de repente, e depois olha para mim. - Porquê você está tão chata ultimamente? - Desvio o olhar. Ele tem razão. Preciso saber o que o nosso relacionamento significa. Preciso saber o que Gary significa para mim.
- Desculpa! Você tem razão. Não importa onde estejamos. O importante é estarmos juntos não é? Então vamos ver o jogo de Basebol.
- Obrigado. Depois do jogo vamos ver aquele seu filme. Eu também não gosto mas faço isso por você.
Cruzo os braços e olho através do vidro do carro o caminho que estamos percorrendo. Eu não sei o que está acontecendo com a gente. Ou será que o problema não somos nós, mas sim eu. E porque isso agora se as coisas sempre estiveram tão bem?
Saímos da sala de cinema de mãos dadas. Ainda tenho o meu suco nas minhas mãos, e sinto algo estranho quando Gary beija o meu rosto. Não é algo mau, nem bom, mas algo que precisa ser compreendido.
- O filme não foi tão r**m assim. - Ele diz olhando nos meus olhos.
- O quê? Esse filme foi nomeado para quatorze Óscars! Não foi tão r**m assim? Esse filme está na lista dos melhores!
- Calma meu amor! É só um filme!
Saímos do cinema e chegamos até seu carro. Ele recebe a minha bebida para colocar no lixo, e eu abro a porta do carro.
- Não! White vamos no banco de trás por um segundo? - Ele fecha a porta que eu abri e abre a do banco de trás.
Entramos, e quando ele fecha a porta, começa a me beijar de um jeito muito selvagem, passa a mão pelo meu corpo, e caminha ela entre minhas pernas. Eu o afasto.
- O que você está fazendo? - Pergunto.
- White, a gente está juntos há um ano, mas a gente nunca transou. - Ele olha para mim. Seu rosto está ligeiramente iluminado pela luz lunar.
- E você quer fazer isso aqui? No carro? - Olho para os assentos, depois para ele.
- Tem razão! Vamos para outro lugar! - Entro em pânico. Eu não quero fazer isso agora.
- Você está falando sério?
- Sim. Há algum problema?
- Acontece que eu não estou preparada.
Ele passa a mão pelo cabelo. - É sempre a mesma coisa, White. Você por acaso gosta de mim? Um ano se passou e a gente continua no mesmo lugar. Nossa relação não está avançando.
- Não é verdade! Você sabe disso!
- Sabe de uma coisa? Eu acho que vou esperar até você ter trinta! Porquê você decididamente não está pronta para ter uma relação séria. Não sei onde eu estava com a cabeça, quando pedi uma novinha em namoro!
Me endireito no assento, e olho para ele furiosa. - Você acabou de dizer o que eu penso? Porquê tem de pensar que as coisas são por minha culpa por eu ser mais nova que você. Eu não sou assim tão nova! Eu tenho vinte e você vinte e quatro.
- Você nem terminou a universidade garota! Você é muito nova para mim! - Ele cruza os braços.
- Tem razão! Então adeus. Vai procurar outra namorada, seu i*****l! - Saio do seu carro, e corro para chamar um táxi.
É o que dá gostar e namorar com homens mais velhos. Não acredito que pense essas coisas. Eu não me comporto como uma criança. Eu já sou crescida o bastante para saber das coisas.
Assim que um táxi pára na minha frente, Gary vem correndo até mim.
- White espera! Não vá. Vamos conversar.
- Não há nada para conversar. Me deixa em paz, Gary! - Digo e ele agarra o meu braço.
- Desculpa! Não é isso que eu penso de você. Você sabe que eu te amo. - Fecho os olhos assim que ele diz as três palavras pela primeira vez. Nós nunca dissemos as três palavras.
Olho para ele. - Gary eu... não sei o que dizer.
Ele dispensa o táxi e me abraça. - Não precisa dizer nada. Não termina comigo por favor!
Sinto que há segundos tinha tirado um peso das minhas costas, mas agora, algo ainda mais pesado caiu por cima. Ele disse as três palavras, e isso não aqueceu meu coração do jeito que eu queria. Eu estou mais confusa a cada segundo.
Ele me leva de volta para o carro, e ele me beija antes de ligar o motor. Coloco o cinto de segurança, e olho através do vidro do carro.
