O meu nascimento.
17 de outubro de 2001, 04h39 minutos, a minha mãe começou a sentir as contrações, era eu pedindo para nascer. Mas antes deixa eu te contar quão feliz o meu pai ficou quando soube da minha existência.
Nove meses antes, a minha mãe - Soraia, chegou do trabalho m*l disposta, com tonturas e enjoos, o meu pai achava que ela estava doente e ela estava, mas de mim, rsrs.
Naquele dia o meu pai insistia que fossem ao hospital, mas a minha mãe não queria, porque ela detestava hospital.
Depois de uma semana, os sintomas intensificaram e com a insistência do meu pai, a minha mãe acabou por ceder, mas com a condição de apenas ir na semana a seguir.
A semana passou e chegou o dia de visitar o médico, acho que ela esperava ouvir que o estado dela havia piorado por causa da doença e que seria necessário fazer quimioterapia ou hemoterapia, mas se a notícia fosse essa, nem nos últimos segundos da vida dela, contaria ao meu pai! Disso vocês podem ter a certeza.
Mas, espera aí...
Eu disse "doença"?
Talvez você ache que ao dizer "doença" quiz falar sobre a gravidez, mas não.
Ao longo de muitos séculos, uma doença desconhecida tem assolado o gênero feminino da família da minha mãe, é uma doença autoimune e se encontra no DNA da família da minha mãe. E sim, ela, eu e a minha irmã Bruna somos portadoras. A Bruna é a minha irmã de mãe, lá mais em frente eu contarei melhor sobre ela.
E olha que ainda tem muito para contar.
Continuando... A minha mãe fez todos os exames possíveis naquele dia, pediram que aguardasse duas horas para que pudesse receber os resultados.
Depois de passado o tempo, o Dr. a chamou e deu-lhe a notícia.
E o que você acha?
Já sabes qual é a notícia? Ora bem, se ainda não, então eu irei contar-te, rsrs.
Senhoras e senhores, jovens e jovens, é com muito prazer que eu "Alicia Sense de el Portilho, anuncio uma das melhores notícias do meu mundoooo, do mundo do meu pai e do mundo da minha mãe.
Cadê os batuques e sinos?
Em contagem decrescente 5 4 3 2 1... MINHA MÃE ESTÁ GRÁVIDA!
Aquela tinha sido uma das melhores notícias que alguém havia dado para a minha mãe.
Ela estava grávida de 6 semanas, acho que ela respirou fundo e disse em seu coração que não tinha percebido que aqueles sintomas eram de gravidez, afinal seria a primeira filha, né? A minha mãe tinha 18 anos quando ficou gestada de mim e o meu pai já tinha 20 anos.
Naquele dia, ao voltar para casa, a minha mãe pensava em dar a notícia ao meu pai de uma maneira especial e assim o fez.
Esperou o meu pai chegar em casa e entregou uma t-shirt de cor branca com a gravura de um bebé e as escritas:
_ Brevemente serei papai.
O meu pai não podia acreditar no que via, não era possível... Seria verdade aquilo?
A alegria foi tão imensa que pulou e colocou a minha mãe no colo, a abençoando e me abençoando.
Os dias foram passando e tudo foi ficando melhor ainda, o papai não aguentava ficar longe da mamãe, e logo que estivesse junto dela, abraçava e brincava com a barriga.
9 meses se passaram e já estava na hora de eu nascer e conhecer esse mundo de que tanto falavam...
A minha família me esperava com ansiedade, as dores foram intensificando e a minha mãe só conseguia se apoiar no meu pai.
As 17h58, se ouviu um choro na sala de parto, o choro de um bebé, era eu.
Minutos depois do meu nascimento, abri os olhos e o que mais chamou atenção dos médicos e dos meus pais foi a cor dos meus lindos olhos.
_ Puxou a cor dos olhos do pai, falou o médico olhando para mim com um largo sorriso de ponta em ponta.
Quando o Dr. falou aquilo, a minha mãe, deixou escapar um sorriso me levando até ela.
O meu pai foi e é o homem mais sortudo do mundo, a primeira e única filha dele, havia puxado a cor dos seus olhos.
Horas depois, a minha mãe e eu recebemos alta médica e podíamos ir para casa.
O meu pai estava do lado de fora do hospital ao lado de uma táxi que aguardava a nossa chegada
Naquele ano, a condição financeira do meu pai não era das melhores, mas nunca deixou faltar nada a minha mãe e nem mim.
Minha mãe - Soraia, vinha de uma família espanhola, residente maioritariamente na Espanha, de porte financeiro alto, sua mãe, minha avó, nunca aprovara seu relacionamento com o meu pai, até mesmo no leito da morte, isso quando minha mãe tinha 16 anos.
