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Meu Pai, Meu Melhor Amigo!

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Meu Pai, Meu Melhor Amigo narra a história de Alicia e Júlio, unidos por um laço construído na adversidade. Júlio, após confiar em uma mulher e ser traído, vê sua vida mudar com o nascimento de Alicia. Sozinho e ferido, assume a paternidade a solo quando a filha tinha apenas cinco anos, enfrentando dificuldades emocionais, financeiras e sociais.

Criar Alicia não foi fácil. Houve controvérsias, momentos de exaustão e advertências que quase o fizeram desistir. No entanto, com o passar do tempo, Júlio transforma a dor em força e encontra na filha a sua maior razão para seguir em frente. Alicia torna-se sua força vital, sua motivação diária e o centro da sua reconstrução.

À medida que crescem juntos, a relação entre pai e filha ultrapassa os limites tradicionais da paternidade e se transforma em amizade, confiança e cumplicidade. Júlio torna-se um pai presente, protetor e confiável — e também o melhor amigo de Alicia. Por sua vez, Alicia, amada e segura, cresce sendo igualmente o apoio emocional do pai.

Esta é uma história de superação, amor incondicional e laços que se fortalecem no meio das dificuldades. Um retrato sensível da paternidade real, onde a dor dá lugar à resiliência e onde pai e filha provam que família é quem permanece, luta e ama todos os dias.