- Eu não quis dizer aquelas coisas, meu amor. Eu peço desculpa. - Ele segue pela estrada.
- Você tem razão em algumas coisas.
- Desculpa. Eu acho que sou eu quem estraga sempre as coisas.
- Vamos esquecer isso, por favor!
- Concordo.
Gary estaciona o carro, abre a porta e corre para abrir a minha também. Ele me dá a mão e eu agarro. Desço do carro, e ele fecha a porta atrás de mim. Fico parada na sua frente, como se fosse uma estranha para ele.
- Você está brava comigo? - Ele passa a mão pelo meu cabelo.
- Talvez um pouco.
Ele abaixa para me beijar. Nossos lábios se tocam e minhas mãos vão para o seu cabelo. Sempre gostei do jeito dele de me beijar, mas ultimamente, tenho achado muito estranho, como se já não estivéssemos em conexão. Ou será que nunca estivemos?
Ele termina o nosso beijo e sorri para mim. - Eu te amo. - Ele diz e entra de volta no carro.
Corro para dentro de casa e fecho a porta. Não vejo nem meu pai, nem Kira. Devem estar dormindo, e eu não vou incomodar eles. Vou para o meu quarto e me jogo na cama.
As coisas estão indo de um jeito estranho para mim. Não é que eu tenha medo dos meus sentimentos, é só que, eu acho que não é certo. Ele não devia ter dito as três palavras. Mas ele disse. Três vezes. No início eu quis tanto ouvir isso, mas agora, não sinto nada. Não senti nada quando ele disse aquilo. E eu tenho medo de machucar ele, e depois perceber que as minhas dúvidas eram insignificantes e eu continuar apaixonada por ele.
Pego no telefone e ligo para Carly. Ela é minha melhor amiga, e com certeza vai poder me dizer algo que vai me ajudar a sair dessa situação h******l. Ela atende no quarto toque.
- Oi Best! - Ela responde toda feliz. Como sempre!
- Preciso falar com você sobre Gary.
- Não me diga que você ainda está com dúvidas!
- Você nem imagina. A gente foi sair hoje. Primeiro vimos um jogo de basebol, depois fomos ao cinema, discutimos e depois ele disse as três palavras!
- Sério? Ele disse: Eu te amo?
- Disse. Eu não consegui continuar zangada com ele.
- Peça um tempo. Se durante o tempo em que estiverem separados, você sentir saudades e quiser voltar com ele, você ainda é apaixonada. Se for indiferente, arranja uma maneira de terminar com ele.
- Mas ele disse que me ama e eu vou pedir um tempo? Carly, isso não faz sentido.
- Tudo bem. Então durma, e amanhã decida. Beijos. - Ela desliga.
Coloco o telefone na mesa de cabeceira, e vou trocar de roupa para dormir. Gary não sai da minha cabeça. Mas não é do jeito de antes. De um jeito diferente.
O táxi pára na frente da casa de William e Felicity, e eu desço depois de pagar. Entro na enorme casa, primeiro pelo grande portão, depois caminho até a porta principal também gigante. Não sei qual é o problema de William com coisas grandes.
Toco a campainha e Julie abre a porta e sorri para mim. - Bom dia senhorita Jones! - Eu entro e sorrio para ela também.
- Bom dia Julie. Você pode chamar minha irmã por favor!
- Claro! Com licença. - Ela sobe os degraus e eu me sento no grande sofá. Deve ser incrível morar numa casa dessas. Felicity mora aqui há um ano, e das vezes que eu vim aqui não me acostumei ainda. Que estranho.
Oiço passos nos degraus e me viro para encarar Felicity. Ela está com um vestido bege, o cabelo num r**o de cavalo e parece uma mulher de família. E ela realmente é.
- Oi White. Que bom que você veio. - Levanto para abraçá-la.
- Estou com saudades de vocês. Principalmente dos meus sobrinhos. Como eles estão? - Sorrio.
- Estão ótimos, mas com saudades do pai. Mas finalmente William vai chegar de Paris a qualquer momento. - Sentamos no sofá.
- Que bom. - Olho para as minhas mãos. Gostaria muito de toda a ajudar que conseguir.
- Algum problema? Você está bem?