A minha mãe era a mais velha de uma única irmã - Laura, minha tia.
Minha mãe era morena, de pele clara, cabelo cacheado, olhos castanhos claros, corpo de ampulheta, tinha 1.65 de altura.
A tia Laura era 2 anos menor que a mamã e sempre esteve ao lado dela, mesmo quando a minha avó ameaçava deserda-la.
O meu pai - Júlio, era de família europeia, o primeiro de 3 irmãos.
O meu pai, era lindo, cabelo liso preto, olhos verde mar, pele branca, estatura alta e grande, 1.90 de altura, só para terem noção.
Vinha de uma família nobre, mas trabalhadora, o inglês era a língua oficial da família.
Eu, Alicia sou mestiça, junção de duas terras, de dois continentes, de duas origens e duas etnias.
Pele clara, morena, cabelo ondulado, olhos verde mar, 1.68 de altura.
Ao ver o meu pai, a minha mãe alegrou-se e foi em direção a ele.
Nas laterais do táxi, estava escrito:
_ Seja bem vinda, Alicia.
Sei disso, porque os meus pais me contaram.
Eu não era uma vidente para ver o que aconteceu, mas era humana o suficiente para sentir o quanto os meus pais me amavam.
O tempo foi passando e a minha mãe modificou muito, as saídas e noites fora de casa eram constantes e as brigas entre ela e o papai também.
Quando completei 4 anos de idade, lembro que no dia do meu aniversário, a minha mãe não havia aparecido, fiquei sozinha com o meu pai, que estava desolado.
Depois daquele dia, a mamã apareceu e com ela vieram mais duas crianças.
Os meus pais foram no quarto e os gritos eram imensos, ouvia o que eles diziam, mas não percebia nada e nem porquê faziam tanto barulho.
Na sala estava eu e mais as duas crianças que a mamãe havia trazido consigo.
O mais velho, que era o rapaz abraçava e tapava os ouvidos da menor, pareciam ser irmãos.
Eu também queria irmãos, havia pedido isso aos meus pais de presente para o meu aniversário de 4 anos, só não sabia que seria daquele jeito.
Depois de minutos, longos minutos, os meus pais saíram do quarto.
Olhei para a minha mãe que vinha em minha direção com os olhos cheios de lágrimas e depois para o meu pai, que parecia estar inconsolado, não parou de chorar um segundo apenas, aquilo me magoava e comecei a chorar também.
Ao chegar até mim, a minha mãe me deu um abraço forte e disse que me amava e que apesar de tudo, seria sempre a menina dela.
Chamou as duas crianças e disse:
_ Alicia, esses são os seus irmãos, Luan e Bruna.
Ao nos apresentar, fez com que nossas mãos se tocassem.
Eu olhei para o meu pai e depois para a minha mãe, não percebia nada.
Como poderiam ser meus irmãos, se a última e única vez que esteve grávida foi de mim?!
Creio que essa também era a questão do meu pai.
Como?!
O meu choro era silencioso, mas se intensificou mais, não percebia o que a minha mãe dizia, mas sentia alto errado.
A minha mãe, mais uma vez olhou para mim e disse:
_ Aconteça o que acontecer, eles serão sempre seus irmãos, meu amor, e eu serei sempre sua mãe.
Depois daquelas palavras, a minha mãe se levantou, pegou nos meus irmãos, olhou para trás e disse:
_ Adeus, filha.
Foi depois de ouvir essa frase, que o meu coração começou a bater forte e quase saiu pela boca, era uma dor inexplicável, que nunca havia sentido antes.
Foi aí, que eu comecei a chorar a sério e só dizia:
_ Não, mamãe, não vai por favor.
Não vai, não vai... mas parecia que a minha mãe não conseguia me ouvir naquele momento.
Senti o meu pai me levantando e me abraçar com todos as suas forças, para me consolar, mas naquele momento eu só queria a minha mãe, só a minha mãe.
Eu ouvia o meu pai falar em meio ao choro:
_ Não chora, minha princesa.
Mas como eu ia não chorar, se ele também chorava?!
Quando a minha mãe foi embora, o meu pai e eu ficámos destroçados, eu por não ter mais uma mãe presente, tal como nas novelas que ela amava assistir, e o meu pai por não ter mais a mulher que amava e por ter sido traído sem perceber, com uma filha de 4 anos, que em breve teria o seu primeiro dia de aulas...
O tempo passou e o meu pai, por obrigação, com vontade ou não, teve de procurar outro emprego e uma casa pequena para morarmos...