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O meu nascimento.
17 de outubro de 2001, 04h39 minutos, a minha mãe começou a sentir as contrações, era eu pedindo para nascer. Mas antes deixa eu te contar quão feliz o meu pai ficou quando soube da minha existência. Nove meses antes, a minha mãe - Soraia, chegou do trabalho m*l disposta, com tonturas e enjoos, o meu pai achava que ela estava doente e ela estava, mas de mim, rsrs. Naquele dia o meu pai insistia que fossem ao hospital, mas a minha mãe não queria, porque ela detestava hospital. Depois de uma semana, os sintomas intensificaram e com a insistência do meu pai, a minha mãe acabou por ceder, mas com a condição de apenas ir na semana a seguir. A semana passou e chegou o dia de visitar o médico, acho que ela esperava ouvir que o estado dela havia piorado por causa da doença e que seria necessário fazer quimioterapia ou hemoterapia, mas se a notícia fosse essa, nem nos últimos segundos da vida dela, contaria ao meu pai! Disso vocês podem ter a certeza. Mas, espera aí... Eu disse "doença"? Talvez você ache que ao dizer "doença" quiz falar sobre a gravidez, mas não. Ao longo de muitos séculos, uma doença desconhecida tem assolado o gênero feminino da família da minha mãe, é uma doença autoimune e se encontra no DNA da família da minha mãe. E sim, ela, eu e a minha irmã Bruna somos portadoras. A Bruna é a minha irmã de mãe, lá mais em frente eu contarei melhor sobre ela. E olha que ainda tem muito para contar. Continuando... A minha mãe fez todos os exames possíveis naquele dia, pediram que aguardasse duas horas para que pudesse receber os resultados. Depois de passado o tempo, o Dr. a chamou e deu-lhe a notícia. E o que você acha? Já sabes qual é a notícia? Ora bem, se ainda não, então eu irei contar-te, rsrs. Senhoras e senhores, jovens e jovens, é com muito prazer que eu "Alicia Sense de el Portilho, anuncio uma das melhores notícias do meu mundoooo, do mundo do meu pai e do mundo da minha mãe. Cadê os batuques e sinos? Em contagem decrescente 5 4 3 2 1... MINHA MÃE ESTÁ GRÁVIDA! Aquela tinha sido uma das melhores notícias que alguém havia dado para a minha mãe. Ela estava grávida de 6 semanas, acho que ela respirou fundo e disse em seu coração que não tinha percebido que aqueles sintomas eram de gravidez, afinal seria a primeira filha, né? A minha mãe tinha 18 anos quando ficou gestada de mim e o meu pai já tinha 20 anos. Naquele dia, ao voltar para casa, a minha mãe pensava em dar a notícia ao meu pai de uma maneira especial e assim o fez. Esperou o meu pai chegar em casa e entregou uma t-shirt de cor branca com a gravura de um bebé e as escritas: _ Brevemente serei papai. O meu pai não podia acreditar no que via, não era possível... Seria verdade aquilo? A alegria foi tão imensa que pulou e colocou a minha mãe no colo, a abençoando e me abençoando. Os dias foram passando e tudo foi ficando melhor ainda, o papai não aguentava ficar longe da mamãe, e logo que estivesse junto dela, abraçava e brincava com a barriga. 9 meses se passaram e já estava na hora de eu nascer e conhecer esse mundo de que tanto falavam... A minha família me esperava com ansiedade, as dores foram intensificando e a minha mãe só conseguia se apoiar no meu pai. As 17h58, se ouviu um choro na sala de parto, o choro de um bebé, era eu. Minutos depois do meu nascimento, abri os olhos e o que mais chamou atenção dos médicos e dos meus pais foi a cor dos meus lindos olhos. _ Puxou a cor dos olhos do pai, falou o médico olhando para mim com um largo sorriso de ponta em ponta. Quando o Dr. falou aquilo, a minha mãe, deixou escapar um sorriso me levando até ela. O meu pai foi e é o homem mais sortudo do mundo, a primeira e única filha dele, havia puxado a cor dos seus olhos. Horas depois, a minha mãe e eu recebemos alta médica e podíamos ir para casa. O meu pai estava do lado de fora do hospital ao lado de uma táxi que aguardava a nossa chegada Naquele ano, a condição financeira do meu pai não era das melhores, mas nunca deixou faltar nada a minha mãe e nem mim. Minha mãe - Soraia, vinha de uma família espanhola, residente maioritariamente na Espanha, de porte financeiro alto, sua mãe, minha avó, nunca aprovara seu relacionamento com o meu pai, até mesmo no leito da morte, isso quando minha mãe tinha 16 anos. A minha mãe era a mais velha de uma única irmã - Laura, minha tia. Minha mãe era morena, de pele clara, cabelo cacheado, olhos castanhos claros, corpo de ampulheta, tinha 1.65 de altura. A tia Laura era 2 anos menor que a mamã e sempre esteve ao lado dela, mesmo quando a minha avó ameaçava deserda-la. O meu pai - Júlio, era de família europeia, o primeiro de 3 irmãos. O meu pai, era lindo, cabelo liso preto, olhos verde mar, pele branca, estatura alta e grande, 1.90 de altura, só para terem noção. Vinha de uma família nobre, mas trabalhadora, o inglês era a língua oficial da família. Eu, Alicia sou mestiça, junção de duas terras, de dois continentes, de duas origens e duas etnias. Pele clara, morena, cabelo ondulado, olhos verde mar, 1.68 de altura. Ao ver o meu pai, a minha mãe alegrou-se e foi em direção a ele. Nas laterais do táxi, estava escrito: _ Seja bem vinda, Alicia. Sei disso, porque os meus pais me contaram. Eu não era uma vidente para ver o que aconteceu, mas era humana o suficiente para sentir o quanto os meus pais me amavam. O tempo foi passando e a minha mãe modificou muito, as saídas e noites fora de casa eram constantes e as brigas entre ela e o papai também. Quando completei 4 anos de idade, lembro que no dia do meu aniversário, a minha mãe não havia aparecido, fiquei sozinha com o meu pai, que estava desolado. Depois daquele dia, a mamã apareceu e com ela vieram mais duas crianças. Os meus pais foram no quarto e os gritos eram imensos, ouvia o que eles diziam, mas não percebia nada e nem porquê faziam tanto barulho. Na sala estava eu e mais as duas crianças que a mamãe havia trazido consigo. O mais velho, que era o rapaz abraçava e tapava os ouvidos da menor, pareciam ser irmãos. Eu também queria irmãos, havia pedido isso aos meus pais de presente para o meu aniversário de 4 anos, só não sabia que seria daquele jeito. Depois de minutos, longos minutos, os meus pais saíram do quarto. Olhei para a minha mãe que vinha em minha direção com os olhos cheios de lágrimas e depois para o meu pai, que parecia estar inconsolado, não parou de chorar um segundo apenas, aquilo me magoava e comecei a chorar também. Ao chegar até mim, a minha mãe me deu um abraço forte e disse que me amava e que apesar de tudo, seria sempre a menina dela. Chamou as duas crianças e disse: _ Alicia, esses são os seus irmãos, Luan e Bruna. Ao nos apresentar, fez com que nossas mãos se tocassem. Eu olhei para o meu pai e depois para a minha mãe, não percebia nada. Como poderiam ser meus irmãos, se a última e única vez que esteve grávida foi de mim?! Creio que essa também era a questão do meu pai. Como?! O meu choro era silencioso, mas se intensificou mais, não percebia o que a minha mãe dizia, mas sentia alto errado. A minha mãe, mais uma vez olhou para mim e disse: _ Aconteça o que acontecer, eles serão sempre seus irmãos, meu amor, e eu serei sempre sua mãe. Depois daquelas palavras, a minha mãe se levantou, pegou nos meus irmãos, olhou para trás e disse: _ Adeus, filha. Foi depois de ouvir essa frase, que o meu coração começou a bater forte e quase saiu pela boca, era uma dor inexplicável, que nunca havia sentido antes. Foi aí, que eu comecei a chorar a sério e só dizia: _ Não, mamãe, não vai por favor. Não vai, não vai... mas parecia que a minha mãe não conseguia me ouvir naquele momento. Senti o meu pai me levantando e me abraçar com todos as suas forças, para me consolar, mas naquele momento eu só queria a minha mãe, só a minha mãe. Eu ouvia o meu pai falar em meio ao choro: _ Não chora, minha princesa. Mas como eu ia não chorar, se ele também chorava?! Quando a minha mãe foi embora, o meu pai e eu ficámos destroçados, eu por não ter mais uma mãe presente, tal como nas novelas que ela amava assistir, e o meu pai por não ter mais a mulher que amava e por ter sido traído sem perceber, com uma filha de 4 anos, que em breve teria o seu primeiro dia de aulas... O tempo passou e o meu pai, por obrigação, com vontade ou não, teve de procurar outro emprego e uma casa pequena para morarmos...

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