- Felicity, como você se sentiu quando William disse pela primeira vez que te amava? - Vou direito ao assunto.
Ela franze a testa e olha para mim de um jeito estranho. - Bem, eu me senti mais apaixonada por ele, e acho que foi uma das coisas que eu não vou querer esquecer. Eu senti algo maravilhoso dentro de mim. Uma felicidade que eu não posso explicar. - Ela arqueia uma sobrancelha. - Porquê a pergunta?
- Eu estou muito confusa sobre minha relação com Gary. As coisas esfriaram e acho que já não sinto o mesmo.
- Porquê você pensa assim? Pelo que eu saiba, você era louca por ele.
- Tem razão. Mas agora as coisas mudaram. Já não me sinto como antes. Ontem ele disse que me ama e eu não senti nada.
- Você não sentiu nada de nada? Nem um pouquinho?
- Nem um pouquinho. Acho que já não estou apaixonada. Mas eu não quero machucá-lo.
- Infelizmente numa situação dessas, é impossível ninguém sofrer.
- O que eu faço? Termino com ele?
- Você não pode ficar com alguém que não ama. Você vai sofrer e vai fazer ele sofrer também.
- Acho que isso já está acontecendo. - Dou um pequeno sorriso para ela. - Como vão as coisas com você?
- Melhor impossível. Meus meninos são a melhor coisa que me aconteceu. Eu estou babando eles até agora.
- E as coisas com William?
- Muito bem. William é o amor da minha vida. Cada dia que passa, eu me apaixono mais e mais por ele.
Sorrio ao notar o quanto está feliz. Ouvimos o choro dos bebés atrás do babá eletronico, e Felicity fecha os olhos por um segundo.
- Eles acordaram! Quando um acorda, obviamente o outro acorda. - Ela levanta.
- Eu vou te ajudar. - Levanto também.
Subimos os degraus e entramos no quarto dos bebés. Eles continuam chorando e Felicity coloca um deles no colo. O Edmund. Não! O Félix. Na verdade não sei porque eles são idênticos.
Vejo a fralda do outro bebé, e está sequinho. Ambos estão sequinhos. Eu o coloco no colo, e o consolo.
- Devem estar com fome. - Felicity diz caminhando para fora do quarto. - Julie traga as mamadeiras dos meninos, por favor!
Saímos do quarto e voltamos para a sala. O bebé no colo de Felicity já parou de chorar, mas o que está no meu colo não. Não consigo dizer quem é quem.
- Calma meu amor! - Felicity diz para ele.
- Eu estou segurando Edmund ou Félix?
Ela ri. - Félix. A diferença entre eles, é que Edmund tem olhos iguais aos de William e Félix aos meus. Têm diferentes tons de azul.
- É difícil diferenciá-los.
- Eles já têm oito meses de idade. Quando crescerem todos vão saber diferenciar.
- Espero bem que sim.
- E você está estudando para os exames? Sua formatura é este ano.
- Eu sei. Estou tão emocionada. Estou tentando estudar muito.
Julie trás as mamadeiras na sala de estar, e coloca por cima da mesa. Nos pegamos nas mamadeiras e alimentamos os bebés.
Tive que pedir o número de Ronald para Felicity para conversar com ele. Preciso que ele me ajude com Gary. Ele é irmão dele por isso, deve saber o que devo fazer para não fazer Gary sofrer.
O que eu vou dizer para o irmão dele? Como eu vou dizer? As coisas estão cada vez mais hilário. Meu telefone começa a tocar e quando vejo que é Gary, tenho vontade de não atender, mas atendo.
- Oi. - Respondo.
- Tudo bem meu amor? Você estará ocupada está noite?
Penso sobre isso. Definitivamente não vou sair com ele hoje. - Sim, eu combinei com a Carly. Desculpa.
- Não faz m*l. Podemos sair noutro dia. - Ele faz uma pausa. - Tenho saudades de você!
- Eu também. - Digo mas isso não convence a mim mesma.
- Depois nos falamos. Te amo.
- Beijos. - Desligo o telefone.
Eu não menti sobre ter planos com Carly. Ela disse que me levaria numa festa, mas eu não tinha confirmado. Feliz ou infelizmente eu vou para essa festa, e amanhã tento conversar com Ronald. Espero que as coisas não piorem.