Capítulo 9

1021 Words
Alessandro Achei que Lorenzo fosse me dar ao menos a chance de me explicar, mas acho que tive um excesso de fé. Olhei para a tela do celular, me sentindo apunhalado pelas costas. "A polícia está a caminho!" Era a mensagem dele. Muito mais do que um aviso, uma sentença. Liguei para o detetive da cidade com a esperança de que a mensagem fosse um blefe. — Detetive, é o Alessandro! — me identifiquei, já que estava usando o meu celular particular. — Alessandro, estava tentando falar com você. A polícia está te procurando, saia imediatamente do país! — p***a! — desliguei o telefone, sentindo uma onda de raiva percorrer as minhas entranhas. Lorenzo havia me entregado. Entrei no carro e encontrei Fiorella me encarando com os olhos arregalados. Ela estava assustada. Sorri de lado. Quando se carrega o inferno no peito, é normal deixar o monstro emergir vez ou outra. — Clark, tire-nos daqui imediatamente! O carro arrancou em alta velocidade, fazendo com que o corpo de Fiorella fosse lançado pra frente. Coloquei meu braço diante dela, impedindo que ela batesse a cabeça, já que estava com os pulsos amarrados. Empurrei seu tronco de volta para o assento e passei o cinto de segurança. — Não quero que morra... ainda. — Se você é o meu Diavolo, então eu sou uma pecadora? — os olhos juvenis me fitaram como se tentasse enxergar além da superfície. — Cale a p***a da boca! Desviei o olhar, não podia lidar com ela. Pelo menos, não enquanto todo o meu corpo estava tomado pelo ódio; seria fácil demais puxar o gatilho nesse momento, e nem mesmo a aparência dócil de Fiorella seria suficiente para me impedir. Puxei a arma da cinta e coloquei sobre a coxa. Matar Fiorella, enquanto Don Salvatore havia confiado a segurança da filha a mim, me pareceu muito tentador. Seria como jogar uma granada no quintal da Cosa Nostra, e em um piscar de olhos a máfia siciliana viria atrás de mim. Senti o coração bater mais forte no peito e não pude conter uma risada rouca. Alisei a minha própria coxa com o cano da arma. — Qual foi o meu pecado? — a voz miúda de Fiorella inundou os meus sentidos. Arranhei a garganta antes de responder, fixei os meus olhos nos dela. — Fiorella Salvatore, me dê um bom motivo para não te matar agora? Ainda mantinha a minha arma firme em minha própria coxa, como se temesse que, em um impulso, pudesse atirar. — Prometeu ao meu pai que me levaria para casa em segurança. — Eu posso ser um traidor... — murmurei, sabendo que não estava fazendo sentido às minhas palavras. Lorenzo! Como pode me trair? Éramos família... Eu achei que você era minha família. — Ele te mataria... o meu pai te caçaria até o inferno e te mataria. Encarei a jovem diante de mim, buscando pela minha própria sanidade. Novamente dei um sorriso de lado, e com satisfação a vi estremecer. — Chegamos — anunciei assim que Clark parou o carro. — Venha, princesa! Fiorella gritava e esperneava como podia. A poucos metros de nós estava o avião que nos levaria de volta para a Itália. O piloto aguardava ao lado da aeronave. Agarrei Fiorella pelos ombros, confuso pela reação dela. — Qual é o problema com você? Acredito que queira voltar para o seu pai, ou não? — Não confio em você — ela disparou. Dei um sorriso cínico. — Não deve mesmo confiar em mim, mas o seu pai confia, e é isso o que me importa. Por um instante ela pareceu se conformar, mas, no momento em que retirei os olhos dela, ela correu. Clark se movimentou em direção dela, mas bastou um gesto meu para que ele recuasse. Jamais vou permitir que outro homem coloque as mãos no que me pertence. O pensamento me fez vacilar por um breve momento, mas logo alcancei Fiorella, a agarrei e ergui com um único braço. O corpo pequeno dela se curvou sobre o meu ombro. Tão leve. — Boa tentativa, coelhinha! Segui direto para o avião, a coloquei em uma das poltronas e apertei o cinto em torno dela. — Da próxima vez que tentar fugir de mim, não sairá impune. — O que vai fazer? Bater na minha b***a? — ela provocou, cheia de coragem. — Exatamente! — Não me trate como uma criança — ela berrou, os olhos se enchendo de água novamente. Pelo jeito, a viagem de volta para a Itália seria ainda mais desagradável do que imaginei. Me curvei em direção ao rosto dela, roçando a barba na pele da sua bochecha e sussurrei em seu ouvido: — Está completamente enganada. Não há nada na minha mente que não seja absolutamente adulto quando penso em te punir. Adulto e proibido para os seus ouvidos sensíveis — me afastei, sentindo a tensão no meu corpo se concentrar em uma parte tão imprópria quanto os meus pensamentos. Ela parou de chorar, mas o rosto estava tão vermelho, quase da cor do cabelo. Precisava me afastar antes que eu cometesse um crime. E não seria assassinato, seria algo muito pior. Levantei ciente da protuberância evidente em minha calça. p***a, Alessandro! Que espécie de monstro é você? — Você tinha razão... — ouvi a voz de Fiorella atrás de mim, parei no lugar, mas não me virei — você é mesmo o Diavolo. Tentador... como o Diavolo. Virei o rosto na direção dela. Sabia que ela estava reagindo à energia s****l evidente entre nós. Céus, aquilo era errado de mil maneiras diferentes. Fiorella tinha "quase" dezoito anos. E esse quase me estapeava a cara com uma força esmagadora. — Vou te levar para o seu pai, Fiorella. Está segura comigo! — Agora... eu não estou... com medo. — Sua única proteção contra mim são os vinte e um dias restantes. Depois disso, não importa o quão tentador lhe pareça, apenas fuja! — E se eu não quiser fugir? — Vinte e um dias. É o tempo que tem para decidir. E então, quando eu estiver diante de você novamente, não vou hesitar.
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