Capítulo 14

1115 Words
Alessandro — Peça a mão da filha de Don Salvatore, em troca de ser subchefe da Cosa Nostra! — Agora é você que está me dando muito crédito, Eduardo. Ou seria uma cilada? Don Salvatore não vai ficar satisfeito ao saber que colocou um preço na filha dele. Eduardo coçou a cabeça, e pude perceber que ele estava nervoso. Ele fez um movimento ousado e isso poderia facilmente lhe custar a vida. — Não podemos ter receio quanto à sua lealdade e, considerando que as coisas não começaram muito bem, tenho receio quanto à sua entrada para a Cosa Nostra. — Isso não parece ser um problema para o seu chefe... — provoquei. — O casamento resolveria esse impasse. Você se tornaria intocável. — Considerando que Don Salvatore me aceite como genro, caso contrário, estaria assinando a minha própria sentença de morte. Sinceramente, não acho que você esteja sendo totalmente honesto comigo, Eduardo. O homem virou o copo de whisky de uma vez e assentiu com a cabeça. — Você está certo. Venha comigo. Dito isso, ele caminhou até uma escada lateral e deu passagem para que eu subisse na frente. Não me importava de lhe dar as costas, mantive-me próximo o suficiente para detectar qualquer movimento suspeito. Subimos vários lances de escada até chegar a um escritório pequeno. O lugar possuía apenas uma escrivaninha e duas cadeiras de couro escuro. Abri os botões do terno e sentei-me em uma das poltronas. Eduardo sentou-se diante de mim. Ele pigarreou, nervoso, antes de começar: — Aqui é mais seguro para conversarmos. Em poucos dias, Dominic, o irmão gêmeo de Fiorella, vai completar dezoito anos e então passará pela cerimônia de iniciação. Não é uma cerimônia simples, como a que os soldados da Cosa Nostra enfrentam, é a cerimônia do herdeiro! — E o que isso tem a ver comigo? — sabia que Eduardo estava enrolando para dizer o que realmente queria. — Você é um homem inteligente e perspicaz, Alessandro. Tenho certeza de que nem em seus maiores delírios cogitou possuir tanto poder assim... Entrar para a família de Don Salvatore tornaria você um dos homens mais poderosos dentro da Itália e fora dela. — Isso está claro para mim. O que não me parece óbvio são os seus motivos. — Fiorella me pareceu bastante impressionada com você... — ele forçou um sorriso amistoso. — Ela é muito nova, garotas assim se impressionam com facilidade. Eu não toquei indevidamente a filha de Don Salvatore — adiantei-me em explicar —. Jamais faria algo assim, ela é só uma menina. — Alessandro, o que vou lhe contar é extremamente confidencial. Ouça bem e então faça o que achar correto. A cerimônia de iniciação do herdeiro da máfia envolve que ele tenha relação com a própria irmã. — O quê?! — perguntei, perplexo. — Isso é loucura! — Concordo com você, por isso te peço que não permita que essa atrocidade aconteça! Peça Fiorella em casamento e acabe com isso. Se houver uma aliança entre vocês, ela não poderá participar da iniciação. O código de honra da Cosa Nostra não aceita traição. — p***a! — xinguei, sentindo-me enojado com a revelação. — Direi a Don Salvatore que você vai pensar na proposta que ele fez — Eduardo levantou-se, dando por encerrada a nossa reunião —. Mas, Alessandro, não demore. Saímos do prédio em completo silêncio e cada um tomou seu próprio rumo. Cheguei em casa sentindo a exaustão do dia finalmente me alcançar. Joguei o corpo na cama grande, ainda vestido, e adormeci rapidamente, mas não tive um sono tranquilo. Fiorella, sua beleza e atrevimento, enfeitiçaram meus sentidos durante toda a noite. Desejei imensamente protegê-la do pai, do irmão e, acima de tudo, de mim mesmo. Para Eduardo eu era a salvação de Fiorella, para mim, ela deveria ser um alvo. Mas por que fiquei tão horrorizado pelo futuro que a aguardava? Eu não devia me importar. Os Salvatore eram tão sórdidos que eram capazes de trazer desgraça para a própria vida. Maldição! Os dias se seguiram turbulentos, e, para piorar as coisas, bastava fechar os olhos para encontrar Fiorella em meus sonhos. Estava obcecado por ela, seguindo cada um dos seus passos mesmo de longe. Seja lá como ela estivesse lidando com a fobia, não estava funcionando. A cada dia ela parecia mais abatida. A iniciação do herdeiro seria após o aniversário, e soube por Eduardo que Don Salvatore daria uma grande festa para os filhos. Apesar de solicitar um convite de forma descarada, meu pedido não foi atendido. Eu ainda não havia dado uma resposta a Don Salvatore, embora minha decisão estivesse tomada desde o dia da reunião. Por muitos motivos, escolhi me manter afastado de Fiorella até o grande dia. Agora estava na hora de aparecer novamente. Olhei o meu reflexo no espelho, ligeiramente ansioso. O terno novo ficou perfeito com a camisa cinza por baixo. Meu cabelo estava um pouco mais comprido que o normal, e o calor habitual da Sicília já deixava sua marca no meu rosto, agora mais bronzeado. Por que diabos estou tão preocupado com a aparência? Sorri com o pensamento. — O carro está pronto, Sr. Alessandro! — Clark surgiu na soleira da porta. — Irei sozinho! — avisei e peguei o capacete. Clark olhou-me surpreso, mas não questionou. A mansão estava bastante movimentada, e eu poderia ter entrado do jeito convencional, mas estava ansioso demais para passar pela inspeção burocrática de Don Salvatore e seus seguranças, por isso optei por usar um atalho. Com habilidade e dedicação consegui chegar exatamente onde queria. Bati na porta e imediatamente ouvi a voz miúda de Fiorella do outro lado. Sabia que ela estava sozinha no quarto, fiquei espionando do corredor. Quando ela finalmente abriu a porta, senti que o coração iria explodir no peito. Fiorella estava em um belo vestido lilás, cheio de tules e rendas. O rosto tinha o brilho artificial da maquiagem. Mesmo assim, estava absolutamente linda, parecia uma princesa. — Caramba. — Entre de uma vez — ela puxou o meu braço —. Se o meu pai te ver aqui, ele te mata e depois me mata. Aliás, o que você está fazendo aqui? Fiorella fechou a porta atrás de nós, e eu simplesmente não conseguia desviar os olhos dela. — Eu lhe dei vinte e um dias... — minha voz saiu grossa, carregada de tensão. — Você é louco! Diminui a distância entre nós, o corpo dela ficou bem perto do meu. Busquei em seus olhos alguma resistência, mas, ao invés disso, ela deu um passo e apoiou o corpo no meu. — Eu disse que não hesitaria... — a lembrei. — Por favor... não hesite...
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